Silêncio, ruído branco ou música? Veja o que é melhor para se manter focado

Por Sérgio Oliveira | 22 de Setembro de 2015 às 09h42

Produtividade e foco. Essas duas palavras andam de mãos dadas no ambiente corporativo, mas muitas vezes causam boas dores de cabeça sobretudo em quem trabalha no computador o dia inteiro. As distrações são inúmeras e perder o fio da meada muitas vezes está a um clique de distância - isso sem contar com seus colegas de trabalho que ficam lhe chamando para ver fotos de gatos ou tomar aquele cafezinho e jogar conversa fora na lanchonete.

Contudo, à mesma medida que o computador lhe distrai, também pode ajudar a mantê-lo focado e, consequentemente, mais produtivo. Para isso, há várias dicas de músicas e práticas por aí que ajudam qualquer um a se manter focado e produtivo durante o expediente. Geralmente, essas sugestões vão desde ruídos branco, rosa e marrom até playlists de estilos musicais específicos, passando pelo silêncio absoluto com a utilização de fones com cancelamento de ruído.

Se você se interessou pelo assunto, comentamos os mais populares métodos nas linhas a seguir. Contudo, antes de seguir adiante, é importante frisar que não existe uma fórmula exata para se manter focado e produtivo, então o ideal é que você tente cada um deles e veja qual se encaixa melhor ao seu perfil.

Ruído branco

O som esquisitão do ruído branco é uma das maneiras mais populares de se livrar das distrações entre aqueles que já procuram há algum tempo se manter focados. Aqui, a ideia é misturar sons de todas as frequências para cobrir o maior espectro sonoro possível e, assim, bloquear distrações externas.

Editor de tecnologia do The Hidustan Times, Pranav Dixit atesta que o som ajuda a criar uma bolha no ambiente de trabalho, bloqueando praticamente toda as distrações que estão ao seu redor. Pessoas conversando e telefones tocando não são ouvidos e, dessa forma, é possível se concentrar na leitura de artigos mais longos, absorvendo uma maior quantidade de informações.

Além disso, há quem afirme que o ruído branco pode atuar como uma espécie de tranquilizante, ajudando as pessoas a se manterem dispostas até mesmo após horas de trabalho a fio.

Forma de onda do ruído branco. Perceba como ele cobre uma vasta gama de espectros sonoros.

Forma de onda do ruído branco. Perceba como ele cobre uma vasta gama de espectros sonoros (Imagem: Reprodução / Wikimedia)

Fora o ruído branco, também há os ruídos rosa e marrom, que atuam de maneira semelhante, embora utilizem frequências sonoras diferentes. O ruído rosa, por exemplo, faz a junção de frequências mais altas com mais baixas para produzir um efeito sonoro semelhante a uma cachoeira. Tal característica cria um ambiente terapêutico, ajudando as pessoas a deixarem o estresse de lado à medida que a mente se mantém alerta e energizada.

O ruído marrom, por sua vez, utiliza apenas frequências mais baixas para gerar um som ambiente bastante profundo - algo bem semelhante ao barulho contínuo do ventilador que fica ligado a noite inteira no quarto. Não à toa, o ruído marrom ajuda várias pessoas a terem sono e acalmar crianças e animais agitados.

Em todo caso, os três ruídos são indicados sobretudo para profissionais que precisam se manter concentrados por longos períodos. Portanto, se você é jornalista, editor, pesquisador ou programador e não aguenta mais o telefone do escritório tocando, talvez seja hora de dar uma chance aos ruídos coloridos. Teste cada um deles no site Simply Noise (gratuito) para ver qual funciona melhor para você e lembre-se que a ideia aqui é se manter focado e produtivo, então é sempre bom se manter longe de notificações no seu computador e, sobretudo, redes sociais como Facebook e Twitter.

Cancelamento de ruído

Embora haja várias pesquisas que apontem a eficiência do uso do ruído branco para se manter focado, há pessoas que optam pelo que há de mais simples: o silêncio absoluto.

Num mundo cada vez mais cheio de sons e distrações dos mais variados tipos, o silêncio pode muitas vezes ser bem incômodo. Todavia, quem se acostuma com isso garante que a produtividade melhora bastante e que não troca seus fones de ouvido com cancelamento de ruído por nada no mundo.

É o caso, por exemplo, de Harshawardhan Sabale, CEO da Ogle. Segundo ele, a melhor compra que ele já fez na vida foi seu primeiro fone com cancelamento de ruído há nove anos. Para ele e outros profissionais que passam horas e horas na frente do computador, o silêncio absoluto é a melhor forma de se manter concentrado e processar grandes quantidades de informação.

