Dolby Digital, Pro Logic, DTS, THX e mais: entenda os padrões de som surround

Por Sérgio Oliveira | 21.09.2015 às 10:09 - atualizado em 22.05.2016 às 11:20

O som surround já não é mais uma realidade exclusiva das salas superequipadas de cinema e já há algum tempo se faz presente nas nossas casas graças à popularização dos home theaters. Com isso, já é possível desfrutar de sons tridimensionais 5.1 e até mesmo 6.1 no conforto de casa sem gastar muito dinheiro para isso.

Graças a essa crescente popularidade, também é cada vez maior o nosso contato com a sopa de letrinhas e padrões patenteados de sistemas do tipo. Dolby Digital, Dolby Pro Logic, DTS e THX são apenas alguns dos padrões mais populares e que praticamente ninguém sabe explicar.

Embora os mais leigos afirmem que, no fim das contas, tudo dá no mesmo, há algumas diferenças bem sutis entre cada um deles que merecem ser explicadas e conhecidas. Se você é um aficionado por som e preza acima de tudo por qualidade, este artigo foi feito para você. Se, por outro lado, você for apenas um usuário comum e que não entende absolutamente nada disso, não tem problema, pois nunca é tarde demais para aprender um pouco mais. Vamos lá!

Dolby

Quando falamos em som surround de alta definição, o primeiro nome que vem à cabeça é o da Dolby. Já há algum tempo a empresa vem construindo seu legado e estampando sua marca nas principais produções cinematográficas de Hollywood e dos videogames.

Ela é responsável por inúmeros padrões de som holográfico, mas a maioria deles trabalha basicamente utilizando a mesma tecnologia. Dito isso, nos resta analisar duas das principais tecnologias da companhia, a Dolby Pro Logic e Dolby Digital.

Dolby Pro Logic

A tecnologia Dolby Pro Logic é uma das mais antigas quando o assunto é som tridimensional e está presente numa grande parcela dos equipamentos de som mais antigos.

O que pouca gente sabe, no entanto, é que essa tecnologia não pode ser classificada verdadeiramente como surround, já que simula um ambiente tridimensional virtualmente. À época, o formato foi desenvolvido para utilizar apenas dois canais e, em alguns casos, um subwoofer. Essa característica era incrível, pois nos anos 1970 as caixas de som vinham com o subwoofer integrado. A partir dali, pela primeira vez, seria possível destacar esse tipo de alto-falante sem comprometer a qualidade do som. Também foi nessa época que surgiram os primeiros aparelhos de som capazes de enviar sons distintos para dois canais diferentes (direita e esquerda), dando início ao mundialmente famoso formato estéreo, que contou com a ajuda da Dolby.

Alguns anos depois, a Dolby lançou o Pro Logic II, que adicionava a capacidade de separar o sinal para até cinco alto-falantes e um subwoofer independente. No fundo, a tecnologia era a mesma, com a diferença de que houve a adição a multicanais. Embora isso soe como som surround 5.1, a verdade é que não temos sons distintos em cada uma das caixas, o que não caracteriza um som verdadeiramente holográfico.

O padrão Dolby Pro Logic cria um ambiente tridimensional virtual, com os alto-falantes traseiros recebendo o mesmo áudio dos alto-falantes dianteiros

O padrão Dolby Pro Logic cria um ambiente tridimensional virtual, com os alto-falantes traseiros recebendo o mesmo áudio dos alto-falantes dianteiros (Imagem: Reprodução)

O padrão está por aí até hoje com o Pro Logic IIx, que adicionou a capacidade de enviar sons para até sete caixas de som diferentes; e o Pro Logic IIz, que adicionou uma nova dimensão (altura) aos sons, mas não é recomendado para quem está buscando montar um sistema de entretenimento avançado e/ou de ponta. O envio de sinais iguais para as diversas caixas pode comprometer, por exemplo, a experiência de um filme e até mesmo de videogames. Contudo, se a ideia é apenas ouvir uma boa música, ele deve servir muito bem, já que são raros os casos de álbuns e serviços de streaming que trabalham verdadeiramente com mais de dois canais.

Dolby Digital

O Dolby Digital é o sucessor direto do Pro Logic e surgiu exatamente na primeira leva de home theaters domésticos. Diferente de sua predecessora, essa nova tecnologia utiliza um decodificador embutido para decodificar o sinal e separá-lo em sons individuais que são enviados para um dos cinco canais (dianteiro direito ou esquerdo, traseiro direito ou esquerdo ou central) de maneira independente. Isso significa que cada um dos alto-falantes reproduz um som diferente dos demais, numa verdadeira experiência de som tridimensional.

O padrão Dolby Digital oferece uma experiência verdadeiramente holográfica, emitindo uma amostra de som única para cada alto-falante

O padrão Dolby Digital oferece uma experiência verdadeiramente holográfica, emitindo uma amostra de som única para cada alto-falante (Imagem: Reprodução)

Outra característica é que esse padrão trabalha com formatos lossy. Ou seja, o áudio é codificado e comprimido pelos estúdios para que possam caber no disco ou economizar largura de banda numa transmissão online e, na outra ponta, decodificados e descomprimidos pelo seu aparelho. Os mais exigentes podem ver nisso um problema, já que há perda de pequenos detalhes, mas a verdade é que essa característica contribuiu bastante para a popularização do som surround como um todo.

