Cientistas descobrem evidências de incêndios na Antártida há 75 milhões de anos

Cientistas descobrem evidências de incêndios na Antártida há 75 milhões de anos

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 27 de Outubro de 2021 às 11h15
Maurilio Oliveira/Museu Nacional/UFRJ

Ao contrário do que hoje possa parecer, a Antártida, o maior deserto frio do mundo, já foi uma paisagem quente e repleta de vegetação há cerca de 75 milhões de anos, quando os dinossauros ainda dominavam a Terra. Um novo estudo, conduzido pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), descobriu evidências de que incêndios naturais destruíram parte dessas florestas, onde hoje é a ilha James Ross.

No período Cretáceo, cerca de 100 milhões a 66 milhões de anos atrás — um dos períodos mais quentes da história da Terra —, a região onde hoje é a ilha James Ross abrigava uma variedade de plantas, incluindo florestas de coníferas (como os pinheiros), samambaias e plantas angiospermas (com flores e frutos). O novo estudo recolheu e analisou vestígios de carvão deixados pelos antigos incêndios na região, conhecidos como paleo-incêndio.

Representação do supercontinente Gondwana (Imagem: Reprodução/Domínio Público)

Segundo a principal pesquisadora, a paleobiólogo Flaviana Jorge de Lima, da UFPE, a descoberta amplia o conhecia sobre a ocorrência de incêndios na vegetação durante o Cretáceo, indicando que estes fenômenos eram mais comuns do que se pensava, até então. Além disso, esta é a primeira evidência de um paleo-incêndio registrada na ilha James Ross.

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A novidade corrobora com uma pesquisa publicada em 2015, liderada pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, onde pesquisadores apresentaram evidências de que incêndios espontâneos eram comuns na Antártida, entre 84 a 72 milhões de anos atrás. Para o novo estudo, Lima e sua equipe analisaram fósseis coletados entre 2015 e 2016, na parte nordeste da ilha. As amostras apresentavam fragmentos de plantas com restos de carvão.

(Imagem: Reprodução/Lima et al./Polar Research)

Os vestígios de carvão eram bem pequenos, tendo 19 por 38 milímetros os maiores — tão finos quanto uma folha de papel. A partir do microscópio eletrônico de varredura, os pesquisadores conseguiram identificar a natureza do material. Os fragmentos provavelmente são gimnospermas (sementes) queimados de uma família botânica de árvores coníferas conhecida como Araucariaceae — a mesma da Araucária que ocorre no Sudeste e no Sul do Brasil.

Durante o Cretáceo, o então supercontinente Gondwana estava em processo de fragmentação, tornando lugares como Antártida isolados de outras porções de terra. Àquela época, sem gelo, a região possuía muitas fontes naturais para os incêndios, como relâmpagos, impactos de meteoros e atividade vulcânica. Esses fatores, somados à vegetação e os altos níveis de oxigênio, ofereciam as melhores condições para os paleo-incêndios, de acordo com os pesquisadores.

Carvão de gimnosperma analisados em microscópio eletrônico de varredura (Imagem: Reprodução/Lima et al./Polar Research)

Segundo a equipe, a Antártida teve uma grande atividade vulcânica impulsionada pela atividade tectônica do Cretáceo, como indicam restos fósseis em estratos com cinzas. “É plausível que a atividade vulcânica tenha gerado o paleo-incêndio que criou o carvão relatado aqui", acrescentaram os pesquisadores. O próximo passo da pesquisa é buscar por novos registros em outros locais do continente gelado.

A pesquisa foi publicada em 20 de outubro, na revista Polar Research.

Fonte: ScienceAlert

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