Afinal, onde está a maior parte da água no planeta Terra?

Por Danielle Cassita | 08 de Fevereiro de 2021 às 15h10
Reprodução/Pixabay

Em 1968, os astronautas da missão Apollo 8 orbitaram a Lua pela primeira vez, e foi quando Bill Anders, piloto do módulo lunar da missão, fez uma famosa foto da Terra aparecendo à frente da superfície do nosso satélite natural (chamada Earthrise, ou "nascer da Terra" na tradução literal). Essa foto icônica mostra nosso planeta e seus belos tons de azul, causados pela água dos oceanos refletindo a cor do céu. Mas, afinal, existe quanta água no planeta? E como ela se distribui?

Não é preciso observar a Terra de longe, como um astronauta, para ver que nosso planeta tem uma imensa quantidade de água: podemos dizer tranquilamente que a água cobre até 71% da superfície da Terra — sendo que os oceanos são responsáveis por conter cerca de 96% desse total, com o restante ficando para as reservas de água doce —, enquanto os 29% restantes na superfície ficam por conta dos continentes e ilhas.

A origem da água na superfície da Terra — e o fato de que existe mais água em nosso planeta do que em qualquer outro dos nossos vizinhos do Sistema Solar — está entre algumas das questões que mais inquietam os cientistas. Uma das principais teorias para explicar de onde e como a água veio para cá envolve cometas congelados e meteoroides ricos em água, que teriam atingido a superfície terrestre e, assim, trazido a água.

A foto da Terra feita durante a Apollo 8, conhecida como Earthrise (Imagem: Reprodução/NASA)

Quando pensamos na água presente no nosso planeta, é bastante comum considerarmos somente a parte que está em estado líquido; contudo, ela também está presente no estado gasoso, do vapor que ocorre na atmosfera, e no estado sólido, como nas geleiras e calotas polares. Essas variações existem porque a água nunca está completamente parada, já que faz parte de um ciclo cujas etapas estão acontecendo o tempo inteiro e, assim, garantem o fornecimento que os seres vivos precisam para realizar suas atividades biológicas.

Os oceanos e a água no planeta

Para nós, que depois de tantos anos de evolução nos habituamos a viver na superfície, não surpreende muito dizer que os oceanos são responsáveis pela maior reserva de água da Terra: cerca de 97% da água existente em nosso planeta está distribuída entre os oceanos, Atlântico, Índico, Pacífico e Ártico. Por isso, não é sem motivo que, às vezes, nos referimos à Terra como “um planeta azul”: os oceanos são os corpos massivos de água salgada que ocupam quase três quartos da superfície do planeta!

(Imagem: Reprodução/Jeremy Bishop/Pexels)

Eles têm papel importantíssimo porque, além de fornecerem a maior parte da água que evapora para seguir nas demais etapas do ciclo, também permitem que ela se mova pelo mundo através das correntes oceânicas. Além disso, eles são profundamente influenciados pelas interações com a gravidade do Sol e da Lua, que causam as marés, ou seja, a subida ou descida do nível da água.

É que, dependendo da fase da Lua, a maré pode subir ou descer por causa do resultado da força gravitacional do nosso satélite natural junto daquele do nosso astro, que afetam os oceanos justamente pela fluidez característica da água. Então, conforme a Terra segue em sua rotação, diferentes regiões do planeta vão passando pelo fenômeno das marés altas e baixa, que acontece de forma cíclica.

E o restante da água no planeta? 

Deixando de lado os 97% da água dos oceanos, ficamos com apenas 3% correspondentes ao total de água doce no mundo; desta quantidade, cerca de 69% está congelada em geleiras, calotas polares e nas neves permanentes no topo das montanhas. Essas geleiras ganham massa quando neva, mas, por outro lado, a perdem por meio do derretimento e da sublimação, que é quando a água vai diretamente do estado sólido para o gasoso. De acordo com o estudo State of the Climate, realizado em 2018, 42 das geleiras de referência monitoradas em 2017 perderam uma quantidade de gelo equivalente a quase 1 m de água somente naquele ano.

Comparação da geleira de Perdesen, no Alasca: a foto da esquerda a mostra como era em 1917, e a da direta, em 2005 (Imagem: Reprodução/ Louis H. Pedersen/Bruce F. Molina)

Agora, com os efeitos causados pelo aquecimento global, as geleiras dos polos Norte e Sul vêm passando por um derretimento acelerado e bastante preocupante. Apesar de terem levado milênios para se formar, a água que estava congelada nelas volta para o estado líquido, corre para os oceanos e, assim, faz com que o nível do mar aumente: de acordo com os resultados de um estudo feito por mais de 60 cientistas de diversos países, o nível do mar corre o risco de subir 38 cm até 2100.

Já os 30% restantes da água doce ficam distribuídos de várias formas, sendo que a maior parte é subterrânea; se fosse possível reunir toda essa água que existe no interior do solo em uma só massa, ela provavelmente teria volume de 1.386 milhões de quilômetros cúbicos. Por fim, o restante da água doce fica dividido nas formas em que ela se acumula na superfície, ou seja, nos lagos, rios e pântanos. Nesse caso, a massa imaginária total não teria mais de 10 milhões de quilômetros cúbicos.

A esfera maior representa o total de água na Terra; a de tamanho médio é o total de água doce líquida, e a menor, o total presente nos rios e lagos (Imagem: Reprodução/Howard Perlman, USGS/Jack Cook, WHOI)

Finalmente, vale lembrar o papel dos aquíferos: eles guardam uma quantidade considerável do total da água doce em estado líquido e, além disso, abastecem rios, lagos e são uma espécie de "reserva de emergência" que entra em ação quando passamos por períodos de pouca ou nenhuma chuva. O problema é que grande parte deles vem sendo afetada pela poluição, um processo nocivo e silencioso — isso sem mencionar a extração da água dos aquíferos, que é igualmente preocupante porque essa água não é facilmente reposta.

Fonte: Climate, USGS (1, 2), NASA, Universe Today, Unicamp, USP

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