Zerar as emissões de gases de efeito estufa até 2050 não é mais o suficiente

Zerar as emissões de gases de efeito estufa até 2050 não é mais o suficiente

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 25 de Agosto de 2021 às 20h00
Gerd Altmann/Pixabay

Em seu terceiro relatório climático, divulgado nesta quarta-feira (25), o Conselho Consultivo de Crise Climática (CCAG, na sigla em inglês) alerta que reduzir a zero as emissões de gases de efeitos estufa até 2050 não é mais o suficiente para inverter as mudanças climáticas. Dessa maneira, o planeta não atingirá a meta estabelecida pelo Acordo de Paris em limitar o aquecimento global em até 1,5 °C até o fim deste século — e este limite poderá ser ultrapassado já em 2030.

O CCAG reúne 15 especialistas do clima de 10 países diferentes. Para o novo relatório, eles se basearam no 6º Relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), publicado no início deste mês, onde cientistas alertam que as atuais metas de emissões globais são insuficientes e que as estratégias devem seguir um padrão negativo, ou seja, que, de fato, reduza a concentração de gases de efeito estuda na atmosfera.

(Imagem: Reprodução/NASA/NOAA)

Segundo o relatório do CCAG, mesmo que o mundo zere as emissões desses gases até meados do século, isto não produzirá o impacto necessário. As previsões indicam que, até 2050, as concentrações de gás carbônico podem chegar até 540 partes por milhão, o que significa não haver nenhum — ou muito pouco — espaço para manobras, com apenas 50% de chance de manter o limite de aquecimento em até 1,5 °C.

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Entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro, acontecerá a próxima Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP26, na sigla em inglês) da ONU e, por isso, o CCAG pede aos líderes mundiais que mudem a ênfase de suas metas de redução de gases de efeito estufa para as metas negativas e não apenas reduzidas. Além disso, os pesquisadores do relatório ressaltam que esta é a única maneira viável de reduzir os atuais níveis de gás carbônico para os níveis pré-industriais.

David King, ex-conselheiro de ciências do Reino Unido à frente do CCAG, diz que “alcançar emissões zero até 2050 não é mais suficiente para garantir um futuro seguro para a humanidade; devemos revisar as metas globais e nos comprometermos com estratégias negativas de emissão de gases de efeito estufa urgentemente”. Para Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília e membro do conselho, a ampliação das metas ressalta a importância do setor de mudanças de uso e cobertura da terra.

Segundo Bustamante, o Brasil tem um papel relevante neste cenário, desde que a governança ambiental seja reconstruída com responsabilidade. “A conservação e restauração dos ecossistemas naturais, em particular na região tropical, e o manejo adequado dos sistemas agropecuários oferecem oportunidades significativas para contribuir com o esforço global de limitar os impactos das mudanças do clima”, acrescenta.

Fonte: Agência Bori

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