La Niña aumenta o nível do mar em até 20 cm e oferece um vislumbre de 2050

La Niña aumenta o nível do mar em até 20 cm e oferece um vislumbre de 2050

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 16 de Dezembro de 2021 às 15h46
Hawaii Sea Grant King Tides Project

O fenômeno climático La Niña deste ano tem elevado o nível do mar entre 15 a 20 centímetros em alguns locais do Pacífico Ocidental. Combinado a outro fenômeno da região que eleva as marés (conhecido como “marés vivas”), cientistas climáticos dizem que este é um vislumbre do “novo normal” esperado pelas próximas décadas.

Na semana passada, ilhas do Pacífico Ocidental foram assoladas por inundações generalizadas, com severos danos a edifícios e plantações dos Estados Federados da Micronésia, Ilhas Marshall, Papua Nova Guiné e Ilhas Salomão. Este é o resultado do La Niña combinado com as marés vivas e as mudanças climáticas.

O La Niña é caracterizado por trazer umidade para esta região, chegando até o leste australiano. Uma das consequências do fenômeno é o aumento do nível do mar naquela parte do Pacífico. O aumento de 15 a 20 centímetros é o mesmo apontado por projeções climáticas de 2050.

O professor associado do Centre of Excellence for Climate Extremes (CLEX), Shayne McGregor, explica como podemos esperar por mais enchentes severas durante os verões, baseado no que tem acontecido com as ilhas baixas do Pacífico — consideradas linhas de frente das mudanças climáticas.

Marés vivas

O aumento do nível médio global do mar forçará a migração de milhões de pessoas nas próximas décadas. Por isso é necessário compreender como as regiões mais vulneráveis serão afetadas. As enchentes nas ilhas do Pacífico serão comuns em regiões costeiras por volta de 2050.

Projeções climáticas revelam o aumento do nível médio do mar conforme a temperatura global sobre (Imagem: Reprodução/Climate Central)

Segundo McGregor, as marés vivas deste ano não são tão mais altas do que as registradas em anos anteriores. Enquanto em Papua Nova Guiné e Micronésia foi registrado um aumento de 1 a 3 cm no ano passado, em Kiribati e Ilhas Marshal isso foi cerca de 3 a 6 cm a menos.

Mas apenas as marés vivas não poderiam explicar a catástrofe, que seria o resultado das mudanças climáticas com o La Niña. “São os principais responsáveis ​​pelo aumento das inundações deste ano”, acrescentou o professor. O relatório climático da ONU mais recente apontou um aumento do mar de 20 cm entre 1901 e 2018.

Isto já seria o suficiente para as inundações em regiões mais baixas, mas, em escala global, o nível do mar sobre apenas 3 milímetros ao ano. Ou seja, embora no longo prazo isto resulte e grandes diferenças, anualmente ainda é um nível muito baixo. “Há diferenças relativamente pequenas entre este ano e os anos anteriores”, apontou McGregor.

O fenômeno La Niña

O fenômeno deste ano tem levado mais calor e umidade ao oeste do Pacífico. Quando aquecida, a água se expande e, por isso, os mares equatorial ocidental e indonésio são comumente acompanhados por níveis do mar mais elevados durante o La Niña.

O La Niña provoca uma anomalia na água superficial dos oceanos, que fica mais fria no Pacífico Ocidental (Imagem: Reprodução/NOAA))

Ainda são esperadas mais inundações costeiras nas ilhas do Pacífico Ocidental durante os meses de verão. “O aumento do nível do mar induzido pelo La Niña é normalmente mantido ao longo deste período”, explicou o professor.

Essas regiões também sofrerão com enchentes a curto prazo, aumentando a gravidade da situação em ilhas como Salomão, Tuvalu e Samoa, embora diminua nas ilhas Marshall e da Micronésia. De todo modo, as projeções climáticas revelam que o aumento do nível do mar até 2050 é inevitável.

Ainda assim, McGregor ressaltou que isso ainda dependerá do quanto reduziremos as emissões de gases de efeito estufa. “Todas as nações (incluindo a Austrália) devem cortar as emissões de maneira drástica e urgente”, ponderou.

Fonte: Via The Conversation

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