Ação humana já degradou 42% da biodiversidade da Mata Atlântica, diz estudo

Ação humana já degradou 42% da biodiversidade da Mata Atlântica, diz estudo

Por Natalie Rosa | 11 de Dezembro de 2020 às 11h30
Jose Eduardo Camargo/Pixabay

Não é de hoje a discussão que acontece em relação aos danos provocados pelos humanos na biodiversidade. Agora, graças a um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com cientistas da França e da Holanda, temos dados relevantes sobre a dimensão desses impactos. O estudo, com uma abordagem considerada rara, foi publicado nesta sexta-feira (11) na revista científica Nature Communications.

De acordo com a pesquisa, o impacto humano sobre a Mata Atlântica já representa uma perda de 23% a 42% não só da biodiversidade, como dos estoques de carbono florestal. Os resultados do estudo foram obtidos através da análise de um grande conjunto de dados de inventários florestais do local, então quantificando as perdas em biomassa florestal, riqueza de espécies de árvores e determinando as características funcionais, além do valor de conservação das espécies.

(Imagem: Reprodução/139904/Pixabay)

Foram analisados dados obtidos em 1.819 pesquisas de campo, entre amostras de biomassa de mais de um milhão de árvores, que na Mata Atlântica representam cerca de três mil espécies. Renato Lima, líder da pesquisa, conta que já era de conhecimento de todos que mais de 80% das florestas da região foram perdidas, mas que poucos sabem que houve a erosão da biodiversidade e dos estoques de carbono remanescentes. "Os remanescentes florestais perderam de um quarto a um terço de seus estoques de carbono e de suas espécies de árvores, principalmente entre as espécies endêmicas da Mata Atlântica", completa.

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Um dos co-autores do estudo, Paulo Inácio Prado, professor da USP, também revela que a perda dos estoques de carbono são equivalentes ao desmatamento de cerca de 70 mil quilômetros quadrados de florestas — o que representaria a medida de quase 10 milhões de campos de futebol — ou US$ 2,6 bilhões em créditos de carbono. Esses valores, segundo o pesquisador, sem considerar serviços importantes para o ecossistema, como a regulação do clima e o ciclo da água.

André de Gaster, também co-autor do estudo, revela ainda que é possível reverter as perdas fazendo a restauração florestal ao redor das áreas degradadas, recuperando a biodiversidade e os estoques perdidos de carbono. Estes tipos de estudo, de acordo com Jérôme Chave, são considerados raros, uma vez que é complicado mensurar a degradação da biodiversidade apenas com o uso de sensores remotos, como imagens de satélites. Então, para conseguir dados mais precisos e satisfatórios, é ideal que os pesquisadores saiam em campo. 

 

Fonte: Agência Bori

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