Quanto o Coronavírus pode impactar os negócios da Apple? Entenda a questão

Por Fidel Forato | 28 de Janeiro de 2020 às 14h30
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Mesmo mergulhada na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, a Apple manteve suas boas relações em ambos os lados: soube lidar com Trump e, ao mesmo tempo, tem no país asiático importantes fábricas e um gigantesco mercado consumidor, além de data centers. Só que, agora, a empresa enfrenta um novo desafio em território chinês: o coronavírus.

Isso porque não para de crescer o número de casos do novo vírus chinês. Já são 81 óbitos e quase 3.000 doentes confirmados. E sendo a China o epicentro do vírus, um surto de maiores proporções é uma ameaça em potencial para quase todos os lançamentos de produtos da Apple em 2020.

Apple pode enfrentar grande crise junto ao novo vírus chinês (Foto: Divulgação/ Apple)

O que está acontecendo?

Foco do Coronavírus, também conhecido como 2019-nCoV, a cidade de Wuhan, na China, passou a impor uma série de regras, buscando conter a propagação da nova doença. O transporte público, por exemplo, foi reduzido de maneira brusca, as empresas e as escolas estão fechadas e viagens para fora da cidade são rigidamente limitadas.

A Foxconn, importante parceira da Apple na região, solicitou que os funcionários que estavam em Taiwan, comemorando o Ano Novo chinês, prolonguem suas estadias e não retornem à fábrica na China, segundo a Straitstimes. Isso porque uma unidade fabril, como as que a Foxconn opera, pode, eventualmente, se tornar palco de um surto, colocando trabalhadores em risco e interrompendo a produção.

Além de liberar seus funcionários, a Foxconn aumentou o monitoramento da saúde dos empregados em sua fábrica em Wuhan. Um dos exemplos desse monitoramento é que seus funcionários devem ter sua temperatura verificada diariamente, já que um dos primeiros sintomas da doença causada pelo Coronavírus é febre.

No entanto, monitorar a febre pode não ser suficiente. As informações mais recentes sobre o vírus sugerem que o contágio pode se espalhar por dias antes que o estado febril se desenvolva. Por isso, medidas mais drásticas estão sendo tomadas. O CEO da Apple, Tim Cook, também anunciou que a Apple doará recursos para grupos de ajuda às vítimas do 2019-nCoV.

Atraso na agenda de lançamentos?

Por enquanto, é impossível saber por quanto tempo durará o surto do Coronavírus. Isso porque o último grande surto chinês, conhecido como SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), em 2002, durou, aproximadamente, seis meses. No entanto, naquela época, a presença da Apple também era muito menor na região. Caso o Coronavírus dure o mesmo tempo, a companhia teria um impacto drástico na produção de aparelhos da Apple.

Fique por dentro:

Como regra geral, a Apple costuma iniciar a produção da próxima linha de iMacs ou iPads cerca de 60 dias antes de de sua apresentação ao público. Já antes do lançamento dos iPhones, em setembro, a produção começa de três a quatro meses antes. Ou seja, o surto de Coronavírus pode impactar esse calendário em 2020, exigindo mudanças, já que a maioria de suas principais fábricas está localizada na China continental

Caso esteja nos planos um novo lançamento da companhia para março (a nova versão do iPhone SE, por exemplo), a produção de novos dispositivos precisaria começar imediatamente após o Ano Novo Chinês. Dependendo da gravidade do surto, os próximos anúncios podem ser ameaçados, já que a produção do iPhone 12 precisaria estar em pleno andamento até julho.

iCloud e vendas da Apple

No mais, não há expectativa de que os centros da Apple Cloud sejam impactados pelo 2019-nCoV. Isso porque os data centers, apesar de grandes, não contam com um extenso número de funcionários. Além disso, esses locais exigem menos manutenção do que uma loja, por exemplo, e podem operar com menos funcionários, se necessário.

Além das preocupações com o quadro de funcionários, as lojas chinesas da Apple, provavelmente, enfrentarão um menor fluxo de clientes durante o auge do surto. Como resultado, isso significa vendas mais baixas na região à medida que a doença se espalha. A partir de hoje (27), o horário de funcionamento de suas lojas na China continental (classificação que não inclui Hong Kong) já foi reduzido. A maior preocupação da Apple deve ser a estratégia para manter seu mercado aquecido - o que pode ser drasticamente reduzido, de acordo com as próximas notícias.

No entanto, que fique claro: a saúde da população chinesa - e de todo o planeta - é muito mais importante que o lançamento de um smartphone, notebook, desktop ou tablet. Ou seja, não será o fim do mundo se as pessoas não receberem seus produtos em mãos na data que elas esperam.

Prioridades, meus caros!

Fonte: Apple Insider

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