Google vai reforçar cabos submarinos após ataques de tubarões

Por Redação | 18 de Agosto de 2014 às 13h25
photo_camera Divulgação

O Google anunciou na última segunda-feira (11) um investimento de cerca de US$ 300 milhões para ajudar na construção de cabos submarinos de fibra óptica que vão ligar cidades na costa oeste dos Estados Unidos a duas cidades no Japão. A rede promovida pela companhia oferecerá 60 Terabits por segundo de velocidade e vai conectar as cidades americanas de Los Angeles, Portland, San Francisco, Oregon e Seattle aos municípios japoneses de Chikura e Shima.

Mas o que a gigante das buscas não esperava é a presença de um inimigo no fundo do mar que vai obrigar a empresa a reforçar alguns dos cabos de dados localizados a metros de distância da superfície. São eles, os tubarões, que acabaram mordendo várias partes em toda a estrutura desses cabos, comprometendo seu funcionamento. As informações são do jornal britânico The Guardian.

Os cabos de fibra óptica são responsáveis por transportar o tráfego de internet em todo o mundo, principalmente pelo Oceano Pacífico, o caminho mais usado para a transferência de dados entre os continentes por debaixo d'água. Cada cabo é feito de inúmeras fibras ópticas individuais que, apesar de delicadas, podem transmitir dados de até 1 Gigabit por segundo, cerca de 100 vezes mais rápido do que os cabos de cobre. A maioria desses cabos possui um tipo de blindagem especial contra impactos e movimentos que podem quebrar as fibras de vidro.

Segundo Dan Belcher, gerente de produtos do Google, esses animais adoram devorar cabos submarinos, e a ação dos tubarões foi registrada em um vídeo de vigilância. Belcher explicou em um evento em Boston que o objetivo não é evitar que os tubarões deixem de morder os fios, mas sim reforçar os cabos para evitar danos maiores ao equipamento. Para isso, será empregado nos cabos o Kevlar, um material leve e muito resistente usado em aplicações que exigem um nível maior de proteção, semelhante ao material presente em coletes à prova de balas. Esse mesmo componente é usado, por exemplo, nos uniformes do exército norte-americano.

E por que os tubarões tentam morder os cabos? Um motivo exato ainda não foi encontrado pela ciência, mas especula-se que a transmissão de dados no fundo do oceano cria um campo eletromagnético de alta tensão que confunde os tubarões, fazendo-os acreditar que aquele campo onde os cabos estão localizados é, na verdade, um cardume de peixes.

Hoje existem quatro cabos submarinos operando no Brasil. São eles: o Globonet, com extensão de 22 mil quilômetros, que era da Oi e foi vendido em julho de 2013 para o BTG Pactual Infraestrutura II Fundo de Investimento e Participações; o Sam-1, com 25 mil quilômetros, da Telefônica; o SAC, com 22,2 mil quilômetros, da Global Crossing; e o Americas II, com 9 mil quilômetros, de um consórcio de empresas que inclui a Anatel. Há ainda um quinto cabo, o Atlantis II, que faz conexão do Brasil com os continentes europeu e africano.

Em outubro do ano passado, a empresa americana Seaborn Networks anunciou a construção de um novo cabo que vai ligar os municípios de Nova Iorque e São Paulo. Já em janeiro deste ano, a Telebras confirmou que uma nova estrutura irá ligar o país à Europa, o que deve tornar o acesso à internet por aqui mais rápido e barato. A África também se conectará com o Brasil por meio da operadora Angola Cables, que revelou em fevereiro a construção de um novo sistema de cabos que vai ligar Fortaleza, no Ceará, à Luanda, capital da Angola.

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