Apple mais verde? Empresa corta 18 fornecedores de minérios

Por Fidel Forato | 10 de Fevereiro de 2020 às 16h10
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Denúncias sobre extração de minerais feita de forma ilegal, seja por questões ambientais ou humanitárias, não costumam ser novidade para o setor base da produção de eletrônicos, como baterias, smartphones e computadores. Mais recentemente, gigantes da tecnologia foram envolvidos em um processo pela exploração de trabalho infantil em minas na República do Congo, na África, para extração de cobalto.

Gradualmente, essas companhias têm adotado práticas de controle maior e auditorias sobre seus fornecedores, como a Apple. Em documento enviado para a Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos (U.S. Securities and Exchange Commission) sobre o fornecimento de minerais usados na produção de seus iPhones, Macs e acessórios, a empresa da Maçã aponta seus esforços em obter os minerais de conflito de forma mais responsável.

Vale esclarecer que "minerais de conflito" recebem esse nome por serem recursos naturais extraídos de regiões em zonas de conflito do globo, como a própria República do Congo. Os elementos mais conhecidos para a área de tecnologia são estanho, tântalo, tungstênio e ouro, chamados de 3TG, mas há ainda outros. Um desses casos é o diamante, cuja história é muito bem representada no filme Diamante de Sangue.

Apple se torna mias rígida com fornecedores de minerais em áreas de conflito (Foto: Federico Scoppa/AFP/Getty Images) 

Medidas de controle

Tanto a Apple quanto outras empresas norte-americanas precisam trabalhar em conformidade com a legislação dos Estados Unidos a respeito do fornecimento desses minérios. Nesse cenário, a Maçã vem explicitando o seu desejo em cortar o uso de minerais de conflito em sua cadeia de suprimentos.

Para estarem alinhados com a legislação norte-americana, os membros da cadeia de suprimentos da Apple devem seguir o Código de Conduta de Fornecedores e o Padrão de Responsabilidade do Fornecedor no Fornecimento Responsável de Materiais, que determinam que a Apple “se envolva com mineradoras e refinarias para avaliar e identificar uma ampla gama de riscos além de conflitos, inclusive sociais e ambientais, [bem como] riscos de direitos humanos”.

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Menos contratos

No início do ano passado, a Apple mantinha 323 contratos com fundições e refinarias, no entanto, 36 dessas parcerias foram rompidas por fornecerem relatórios incorretos sobre suas atividades de extração.

No final do ano de 2019, outras 18 mineradoras tiveram seus nomes removidos da lista de fornecedores da companhia. Isso porque também não atendiam aos padrões predefinidos, como participação em auditorias, o que viola o código de conduta da empresa da Maçã, como foi publicado no documento.

Mais duas refinarias tiveram seus contratos encerrados com a Apple por motivos que não foram especificados, reduzindo o número de fornecedoras ativas para 267.

Para melhorar seu fornecimento de minérios, a Apple também trabalha com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para auxiliar no desenvolvimento de padrões, voltados para o setor de mineração com foco no fornecimento responsável. Também promove inspeções no locais de trabalho através de programas independentes.

Além do maior controle de seus fornecedores, a Apple trabalha em prol de projetos ambientais e, desde 2017, estabeleceu uma meta para depender, exclusivamente, de minerais e materiais recicláveis ​​ou renováveis ​​em sua linha de produção, mas sem estipular uma data. Inclusive, o 3TG está entre os 14 materiais priorizados pelo projeto, como afirmou a companhia.

Fonte: Apple Insider

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