Com o passar do tempo e a adição de mais canais de som, a Dolby lançou o Digital EX e o Digital Plus, que, via de regra, funcionam da mesma forma que o Dolby Digital original. A diferença, aqui, é que eles adicionam suporte 6.1 e 7.1 aos aparelhos que contam com seu selo.

O padrão Dolby Digital Plus é o que oferece a experiência mais imersiva de todas, podendo emitir sons independentes para até sete canais de áudio diferentes

O padrão Dolby Digital Plus é o que oferece a experiência mais imersiva de todas, podendo emitir sons independentes para até sete canais de áudio diferentes (Imagem: Reprodução)

Por fim, mais recentemente a companhia disponibilizou o Dolby TrueHD, que comprime o áudio o mínimo possível e, por isso, é considerado um padrão lossless - quando não há perda de dados do áudio. Atualmente, o TrueHD pode ser encontrado apenas em discos Blu-rays, já que o tamanho gigantesco dos arquivos de som impede que eles sejam alocados em um DVD ou CD. Mesmo assim, são poucos os aparelhos disponíveis no mercado que oferecem suporte a esse padrão.

DTS

A tecnologia DTS compartilha várias características com a Dolby Digital, tal qual a utilização de compressão lossy, decodificação no receiver e uma ligeira perda de qualidade do áudio. Contudo, o DTS se sobressai por utilizar taxas de bitrate superiores, o que possibilita uma menor degradação em relação ao áudio original.

Apesar dessa característica, isso não significa que há uma diferença gritante entre os dois padrões. Na verdade, o usuário comum sequer consegue diferenciá-los, tendo que recorrer a alto-falantes top de linha para que consigam notar algo de diferente.

Embora seja uma boa alternativa ao Dolby Digital, tendo inclusive suporte a 6.1 canais com a tecnologia DTS-ES, a verdade é que o Dolby Digital é muito mais popular e está presente na grande maioria dos receivers da atualidade, enquanto o DTS se faz presente apenas em poucos aparelhos de nicho.

DTS Neo:6

Essa é a variante da DTS que corresponde ao Dolby Pro Logic II. Ou seja, o som oferecido pelo padrão não é verdadeiramente tridimensional, já que o áudio é dividido em 5 ou 6 alto-falantes. Há quem acredite que o DTS Neo:6 é melhor que o Pro Logic II, mas a verdade é que pouquíssima gente consegue perceber a diferença entre eles em sistemas ordinários utilizados no dia-a-dia.

Portanto, eles são basicamente a mesma coisa, apresentando diferença apenas caso você utilize sistemas high-end top de linha.

DTS-HD Master Audio

A essa altura do campeonato você já deve ter percebido que há uma equivalência entre os padrões das diversas empresas do ramo, não é mesmo? Como é possível imaginar, o DTS-HD Master Audio é, sim, o correspondente ao Dolby TrueHD. Ambos utilizam compressão lossless, suporte multicanais e arquivos gigantescos que restringem a utilização do padrão apenas a discos Blu-ray. E, afinal de contas, onde está a diferença?

Bem, já que os dois operam basicamente da mesma forma, é difícil apontar uma diferença, sobretudo porque as duas companhias mantêm detalhes técnicos guardados a sete chaves. Portanto, é difícil analisar cada uma delas minuciosamente para dizer qual se sobressai de fato.

No fim das contas, o que conta mesmo é a preferência pessoal de cada um.

THX

Diferentemente da Dolby e DTS, o THX não é exatamente um formato, mas sim um conjunto de diretrizes que precisam ser seguidas para assegurar o "mais alto padrão de áudio e vídeo em equipamentos domésticos de home theater".

A ideia surgiu na cabeça de Tomlinson Holman depois que ele trabalhou para a Lucasfilm na produção de Star Wars VI - O Retorno de Jedi na década de 1980. O propósito era estabelecer uma série de padrões de qualidade para garantir a reprodução fiel da trilha sonora do longa-metragem, cuja trilha sonora já vinha sendo aclamada desde o Episódio IV - Uma Nova Esperança.

Embora muitos filmes recebam o selo THX, a verdade é que são poucas as salas de reprodução ou home theaters capazes de oferecer toda a experiência do padrão

Embora muitos filmes recebam o selo THX, a verdade é que são poucas as salas de reprodução ou home theaters certificados para oferecer toda a experiência do padrão criado por Tomlinson Holman (Imagem: Reprodução)

Desde então, filmes com o selo THX são sinônimo de qualidade, já que ele garante que todo o equipamento utilizado ali obedece a altos padrões de qualidade, tanto quando o assunto é áudio como vídeo.

Isso cobre basicamente os formatos de som surround mais populares e difundidos da atualidade. Com otimismo, na próxima vez que você estiver olhando para o seu home theater ou videogame tentando decifrar o que cada um desses nomes significa lembrará deste artigo e do conhecimento que adquiriu aqui.

Para finalizar, a pergunta que não quer calar: afinal, qual o melhor padrão de todos? Sendo bastante honesto, não existe um. Afinal de contas, o melhor é aquele que cabe no seu bolso e que atende às suas necessidades.