Como se formam os ventos?

Como se formam os ventos?

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 13 de Janeiro de 2022 às 09h30
Pixabay/distelAPPArath

Você já parou para pensar em como se formam os ventos? Ventos são fundamentais para a dinâmica climática da Terra e a formação deles envolve, basicamente, diferentes áreas de pressão criadas pelo aquecimento do Sol. Os gases que compõem a atmosfera sempre se deslocam da alta pressão para a baixa e, assim, dão origem ao ar em movimento — que é o vento.

Para entender como se forma o vento, é necessário analisar a dinâmica atmosférica em escala global. Graças ao formato esférico da Terra, a camada de gases é aquecida de maneira desigual entre a faixa equatorial e os polos — e é justamente essa diferença de temperatura a responsável pelos fenômenos meteorológicos.

Como se formam os ventos

O vento pode ser entendido como qualquer movimento de gases que se deslocam de uma área de alta pressão para uma área de baixa pressão. Portanto, ele não é um fenômeno exclusivo da Terra, mas aqui ele apresenta padrões que ditam o clima global.

Como se formam os ventos: quando o ar quente sobe, o ar frio preenche a área de baixa pressão deixada, movimentando o ar (Imagem: Reprodução/Byron Inouye/UH Manoa)

No mundo natural, qualquer elemento que receba calor tende a se movimentar mais rapidamente, o que produz uma expansão dele. Na atmosfera, quando os gases são aquecidos pelo Sol, seus átomos e moléculas são acelerados e uma consequência disso é eles se espalharem e subir. Quando resfriam, tornam-se densos e descem.

Para efeitos de comparação, imagine quando a água é colocada para aquecer no fogo. O líquido de baixo, que aquece primeiro, tende a subir e, o mais frio, de cima, a descer. Na atmosfera, ocorre a mesma dinâmica, exceto pelo fato de que a água é um fluido muito mais denso do que o ar.

Ainda assim, as diferentes temperaturas do ar são determinadas pelo formato esférico e pela inclinação do planeta. O equador, por exemplo, recebe bem mais energia solar do que os polos, que estão, tecnicamente, mais distantes do Sol. Diferentes temperaturas criam diferentes pressões atmosféricas, as quais ditam o deslocamento do ar.

De modo geral, os polos recebem menos energia solar do que o equador (Imagem: Reprodução/Byron Inouye/UH Manoa)

Temperatura e pressão

A gravidade é responsável por segurar a atmosfera na Terra — assim como toda a matéria presente nela — e, assim, ela gira com o planeta. Sem o aquecimento do Sol, não existiria a circulação de ar, pois é por meio dessa dinâmica que as diferentes áreas de pressão são criadas.

Os raios solares incidem mais diretamente na faixa equatorial, onde ocorre uma maior concentração de calor. Ao contrário dos polos, que recebem menos energia do Sol e são mais frios. Enquanto o ar frio é mais denso e tende a descer, o ar quente, menos denso, ascende.

Uma vez que o ar quente da faixa equatorial sobe na atmosfera, ele deixa para trás um “vazio” que, na verdade, é a zona de baixa pressão. Essa região é, então, ocupada pelo ar mais frio vindo de áreas de alta pressão dos polos. No entanto, por conta do movimento de rotação da Terra, os ventos equatoriais não fluem diretamente para os polos.

A velocidade de rotação da Terra na faixa do equador é maior que a dos polos e essa diferença desvia a direção dos ventos vindos do sul e do norte (Imagem: Reprodução/Byron Inouye/UH Manoa)

A diferença na velocidade de rotação entre as massas de ar do equador e dos polos produzem um desvio na direção dos ventos da faixa equatorial. É o chamado efeito Coriolis, que muda a circulação do vento para a direita no hemisfério Norte e para a esquerda, no hemisfério Sul.

Tipos de ventos

Em todo o planeta, existem três tipos de ventos predominantes, definidos a partir da direção de seus deslocamentos. São eles:

  • Ventos alísios: eles sopram, predominantemente, do nordeste do hemisfério norte e do sudeste do hemisfério sul, ambos em direção ao equador. A região onde eles se encontram é denominada zona de convergência intertropical. Eles são responsáveis por conduzir o movimento dos furacões que se formam nessa faixa;
  • Ventos do oeste: estes já ocorrem em latitude médias, ou seja, mais abaixo ou mais acima do equador. Basicamente, eles se deslocam das áreas de alta pressão das zonas subtropicais em direção aos polos;
  • Ventos polares: por se concentrarem nos polos, estas são as correntes de ar mais secas e frias e elas se deslocam dos polos norte e sul em direção às áreas de baixa pressão deixadas pelo deslocamento dos ventos do oeste.
Tanto o hemisfério sul quanto o norte possuem esses ventos predominantes que variam de acordo com a latitude (Imagem: Reprodução/Domínio Público)

Além dos ventos com características globais, existem dois tipos classificados de acordo com as diferenças de temperatura entre os oceanos e os continentes, além de atuarem em menor escala:

  • Monção: as monções são caracterizadas pelo movimento do ar entre os oceanos e os continentes — e o contrário, dependendo da estação do ano. No verão, a monção sopra da terra para o mar e, no inverno, segue o movimento oposto;
  • Brisa costeira: como a água tem maior capacidade térmica do que a terra, o ar acima das regiões costeiras aquece primeiro e, assim, sobem na atmosfera. Enquanto isso, o ar acima do oceano, mais frio, desloca-se em direção ao continente para preencher o espaço antes ocupado pelo ar quente. Diferentemente da monção, essa dinâmica acontece ao longo do dia, seja qual for a estação.

Além disso, também existem os ventos locais, os quais dependem da geografia da superfície — ou seja, eles são determinados principalmente pelos relevos presentes na paisagem bem como a cobertura vegetal dela. Eles podem exercem mais influência em determinada região do que os ventos globais.

Fonte: NOAA, UH Manoa

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