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Acordo com a Apple concedeu à Qualcomm tudo o que ela exigiu durante o processo

Por Rafael Rodrigues da Silva | 19 de Abril de 2019 às 14h08
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Quando nesta semana a Qualcomm e a Apple entraram em um acordo para por fim a todas as disputas judiciais existentes entre as marcas, todos os analistas consideraram o acordo como uma grande vitória da Qualcomm. Isso porque ele previu não apenas o pagamento de uma quantia não revelada pela Apple referente a licenciamentos devedores, como ainda as companhias fecharam um contrato de seis anos (extensível para mais dois) envolvendo licenciamento e fornecimento de chips Qualcomm para a Apple.

Com o acordo acertado, uma das principais dúvidas que ficaram foi como seria esse novo contrato de licenciamento, já que foram exatamente os valores de licenças que fez com que a Qualcomm processasse a Apple. Isso porque, no contrato anterior das empresas, foi fixada uma porcentagem a ser paga como licenciamento, só que a Apple pagou essa porcentagem baseada no preço do chip de modem que a Qualcomm fornecia para ela (no valor de US$ 20 cada chip) e o que a Qualcomm esperava receber era uma porcentagem em cima do preço final do iPhone (muito mais do que US$ 20).

Segundo pessoas ligadas ao processo, a Qualcomm estava exigindo da Apple o pagamento de um valor de US$ 7,50 por iPhone vendido como valor de licenciamento, e a Apple estava pagando algo bem abaixo disso e cujo valor exato não foi revelado. Mas, considerando que os US$ 7,50 exigidos pela Qualcomm eram uma porcentagem calculada em cima do valor de venda do iPhone, é possível descobrir essa porcentagem: considerando que a briga entre as empresas se refere ao uso de modems da Qualcomm até o iPhone 6 (a partir do iPhone 7 a Apple passou a utilizar chips Intel), e que esse modelo teve um preço de lançamento de US$ 649 (na versão mais básica), é possível calcular usando uma regra de três simples que a porcentagem pedida como licenciamento pela Qualcomm era de cerca de 1,2% do valor de venda do aparelho. Considerando essa porcentagem, isso quer dizer que a Apple, ao invés de pagar os US$ 7,50 esperados pela Qualcomm, estava pagando a fins de licenciamento o valor de US$ 0,24 por iPhone vendido (referente a 1,2% do valor de US$ 20 de cada chip de modem comprado pela Apple).

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Apesar de nenhuma das empresas ter divulgado os valores do acordo, o analista Timothy Arcuri, da financeira suíça UBS, enviou uma mensagem a seus clientes afirmando que a UBS estimava que o valor de licenciamento acordado entre a Apple e a Qualcomm iria variar entre US$ 8 e US$ 9 — um número maior do que a Qualcomm havia exigido da Apple no processo e que a empresa se recusava a pagar.

Mas, se olharmos além dos números frios de cifras financeiras e tentarmos analisar o todo, perceberemos que a Qualcomm não está “enfiando a faca” na Apple, mas apenas exigindo os mesmos termos de sempre. Claro, US$ 9 é maior do que US$ 7,50, mas o preço dos iPhones também não é mais o mesmo do que em 2016 — e, considerando o aumento do preço base dos aparelhos, esses US$ 9 significam a mesma porcentagem (cerca de 1,2%) do valor de venda do iPhone que a Qualcomm sempre pediu da Apple, e que ela escolheu ir ao tribunal antes de aceitar pagar. Mas, por que essa aceitação assim tão repentina?

O fato é que, como já explicamos aqui em outro momento, a Apple estava “contra a parede”: por conta das dificuldades do mercado, a empresa corria o risco de ficar bem atrás da concorrência na transição de seus aparelhos para a rede 5G. Isso porque a Qualcomm não iria negociar com ela enquanto o processo entre as empresas estivesse em andamento, a Intel (até então a única fornecedora de modems para os iPhones) possivelmente não conseguiria lançar seu chip 5G até 2021, e as outras fabricantes que já possuíam essa tecnologia também não eram uma opção existente, já que a Samsung irá utilizar todos os chips produzidos em seus próprios aparelhos, a Huawei está proibida de vender qualquer equipamento de telefonia para os Estados Unidos sob suspeita de espionagem, e os chips da MediaTek não possuem a qualidade exigida por um iPhone. Assim, todos esses cenários impediam a empresa de participar da transição já iniciada para as redes 5G — mas um deles a companhia tinha como resolver.

Assim, a Apple “engoliu” o orgulho e “perdeu” a disputa com a Qualcomm, chegando a um acordo que colocava a fabricante de chips em posição de vantagem. E mesmo que alguns analistas de mercado acreditem que a Qualcomm se aproveitou da vulnerabilidade da Apple para “enfiar a faca” nela, no fundo eles exigiram até pouco para alguém que possuía todo o poder sobre a situação.

Fonte: PhoneArena

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