Dia Mundial da Água: menos de 10% dos rios da Mata Atlântica têm boa qualidade
Por Wyllian Torres • Editado por Patricia Gnipper |

Neste Dia Mundial da Água, as notícias não são boas se pensar nos rios brasileiros. Apenas 7% dos rios da Mata Atlântica possuem uma água de boa qualidade, segundo pesquisa realizada pelo programa Observando Rios da Fundação SOS Mata Atlântica. Os motivos dessa baixa qualidade vão desde a poluição e condições precárias de saneamento até a degradação do bioma.
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A nova edição da pesquisa revela que mais de 20% dois rios analisados possuem uma água considerada como ruim ou péssima, ou seja, sem condições de uso para diversas finalidades, como agricultura e abastecimento da população. Entre todos os corpos hídricos analisados, nenhum foi considerado como ótimo.
O levantamento também aponta que cerca de 73% das amostras coletadas são classificadas como regulares e apenas 7% como de boa qualidade. A pesquisa foi realizada entre janeiro e dezembro do ano passando com a participação de 106 grupos voluntários do programa.
Nesse período, as equipes realizaram 615 análises em 146 pontos de coleta distribuídos em 90 rios e outros corpos d’água em 65 municípios. Ao todo, o bioma Mata Atlântica está presente em 16 estados, são eles:
- Alagoas;
- Bahia;
- Ceará;
- Espírito Santo;
- Mato Grosso do Sul;
- Minas Gerais;
- Paraíba;
- Paraná;
- Pernambuco;
- Piauí;
- Rio de Janeiro;
- Rio Grande do Norte;
- Rio Grande do Sul;
- Santa Catarina;
- São Paulo;
- Sergipe.
Esse levantamento é feito anualmente e, em relação ao ano anterior, houve pouca mudança nos resultados da qualidade da água, com alguns casos bem isolados. Dos 146 pontos de coleta, a qualidade da água se manteve em 88, enquanto piorou em 45 e melhorou em apenas 13.
A água do lago do Ibirapuera, em São Paulo, passou de regular para boa e alguns relatos acusaram o reaparecimento de peixeis em sua foz. Outra mudança positiva foi no córrego Paquera, em Ilhabela, litoral paulista, indicando que obras de saneamento básico exercem um reflexo positivo em corpos hídricos.
Água inadequada
O coordenador do programa, Gustavo Veronesi, diz que o perfil da qualidade da água nas bacias da Mata Atlântica é um alerta para a situação ambiental da maior parte dos rios localizados no bioma. A baixa qualidade da água é o resultado da poluição pela falta de saneamento, além da destruição dos solos e matas.
Segundo Veronesi, a qualidade regular em mais de 70% dos pontos de análise, além de exigir uma atenção especial dos gestores públicos e sociedade, indica a condição frágil dos recursos hídricos, sobretudo diante da emergência climática e da pandemia.
Veronesi também destaca que os mais pobres são os mais afetados pela deficiência de uma estrutura fundamental, “que são água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos e manejo de águas de chuva, os pilares do saneamento básico”, acrescenta.
No Brasil, o acesso à água é um direito fundamental garantido pelo Projeto de Emenda à Constituição Nº 06/21, aprovado pelo Senado Federal em março do ano passado, além de ser um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030 determinado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
A diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, diz que o projeto, embora aprovado, se mantém na Câmara dos Deputados em tramitação, sem se votado. “Enquanto outros, que desmontam os sistemas de meio ambiente e recursos hídricos do país, são aprovados com facilidade”, ressalta.
Em junho do ano passado, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) declarou a maior seca dos últimos 91 anos na região Sudeste, o que afetou os rios da Mata Atlântica. O novo levantamento chega para orientar a gestão integrada da água e dos ecossistemas para garantir uma água limpa a todos.
Para acessar a nova edição da pesquisa, acesse “O Retrato da Qualidade da Água nas Bacias Hidrográficas da Mata Atlântica”.
Fonte: SOS Mata Atlântica