Os fones de ouvido da Bose são referência quando se procura por um modelo com cancelamento de ruído. Infelizmente, a alta qualidade é traduzida no valor do produto: o QuietComfort QC25 custa na faixa de R$ 1.500

Os fones de ouvido da Bose são referência quando se procura por um modelo com cancelamento de ruído. Infelizmente, a alta qualidade é traduzida no valor do produto: o QuietComfort QC25 custa na faixa de R$ 1.500 (Imagem: Reprodução)

Embora a ideia seja simples, a verdade é que quem opta por seguir esse caminho terá que desembolsar uma boa quantidade de dinheiro para adquirir um fone de ouvido com a tecnologia. Para ter uma ideia, uma rápida busca nos principais sites de e-commerce do Brasil revela que os modelos mais eficientes não saem por menos do que R$ 800, enquanto que os top de linha chegam fácil a marca dos R$ 1.500.

Portanto, é bom começar a juntar um dinheiro caso nenhuma das demais dicas sirvam para você.

Música instrumental e trilha sonora

Conhecido entre os audiófilos, o expert Julian Treasure tem um grande currículo nesse segmento e em 2009 afirmou que nós só podemos nos concentrar em 1.6 conversas por vez. A partir disso, segundo ele, é possível que pessoas que trabalham escrevendo ou com números acabem trazendo informações que estão sendo ouvidas para o que estão fazendo, o que normalmente as fazem perder o foco e terem sua produtividade prejudicada.

Para resolver isso, um estudo sugere que o ideal é que aqueles que costumam trabalhar ouvindo música deem preferência a música instrumental para evitar uma sobrecarga de informação.

Matthew Hughes e Philip Bates, ambos redatores do portal norte-americano MakeUseOf, afirmam que o método funciona e dão sugestões diferentes do que as pessoas deveriam ouvir para se manterem focadas. Hughes diz que, no caso dele, jazz e música clássica funcionam melhor, já que o ritmo mais lento e calmo desses estilos o ajuda a se manter concentrado no que está escrevendo.

A música clássica e instrumental são boas alternativas principalmente para quem aprecia um ritmo mais lento e cadenciado. Entre os vários compositores do gênero que existem atualmente, o japonês Ryuichi Sakamoto é um dos que mais se destaca

A música clássica e instrumental são boas alternativas principalmente para quem aprecia um ritmo mais lento e cadenciado. Entre os vários compositores do gênero que existem atualmente, o japonês Ryuichi Sakamoto é um dos que mais se destaca (Imagem: Reprodução)

Bates, por outro lado, aposta nas trilhas sonoras, quer elas sejam de filmes ou videogames. Segundo ele, o fato dessas músicas serem mais sucintas ajuda as pessoas a entrarem num clima específico mais rápido. Logo, o ideal é que a pessoa procure por álbuns que tenham a ver com o que ela irá fazer para que se deixe envolver pelo momento.

Se você não é fã de nenhum desses dois tipos de música ou sequer sabe se gosta delas, há serviços na internet que ajudam a descobrir não só o seu gosto, mas também qual ritmo mais lhe agrada - é o caso, por exemplo, do Focus At Will (em inglês). Playlists específicas no Spotify também são uma excelente alternativa para quem já paga por uma assinatura de serviço de streaming musical.

Música que você conhece

Sim, essa dica contraria todas as outras dadas até aqui. Contudo, há um "porém". Quantas vezes você não se pegou no piloto automático cantando aquela música que já ouviu inúmeras vezes e conhece a letra de trás para frente? Isso acontece porque nosso cérebro não precisa processar músicas que conhecemos de cor.

Inconscientemente, nosso cérebro reconhece a batida e o ritmo daquelas músicas chicletes que não saem da nossa cabeça e deixa de processá-las por saber que não terá que lidar com surpresas. Sendo assim, aquela banda que você não cansa de ouvir enquanto está trabalhando, ou aquela música da Taylor Swift que não para de tocar nas rádios na verdade não prejudicarão sua concentração, tampouco sua produtividade.

As canções da norte-americana Taylor Swift são ótimos exemplos de música chiclete que são processadas automaticamente por nosso cérebro quando as ouvimos várias vezes

As canções da norte-americana Taylor Swift são ótimos exemplos de música chiclete que são processadas automaticamente por nosso cérebro quando as ouvimos várias vezes (Imagem: Reprodução)

Essa regra tende a funcionar para qualquer gênero musical, mas é o Pop quem mais se aproveita dela. A ideia é que essas músicas são pensadas para serem prazerosas e fáceis de decorar. Como resultado, basta ouvi-las algumas dezenas de vezes para que a região do seu cérebro responsável pela linguagem deixe de se importar com o que está sendo ouvido e transforme toda a experiência de trabalho numa jornada divertida e prazerosa.

Agora que você já conhece algumas técnicas para se manter concentrado, conta para gente qual funcionou melhor e por que. Também vale compartilhar na caixa de comentários aqui embaixo qual outro método você utiliza para se manter concentrado.