Aumento da emissão de gases de efeito estufa em 2020 é o maior da última década

Aumento da emissão de gases de efeito estufa em 2020 é o maior da última década

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 25 de Outubro de 2021 às 11h54
Unplash/Patrick Hendry

Por conta das restrições estabelecidas em 2020 devido à pandemia, houve uma queda geral de 5,6% nas emissões de CO2. Mesmo assim, no ano passado, as quantidades de gás carbônico, metano e dióxido nitroso liberadas atingiram a maior marca anual registrada nos últimos 10 anos, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM). A OMM também informou que a temperatura média global superará os 1,5 °C de aquecimento estabelecidos pelo Acordo de Paris.

Todos os países que assinaram ao Acordo de Paris estão, em teoria, comprometidos em limitar o aquecimento em até 1,5 °C em relação à temperatura global antes da Revolução Industrial. No entanto, na prática, são poucas as nações que estão honrando este compromisso. O exemplo disto é o novo recorde na emissão de gases de efeito estufa. A OMM também teme que, com um planeta mais quente, as emissões de fontes naturais também aumentem.

(Imagem: Reprodução/NASA)

Cerca de metade da poluição liberada pela atividade humana é absorvida por árvores, terras e oceanos, mas a capacidade destes sistemas varia bastante de acordo com temperaturas, chuvas e outros fatores, como o desmatamento. Apesar de a produção de carbono ter caído no ano passado, o aumento do nível atmosfera foi o maior registrado no período de 2011 a 2020. De acordo com a OMM, o CO2 alcançou 413,2 partes por milhão — 149% além do nível pré-industrial.

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O secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, disse que, diante da atual taxa de aumento nas concentrações de gases de efeito estufa, estamos muito distantes de limitar o aquecimento global em até 1,5 °C. "Veremos um aumento de temperatura no final deste século muito além das metas do Acordo de Paris de 1,5 a 2 ºC acima dos níveis pré-industriais", acrescentou Taalas. A última vez que a Terra apresentou níveis de CO2 parecidos com os atuais foi entre 3 a 5 milhões de anos atrás — temperaturas até 3 °C mais altas e mares até 10 metros acima do que é hoje.

Degelo do permafrost no Ártico (Imagem: Reprodução/Pixabay)

Uma das maiores preocupações dos pesquisadores envolvidos no relatório da OMM é que o aumento contínuo da temperatura global desencadeie um aumento dos gases poluentes de fontes naturais, como é o caso do metano (CH4). Estima-se que 60% dele seja produzido por atividade humana e os outros 40% por micróbios em pântanos. O aumento de CH4 registrado em 2020 foi o maior desde 2007, quando os níveis globais passaram a subir.

A pesquisadora da OMM, Oksana Tarasova, explicou que a dinâmica é simples. “Se você aumentar a quantidade de precipitação nas áreas dos pântanos, e se você aumentar a temperatura, então essas bactérias produtoras de metano produzem mais metano”, acrescentou Tarasova. O aquecimento global já tem provocado o degelo do permafrost, que poderá lançar uma grande quantidade de metano à atmosfera, além de liberar organismos nocivos à saúde humana, como vírus e bactérias.

Entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro deste ano, acontecerá a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), onde as lideranças mundiais se reunirão em Glasgow para firmar compromissos urgentes em resposta às mudanças climáticas. O novo relatório da OMM é apenas mais um que mostra o quanto nosso desafio em superar a crise climática é grande.

Fonte: BBC

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