Derretimento de gelo deve elevar o nível do mar em mais de 38 cm até 2100

Por Natalie Rosa | 21 de Setembro de 2020 às 16h16
Reprodução: Jeremy Harbeck/NASA

Um esforço coletivo internacional, formado por mais de 60 cientistas especializados em estudos do oceano e da atmosfera em diversas localidades, vem buscando informações sobre o impacto provocado pelo derretimento das camadas de gelo na Terra. De acordo com a NASA, que participa do estudo, esse fenômeno causado pela alta emissão de gases de efeito estufa, o aquecimento global pode fazer com que o nível do mar aumente em mais de 38 centímetros até 2100.

Segundo informações do Relatório Especial Sobre Oceanos e Criosfera, com dados do ano passado, conduzido pelo Intergovernmental Panel on Climate Change’s (IPCC), o derretimento do gelo já é responsável por cerca de um terço do aumento global do nível do mar. Ainda de acordo com o documento, a Groenlândia deve contribuir, até 2100, com entre 8 e 27 centímetros desse aumento, enquanto a Antártida deve ser responsável por um aumento entre 3 e 27 centímetros.

Os resultados do estudo foram publicados em uma edição especial da revista The Cryosphere, que conta com dados do modelo de comparação Ice Sheet Model Intercomparison Project (ISMIP6), sob liderança do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA. A pesquisa é apenas um dos esforços de entender o derretimento do gelo e seus impactos no nível do mar.

Gelo na Península da Antártida (Reprodução: Derek Oyen/Unsplash)

Sophie Nowicki, líder do projeto e cientista especializada em gelo que já trabalhou em Goddard, conta que o objetivo da pesquisa é uma das situações mais incertas de nossa planeta. "O quanto as camadas de gelo contribuem (para o aumento do nível do mar) realmente depende do que o clima irá fazer", diz. Para Heiko Goelzer, cientista da Universidade Utrecht, na Holanda, que agora atua no Centro de Pesquisa Norueguês (NORCE), o modelo ISMIP6 conseguiu reunir todos os grupos de modelo de camadas de gelo do mundo, fazendo a conexão com outras comunidades de modelos oceânicos e atmosféricos, buscando entender melhor o que pode acontecer com todo esse gelo.

O ISMIP6 foi usado pelos cientistas para investigar dois cenários diferentes sobre o futuro do clima até 2100, sendo uma hipótese envolvendo o rápido aumento das emissões de carbono e outro com a emissão mais baixa. No cenário das altas emissões, a camada de gelo da Groenlândia aumentaria em 9 centímetros até 2100, e no cenário de emissões baixas o derretimento provocaria o aumento do nível do mar de cerca de 3 centímetros.

O manto de gelo da Antártida também foi analisado pelo modelo, sendo este mais difícil de prever. No oeste as correntes oceânicas aquecidas podem erodir de grandes plataformas flutuantes de gelo, causando assim as perdas, e na Antártida Oriental o manto de gelo ganha massa que, devido ao aumento das temperaturas, resulta em mais neve.

Os estudos com o modelo ISMIP6 continuará sendo realizado para que os cientistas possam, a cada vez mais, entender como as mudanças climáticas estão impacto o nível da água do mar de forma global. O próximo relatório deve ser divulgado em 2022.

Fonte: NASA

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