Há 21 anos, Apple foi salva ao receber investimento milionário da Microsoft

Por Patrícia Gnipper | 06 de Agosto de 2018 às 15h01
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No dia 6 de agosto de 1997, os rivais Steve Jobs e Bill Gates deixaram as "tretas" de lado por um bem maior. É que, naquele dia, a Microsoft aceitou investir US$ 150 milhões em ações da Apple, ajudando a companhia de Cupertino a se firmar em uma época em que a Maçã estava desmoralizada no mercado.

1997 foi o ano em que Steve Jobs retornou à Apple, tornando-se o CEO de sua própria companhia, depois de um período negro em que a Apple ficou sem seu fundador. Ao retornar, Jobs deu início a uma série de providências para recuperar a moral de sua empresa, incluindo o encerramento de produtos que não fizeram sucesso, como o Apple Newton, por exemplo.

Só que o que ninguém esperava era que Jobs buscasse uma aliança justamente com sua principal "inimiga": a Microsoft. Na tentativa de resolver os problemas financeiros da Apple, Jobs, ousado como era, anunciou o impensável — um acordo com Bill Gates. Mas, antes, vamos entender melhor a história da Apple contra a Microsoft (e vice-versa).

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Batalha de gigantes

Pioneiras, ambas as companhias surgiram mais ou menos na mesma época. Gates e Jobs eram, literalmente, a cara de suas empresas, sendo que, no início, Apple e Microsoft não batiam tanto de frente assim: enquanto a Maçã se focava em computadores, a companhia de Redmond desenvolvia software.

Steve Jobs ao lado de Bill Gates

De qualquer maneira, desde os anos 1980 já existia a divisão entre os "fanboys" da Apple e da Microsoft, que brigavam entre si cada um com seus argumentos em defesa de sua empresa preferida. E, bem, estamos em 2018 e, nesse sentido, a coisa não mudou muito.

Naquela época, as empresas não só brigavam entre si por meio de anúncios publicitários, dando aquelas alfinetadas uma na outra, como também nos tribunais. Em 1988, um processo foi aberto pela Apple alegando que a Microsoft teria usado elementos do Mac GUI no Windows 1.0. Só que quem levou a melhor foi a Microsoft, que ganhou a decisão favorável, embora o caso permanecesse em andamento até 1998.

E como Jobs convenceu Gates a investir na Apple?

Antes mesmo da saída do ex-CEO da Apple, Gil Amelio, já havia conversas entre ambas as empresas para que a Microsoft deixasse a rivalidade de lado e investisse na Maçã. Nada aconteceu de concreto, mas assim que Jobs assumiu a liderança de sua companhia, em 1997, ele teria ligado, pessoalmente, para Gates e falado: "Não se preocupe com essa negociação com Gil Amelio. Você pode falar diretamente comigo agora".

Então, persuasivo que era, Jobs convenceu Gates a investir os US$ 150 mi em ações da Apple naquele ano, com as empresas também concordando em resolver todas as pendências legais relacionadas a patentes, ao mesmo tempo em que o Microsoft Office e o Internet Explorer foram disponibilizados para o Macintosh.

Em 18 de agosto de 1997, a capa da revista TIME estampou Steve Jobs ao telefone com Bill Gates, agradecendo à Microsoft por ter salvo a Apple.

"Bill, obrigado. O mundo é um lugar melhor", teria dito Jobs a Gates ao telefone

Então, no evento Macworld Expo daquele mesmo ano, Jobs anunciou o acordo oficialmente, expondo, também, seu plano para resgatar a Apple, que estava à beira da falência. As reações quanto à parceria entre as rivais foram mistas, com parte da plateia aplaudindo e parte desconfiada pensando que "aí tem". Então, de repente, ninguém menos do que Bill Gates aparece no telão, deixando o público ainda mais boquiaberto:

O cenário pós-acordo

Com o investimento feito pela Microsoft, a Apple conseguiu estabilizar o preço de suas ações e, com isso, retomar seu valor no mercado. Os papéis da empresa estavam sendo negociados a 85 centavos cada antes do acordo — valor este que subiu para mais de US$ 1 nos meses subsequentes. Então, em 1999, as ações da Maçã tiveram uma supervalorização, colocando, enfim, a companhia de volta nos trilhos.

No ano 2000, chegou o icônico iMac original, sendo este o produto de maior sucesso da Apple em muitos anos. Logo depois veio a chuva de inovações, que fizeram a companhia de Cupertino voltar a ser referência no universo tecnológico, com a chegada do iPod e do iPhone, especialmente, nos anos seguintes.

Já quanto à Microsoft, a companhia ajudou a Apple a se reerguer durante sua maior crise, mas não seguiu proprietária de suas ações. As ações da Maçã foram vendidas para a própria Apple em 2003 — e se a Microsoft ainda fosse dona das ações da rival, esse investimento, hoje, valeria cerca de US$ 52,6 bilhões.

E, bem, não podemos ignorar o fato de que a Apple acaba de se tornar a primeira empresa de tecnologia a atingir o valor de mercado de US$ 1 trilhão, o que aconteceu logo após a companhia divulgar seus promissores resultados financeiros do segundo trimestre de 2018. Já a Microsoft, em maio, estava valendo US$ 753 bilhões — ficando atrás apenas da Amazon e da Apple, claro.

Fonte: Apple Insider

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