Prestes a ser lançado no Brasil, Spotify enfrenta problemas de lucratividade

Por Redação | 22.05.2014 às 13:14

Nesta quinta-feira (22), o Spotify deve anunciar a obtenção da marca de 10 milhões de assinantes. Mais do que isso, a empresa comemora a marca de 40 milhões de usuários do serviço de streaming, que, além da opção paga, também oferece uma alternativa gratuita e baseada em anúncios. Mas, de acordo com reportagem da Business Week, nem tudo são flores para a companhia sueca.

Na mesma medida em que amplia seu alcance e número de usuários como uma das poucas opções para streaming de música gratuito, o Spotify também tem que pagar cada vez mais royalties aos artistas reproduzidos. Seria uma balança que jamais chegaria a um equilíbrio e que, dificilmente, penderia para o lado da lucratividade.

Essa é uma afirmação que é apoiada por especialistas, como a consultoria Generator Research. Em novembro de 2013, a firma publicou um relatório que afirma que o modelo de negócios de qualquer serviço do tipo, mesmo os pagos, é insustentável, mesmo que a estratégia das empresas envolvidas seja perfeita.

Isso significa que, quanto maior o sucesso dos serviços, maior o valor perdido em gastos. As soluções para esse problema seriam duas, igualmente não viáveis. A primeira seria reduzir ainda mais os já baixos valores pagos aos artistas por meio de royalties, o que poderia prejudicar acordos comerciais já estabelecidos. O aumento no valor das assinaturas também estaria fora de questão, já que o valor percebido pelos usuários de uma plataforma de música baseada na nuvem seria baixo, já que eles não têm “posse” sobre os arquivos reproduzidos.

Apesar de não falar muito sobre seu balanço financeiro – nem comentar os rumores de que já teria perdido US$ 200 milhões desde sua abertura –, o Spotify confirma que cerca de 70% de seu orçamento é dedicado apenas aos royalties. Nos 30% restantes estão todas as despesas da companhia e, ainda, a margem para lucros. É muito pouco, na visão de especialistas.

Parte de algo maior

De acordo com a Business Week, o futuro mais acertado para a continuidade desse tipo de serviço – que, apesar dos problemas financeiros, está caindo no gosto dos usuários – é a venda. É o caso do Beats Music, por exemplo, que faz parte da Beats Electronics, supostamente adquirida pela Apple e, provavelmente, prestes a fazer parte do portfólio de serviços do iTunes.

Para Mark Mulligan, especialista do mercado musical, as plataformas de streaming funcionarão melhor do interior de uma companhia maior, com outros produtos para gerar lucro e compensar os grandes gastos envolvidos na operação. A ideia geral é que o negócio se torne insustentável, sozinho, quando ultrapassar a marca de 10 milhões de pagantes, justamente a que foi atingida pelo Spotify.

Daniel Elk

O CEO da companhia, Daniel Ek, rejeita tais afirmações e até mesmo uma possível proposta de compra. Para ele, não existe vantagem em sair de uma posição de liderança em um segmento de mercado para se tornar parte de outro negócio maior e menos focado. O Spotify teria um valor estimado de US$ 4 bilhões.

A situação se torna ainda mais complicada quando se leva em conta as duras críticas feitas aos serviços do tipo. A banda Black Keys, por exemplo, protesta contra o baixo valor dos royalties e se recusa a disponibilizar seus álbuns no Spotify e seus concorrentes. Thom Yorke, do Radiohead, por sua vez, já afirmou publicamente que a plataforma é o último suspiro desesperado de um cadáver.

Vale lembrar também a situação causada pela banda independente Vulfpeck no início de maio. Afirmando abertamente que o Spotify paga US$ 0,007 por reprodução, o grupo fez o upload de um álbum silencioso com faixa de pouco mais de 30 segundos, o tempo necessário para que o serviço considere a reprodução como válida. Para financiar uma turnê gratuita, foi pedido que os fãs reproduzissem o disco em modo de repetição durante a noite, enquanto dormiam. A ideia deu certo e o grupo obteve US$ 20 mil antes de ver o trabalho sendo retirado do ar.

Ek sabe que está em uma situação delicada, mas, no momento, parece estar mais preocupado com as regras de neutralidade da rede impostas pelo governo dos EUA e com o que chama de concorrência desleal por parte do Google e Apple. Para ele, ao controlarem tanto os sistemas de reprodução quanto o sistema operacional no qual eles funcionam, as companhias poderiam agir de forma a causar desvantagem a concorrentes e privilegiar seus próprios serviços. Ele pondera que isso não aconteceu, ainda.

Entre as opções consideradas pelo CEO para o crescimento e lucratividade do Spotify estão a criação de planos de assinatura familiares e a parceria com operadoras de telefonia, para que a cobrança possa ser feita diretamente na conta telefônica. São os primeiros passos para o que Ek vê como um serviço já estabelecido no mercado fonográfico e que, agora, deve lutar para agradar também em outros aspectos mercadológicos.