Google cogitou a compra da Epic Games para evitar disputas na Play Store

Google cogitou a compra da Epic Games para evitar disputas na Play Store

Por Felipe Gugelmin | Editado por Claudio Yuge | 09 de Agosto de 2021 às 21h30
Epic Games

Um dos jogos mais populares do mundo, Fortnite estreou no Android de forma inusitada: embora estivesse disponível na loja da Samsung, o jogo não podia ser baixado diretamente na Play Store, do Google. Em vez disso, a desenvolvedora Epic Games recomendava o download direto do aplicativo, o que a permitia evitar a taxa de 30% cobrada de todas as transações realizadas na loja oficial do sistema operacional.

Além de evitar a Play Store, na época a Epic Games também abriu um processo antitruste contra o gigante das buscas, alegando que ela participava de atividades anticompetitivas. Agora, documentos divulgados pelo The Verge mostram que o Google tinha uma solução um tanto radical para a disputa: comprar a criada do jogo.

Segundo as informações obtidas pelo site, o Google via ação da desenvolvedora como um possível “contágio” que poderia abalar a maneira como sua loja funciona. Na época, a Epic Games tinha seu valor avaliado em US$ 15 bilhões (R$ 78,51 bilhões, na conversão atual), valor que quase dobrou desde então — atualmente, ela é avaliada em aproximadamente US$ 29 bilhões (R$ 151 bilhões).

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Entre aqueles que reagiram à revelação está TIM Sweeney, CEO da desenvolvedora, que comentou no Twitter que desconhecia totalmente que a intenção de compra um dia existiu. “Se isso teria sido uma negociação para comprar a Epic ou algum tipo de tentativa de aquisição hostil, não está claro”, afirmou.

Google duvidava do sucesso de Fortnite

Sweeney também aproveitou para apontar que os documentos mostram que o Google considerava a alternativa de distribuição usada pela Epic “abismal”, contrastando com suas declarações públicas de que o Android é uma plataforma aberta. No processo aberto contra a empresa, a criadora de Fortnite argumenta que ela usa uma série de mensagens assustadoras para impedir a instalação de apps de fora da Play Store, que são impedidos de receber atualizações automáticas.

Os documentos obtidos pelo The Verge mostram que o Google acreditava que a forma de distribuição adotada pelo jogo traria uma má experiência aos usuários e limitaria seu alcance. Ela também temia que isso traria confusão aos consumidores, além de expô-los a um sistema “mais associado a apps maliciosos”.

Além de entrar em rota de colisão com o Google, a Epic atualmente também trava uma disputa legal contra a Apple, que acusa de práticas anticompetitivas com a loja do iOS. A desenvolvedora acusa a Maçã de não oferecer um ambiente propício para o surgimento de concorrentes, além de considerar abusivas as taxas de operação cobradas por ela.

Fonte: The Verge

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