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Como o El Niño atinge o Brasil, região por região

Por| Editado por Luciana Zaramela | 25 de Julho de 2023 às 19h11

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Lauren Dauphin/NASA/JPL-Caltech/ESA
Lauren Dauphin/NASA/JPL-Caltech/ESA

Concentrado no oceano Pacífico Equatorial, o fenômeno natural El Niño consegue impactar as condições atmosféricas ao redor de todo o globo, incluindo o Brasil. Além de aumentar as temperaturas médias, também pode provocar secas intensas ou mesmo fortes chuvas e tempestades, dependendo da região.

As autoridades meteorológicas já confirmaram a ocorrência do El Niño neste ano — o acontecimento ocorre em intervalos irregulares de tempo. Inclusive, o fenômeno que causa o aquecimento superficial das águas do Oceano Pacífico e se desdobra pelo globo está oficialmente ativo desde o início de junho, conforme revelaram análises feitas pela NASA.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os primeiros sinais do El Niño foram observados em fevereiro, “quando surgiram anomalias [diferença entre o valor registrado e a média histórica] positivas de temperatura das águas na região do Pacífico Equatorial próximas à costa oeste da América do Sul”. Em junho, as anomalias de temperatura variaram entre 0,5 °C e 3 °C.

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Até então, o último registro do El Niño ocorreu entre 2018 e 2019, sendo considerado fraco pelos especialistas. O anterior, registrado entre 2014 e 2016, teve alta intensidade e foi associado com eventos meteorológicos extremos. A tendência é de que o fenômeno, nesta temporada, também seja intenso.

Como o El Niño afeta o Brasil

No Brasil, o El Niño tem um impacto diverso, podendo ser associado com alteração nos padrões de circulação atmosférica (ventos), no transporte de umidade, na temperatura e nas chuvas. A questão é que os efeitos dependem muito da região brasileira em que se analisa, como veremos a seguir:

Região Norte

Para o Inmet, o fenômeno El Niño pode provocar secas moderadas e intensas no norte e no leste da Amazônia. Por causa da baixa umidade do ar, o risco de incêndios florestais é aumentado em toda a região Norte. É necessário monitorar mais intensamente áreas florestais degradadas, onde a probabilidade de incêndio é ainda maior.

Região Nordeste

De forma semelhante ao que ocorre na Amazônia, o El Niño causa secas no norte do Nordeste, com diferentes intensidades. O sul e o oeste da região não são significativamente afetados pelo fenômeno que aquece as águas do oceano.

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Região Sudeste

No Sudeste, o Inmet considera que o El Niño não altera a frequência das chuvas, exceto no extremo sul do estado de São Paulo. Apesar disso, tende a ocorrer o aumento das temperaturas médias, em níveis moderados, tanto no inverno quanto no verão. O ar fica mais seco e o risco de queimadas é maior durante o inverno e a primavera.

Região Centro-Oeste

Novamente, não existem evidências associando mudanças nas dinâmicas das chuvas na maior parte do Centro-Oeste com o El Niño, mas há uma exceção: o sul de Mato Grosso do Sul, com nível elevado de precipitações e temperaturas mais altas que a média. A probabilidade de queimadas cresce no inverno e no início da primavera por conta da baixa umidade.

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Região Sul

Na região Sul, são esperadas precipitações abundantes e demoradas, principalmente na primavera e no verão. Alagamentos e enchentes podem ocorrer, disseminando doenças infecciosas. Além disso, há um aumento da temperatura média, o que reduz a intensidade das frentes frias durante a ocorrência do fenômeno meteorológico.

Aqui, é preciso destacar que, embora as observações do Inmet sejam validadas pelos registros históricos, elas não são uma lei e, muito menos, algo imutável. “Impactos distintos de acordo com a configuração e intensidade do fenômeno” podem ser registrados, ainda mais quando o El Niño é associado com os efeitos das mudanças climáticas.

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Fonte: Inmet