IBM desenvolve nova bateria sem metais pesados e com água do mar

Por Fidel Forato | 22 de Dezembro de 2019 às 16h21
Divulgação
Tudo sobre

IBM

Saiba tudo sobre IBM

Ver mais

Depois da recentes denúncias de gigantes da tecnologia estarem envolvidos com exploração de trabalho infantil em minas de cobalto na República do Congo, na África, parece que a IBM escutou o zeitgeist — conhecido também como o espírito de sua época — e anunciou na semana passada que trabalha no desenvolvimento de uma nova bateria, que substitui o uso do minério em sua composição. Ela se tornaria uma alternativa às famosas baterias de íons de lítio, muito usadas em smartphones e carros elétricos.

IBM está desenvolvenvendo novo tipo de bateria sem metais pesados (Foto: Divulgação/ IBM)Caption

Em fase de produção, essas baterias da próxima geração estão sendo feitas em parceria com a Mercedes-Benz, a fabricante de baterias Sidus e a Central Glass. A equipe de pesquisadores também conta com um software dotado com Inteligência Artificial (IA) que trabalha identificando materiais mais seguros e melhorando o desempenho das combinações propostas.

Pelos poucos detalhes divulgados, a tecnologia utiliza materiais extraídos da água do mar. Além disso, a bateria mais ecológica da IBM é composta por três materiais proprietários, que até então nunca foram registrados na composição de uma bateria comum. O que se sabe também é que o novo produto é feito sem o uso de metais pesados ​​ou outros minérios de fornecedores com atuação questionável.

Sobre as expectativas do empreendimento revolucionário, "o objetivo seria, dentro de um ano ou mais, ter o primeiro protótipo funcional [da bateria]", afirma Jeff Welser, vice-presidente da IBM Research.

Problemas com as minas de cobalto

O movimento ocorre quando os principais fabricantes de baterias estão lutando para reduzir a quantidade de cobalto usada nos modelos de íon de lítio. Isso porque grande parte dos materiais que compõem essa bateria inclui metais pesados ​​como níquel e o já citado cobalto, apresentando grandes riscos ambientais e humanitários.

Exploração de minas de cobalto na África são denunciadas por trabalho infantil (Fota: Federico Scoppa/AFP/Getty Images)Caption

O cobalto, por exemplo, é encontrado em maior quantidade na África Central, mas lá é alvo de críticas por suas práticas de extração. Entre as denúncias da sua produção, inclui o fato do minério ser extraído por menores de idade, em péssimas condições de trabalho. Nessa situação, a Apple, o Google, a Dell, a Microsoft e a Tesla são réus em uma ação judicial, movida pela International Rights Advocates, por suposto trabalho infantil na República Democrática do Congo.

Entra também uma nova questão: a popularização de veículos elétricos, que deve elevar o consumo do cobalto a níveis não pensados anteriormente. Nesse ponto, as empresas de tecnologia já devem procurar um substituo para evitar a escassez do produto base de suas baterias.

Possibilidades da nova bateria

Segundo os pesquisadores da IBM, a criação traz inúmeras vantagens no seu potencial de desempenho. Por exemplo, nos testes iniciais, provou que pode superar a capacidade das baterias de íon de lítio em algumas categorias individualmente, como em custos menores, tempo de carregamento mais rápido e maior densidade de potência e energia.

Os experimentos também revelam alta eficiência energética e baixa inflamabilidade. Além disso, os experimentos já mostram que são necessários menos de cinco minutos para que a bateria — quando configurada para alta potência — atinja uma carga de 80%.

Isso faz do experimento especialmente importante quando se pensa em veículos elétricos, onde preocupações com materiais inflamáveis, custos e tempo de carregamento são essenciais para os consumidores.

Caso a IBM obtenha bons resultados, veículos elétricos de carregamento rápido e baixo custo podem se tornar uma nova realidade, junto de suas baterias menos tóxicas.

Fonte: Reuters via IBM News

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.