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O que é tsunami meteorológico?

Por| Editado por Luciana Zaramela | 14 de Novembro de 2023 às 14h16

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monkeypantz/PxHere/Domínio Público
monkeypantz/PxHere/Domínio Público

Um tsunami meteorológico consiste em um fenômeno climático que traz tempestades, ventos e ondas violentas, embora menos destrutivas do que as de um tsunami geológico, que se diferencia nas suas causas. Nesse último caso, a intempérie é resultado de atividade sísmica, isto é, com participação de movimentação de placas tectônicas (terremotos e maremotos), atividade vulcânica ou impacto de meteoritos no solo.

Também chamado de meteotsunami, o evento é resultado de uma junção de ventos, ondas grandes e alta pressão atmosférica, o que torna difícil prever sua ocorrência. Para saber mais sobre sua natureza e o que pode contribuir para sua formação, o Canaltech conversou com o Meteorologista e Head de Comunicação do Climatempo, Willians Bini.

Segundo o especialista, os tsunamis meteorológicos são raros no Brasil, e só foram registrados em dois estados até hoje: Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Eles também já foram vistos em outros lugares do mundo, como Canadá, México, Estados Unidos e na costa da Europa, mas há poucas estatísticas referenciando o incidente, já que depende de muitas condições climáticas e, principalmente, é bem mais leve do que os tsunamis geológicos — portanto, sua identificação é menos prioritária.

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Explicando o tsunami meteorológico

O fenômeno dos tsunamis meteorológicos ainda é bastante desconhecido à ciência, que, acima de tudo, tem poucas oportunidades de estudar o fenômeno devido à raridade. Segundo Bini, eles estão relacionados a perturbações na pressão atmosférica, principalmente o que se chama de gradiente de pressão, quando há uma diferença muito grande e rápida com a chegada de frentes frias, por exemplo. Por isso, o evento costuma estar próximo a tempestades severas e rajadas fortes de chuva e vento.

Segundo a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA), tempestades assim geram uma onda, que se dirige à região costeira e acaba sendo amplificada quando há uma plataforma continental rasa e uma entrada, baía ou outra paisagem costeira favorável. Nesses casos, meteotsunamis podem gerar ondas de até dois metros de altura ou mais. 

Bini aponta uma diferença importante entre os tsunamis meteorológicos e as famosas ressacas: estas últimas costumam durar horas, causando um mar revolto, de aparência perigosa. Já os meteotsunamis duram mais tempo e podem começar despercebidos, já que as condições atmosféricas para sua formação podem trazer um aumento súbito da maré, sem o recuo característico aos tsunamis geológicos.

O meterologista comenta que, como o sul do Brasil é porta de entrada das frentes frias no país, que chegam, no máximo, à costa sudoeste, a incidência de tsunamis meteorológicos se concentra nessa região, explicando sua exclusividade com o evento climático.

O meteotsunami mais documentado no Brasil foi o registro da praia do Pântano Sul, no sul de Florianópolis, em novembro de 2009, quando barcos e carros foram arrastados e prejuízos ocorreram nas casas e comércios da região. Outro incidente, datado de 11 de novembro de 2023, arrastou carros e assustou os banhistas da praia do Cardoso, região do Farol de Santa Marta, e ninguém ficou ferido. Veja:

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Já em 2016, na praia da Barra do Torneiro, em Balneário Rincão, SC, outro tsunami meteorológico causou estragos, submergindo dois carros e arrastando pessoas para o mar. Esforços conseguiram retirar as pessoas para a costa antes que ferimentos ou mortes ocorressem, e os automóveis foram retirados da água com o auxílio de cordas. Em outra praia, no Morro dos Conventos, uma onda também arrastou carros e alagou um restaurante.

O que causa um tsunami meteorológico?

As causas por trás de um evento da magnitude de um tsunami meteorológico dependem de vários fatores climáticos, como formação de nuvens muito carregadas e ventos fortes que se avançam sobre o mar. Em regiões litorâneas, a diferença de temperatura e pressão atmosférica deixa as águas ainda mais agitadas. Segundo Bini, as movimentações climáticas atuais, incluindo o El Niño, a ocorrência de chuvas anormais e inclusive os ciclones recentes influenciaram na formação do fenômeno.

O meteorologista afirma que essa conjunção de fatores para a formação de meteotsunamis, envolvendo a complexa interação entre o oceano e a atmosfera e a integração desses ambientes, é o que torna difícil sua detecção — ele ainda reforça que os aparelhos meteorológicos brasileiros são de ponta, e não é qualquer limitação deles que nos deixa à mercê de tais eventos. Tsunamis meteorológicos são difíceis de se notar em qualquer lugar do mundo.

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Segundo o National Ocean Services dos EUA, a identificação de um tsunami meteorológico é bastante parecida com a de um geológico, ou sísmico. Tais eventos ainda podem ser confundidos com tempestades de vento ou seichas — descolamento de material acumulado no fundo do mar, formando uma grande onda estacionária de alta energia que quebra sobre a orla, causando estragos.

Outro desafio para os meteorologistas é acertar a previsão dos tsunamis meteorológicos. Como o fenômeno depende de linhas de instabilidade para acontecer, torna-se difícil antever sua formação. Geralmente, quando as temperaturas atmosféricas estão muito altas (próximas aos 40 ºC), formam-se as chamadas áreas de instabilidade: nelas, a atividade dos ventos se intensifica, agitando o mar e culminando no tsunami meteorológico, cujas ondas são progressivas, podendo durar de dois minutos a duas horas.

Fonte: MetSul Meteorologia, NOAA, National Ocean Services