As florestas da Rússia têm armazenado mais carbono do que se pensava

As florestas da Rússia têm armazenado mais carbono do que se pensava

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 04 de Agosto de 2021 às 15h18
ESA

Floresta é sinônimo de armazenamento de carbono, um dos principais agentes do efeito estufa. Quanto mais árvores, menos carbono na atmosfera do planeta. Por isso, o mapeamento dessa biomassa na superfície terrestre é importante, mas nem sempre ele fornece a real dimensão da realidade. Em um novo estudo, cientistas estimam que as florestas da Rússia — a maior área florestal do mundo — têm armazenado mais carbono do que se pensava, graças à combinação de dados espaciais e terrestres.

A Floresta Amazônica é a maior floresta tropical do mundo, mas, em termos gerais, a Rússia lidera a posição de maior área florestal do planeta — com mais de um quinto das árvores de todo o mundo. O novo estudo, conduzido por cientistas russos, utilizou os dados da Iniciativa de Mudança Climática (CCI, na sigla em inglês), da Agência Espacial Europeia (ESA), para estimar a real dimensão da biomassa das florestas russas.

(Imagem: Reprodução/ESA/CCI)

De acordo com as estimativas, até 2014 todas as florestas representavam 111 bilhões de metros cúbicos de madeira — 39% a mais do que o último valor informado à Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). O estudo se baseia em mapas de biomassa florestal feitos por satélites da CCI, além de medições terrestres russas, como o Inventário Florestal Nacional do país e o Forest Observation System, da ESA.

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No entanto, pouca mudança foi identificada no estoque de carbono e na biomassa do país, que cresceram, respectivamente, cerca de 1,8% e 0,6% desde o fim da União Soviética. “O método de usar dados baseados em satélite que são validados com medições baseadas no solo está em melhor posição para ajudar nisso”, diz Dmitry Schepaschenko, principal autor do estudo e pesquisador do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA, na sigla em inglês).

Schepaschenko diz que o levantamento topográfico é crucial para medir a biomassa, mas leva muito tempo. Só o inventário nacional de florestas da Rússia levou 14 anos para oferecer uma estimativa robusta. Ao combinar dados obtidos por satélites com as informações mapeadas em terra, os pesquisadores conseguem uma resolução espacial melhor, além de reduzir as incertezas das estimativas.

Mapeamento florestal feito em solo (Imagem: Reprodução/WRan Kong)

A pesquisa também descobriu que as florestas russas acumularam cerca de 1 bilhão de metros cúbico por ano no período entre 1988 a 2014 — o que equilibra as perdas líquidas de estoque em florestas tropicais, como a Floresta Amazônica. Desse total, a equipe estima que as florestas tenham sequestrado 47% a mais de carbono em relação ao último valor informado à UNFCCC, mas alertam que os ganhos não continuarão, necessariamente, a longo prazo. “A situação está mudando depois de 2014, por causa do aumento da severidade dos distúrbios florestais”, ressalta Schepaschenko.

As novas estimativas contribuem para o aperfeiçoamento dos mapas de biomassa já fornecidos pelos projetos da ESA, assim como as medições terrestres feitas pelos autores do estudo servirão para validar as obervações de satélite da próxima missão da agência europeia, chamado Biomass. O artigo foi publicado em 14 de junho deste ano, na Nature Scientific Reports.

Fonte: ESA

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