Foxconn enfrenta problemas com operários para seguir leis trabalhistas na China

Por Redação | 20 de Dezembro de 2012 às 19h00

A Foxconn enfrentou diversos problemas este ano devido às condições de trabalho de seus funcionários. Muitos casos de suicídio foram registrados entre trabalhadores da fábrica, além de escândalos relacionados à contratação de menores e jornadas de trabalho abusivas. A empresa tem seu nome vinculado diretamente a grandes companhias, como a Apple, da qual é a principal fabricante terceirizada.

Tantas denúncias geraram grande repercussão mundial, e a Foxconn foi pressionada a se comprometer com a melhoria na sua rotina operacional e adequação às leis trabalhistas da China. Apesar de vídeos recentes mostrarem que as coisas ainda não melhoraram completamente na fábrica chinesa, a Foxconn já começou a se adequar às leis.

Mas outro problema surgiu de onde menos se esperava: os funcionários. Muitos deles não gostam da ideia de diminuir sua carga horária de trabalho, já que a maioria está longe de casa e sai de suas cidades apenas para ganhar dinheiro na fábrica.

O The Wall Street Journal conversou com alguns desses trabalhadores e descobriu o que eles realmente pensam a respeito das mudanças que devem ser implementadas na Foxconn. Um deles, identificado apenas como "Sr. Ma", disse que acredita que os profissionais mais experientes da linha de produção de tecnologia vão pedir demissão caso a lei trabalhista seja aplicada.

"Não sabemos o quanto nosso salário irá aumentar. Mas, depois de estar aqui há três anos, não tenho muito incentivo para ficar, já que sei que não irão aumentar muito o que eu ganho", explicou Ma ao jornal norte-americano. Ele começou a trabalhar na fábrica há cerca de três anos e ganhava 3,4 mil yuans mensais, algo em torno de R$ 1.080, incluindo as horas extras. Atualmente, o salário de Ma, somado às horas adicionais, chega a 5 mil yuans, cerca de R$ 1.604.

Sem dúvidas a redução das horas vai afetar diretamente o salário dos operários, então, caso as mudanças não sejam acompanhadas de um reajuste salarial, a Foxconn terá mais problemas. "Eu não quero continuar fazendo isso para sempre", finalizou o Sr. Ma.

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