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Review The Rogue Prince of Persia | Jogo atesta vocação da série de se renovar

Por| 28 de Maio de 2024 às 17h51

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Ubisoft
Ubisoft

2024 tem sido um ano muito bom para Prince of Persia. Depois de ver a franquia renascer com o excelente The Lost Crown, a série recebe um novo título totalmente diferente e com uma proposta bastante ousada com The Rogue Prince of Persialançado exclusivamente para PCs. Com uma pegada mais artística e flertando com o mundo indie, temos uma aventura bem fora dos padrões.

Afinal, é muito raro que estúdios como Ubisoft aceitem entregar suas propriedades mais clássicas nas mãos de terceiros, ainda mais com a mesma liberdade criativa vista por aqui. Só que a parceria aqui com a Evil Empire de Dead Cells deu muito certo e mostra como esse retorno ao 2D é quase um caminho sem volta para a saga.

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Embora ainda esteja em Early Access, The Rogue Prince of Persia esbanja personalidade e brilha pelo modo como o estúdio conseguiu reimaginar uma série tão clássica de forma tão simples e, ao mesmo tempo, com uma complexidade viciante. 

O príncipe e seu dia da marmota

É difícil definir The Rogue Prince of Persia de outra forma que não um filho persa de Dead Cells, já que a influência do jogo de 2017 é mais do que evidente aqui, principalmente na jogabilidade e nos tipos de desafios que o jogador encontra. Assim, temos um roguelike bastante ágil e repleto de camadas para testar suas habilidades.

A trama é bem simples: a Pérsia é invadida pelo exército huno e o Príncipe precisa encontrar um jeito de acabar com essa ameaça — até porque ele é um dos responsáveis por esse ataque. Só que as coisas complicam quando o protagonista se vê preso em meio a um looping temporal. 

Assim, ele é obrigado a reviver sempre o mesmo dia enquanto tenta encontrar uma forma de acabar com essa maldição ao mesmo tempo que tenta eliminar os invasores.

É um roteiro bastante básico, mas que aproveita bem a dinâmica de um roguelike para desenvolver sua história e também suas mecânicas. Como o tentar, morrer e começar de novo é parte central de toda a experiência, o looping se torna um recurso narrativo que casa muito bem com a jogabilidade.

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Nesse sentido, não há nada de muito novo ou diferente do que outros jogos do gênero já fazem, como é o caso do recente Hades 2. Só que isso não é um demérito para The Rogue Prince of Persia, já que ele sabe usar muito bem esse vai e vem nascido da tentativa e erro tanto para fazer sua trama avançar como para incentivar o jogador a sempre tentar ir mais longe.

Há algumas soluções bem criativas para amarrar esses dois aspectos e tornar o jogo mais coeso. A dinâmica dos mapas mentais conecta informações aparentemente desconexas ao mesmo tempo que encontrar sobreviventes ou vestígios pode liberar novas áreas e ampliar os caminhos que você pode seguir a cada nova run. De novo, nada revolucionário, mas muito bem pensado.

Subindo pelas paredes

Só que é na jogabilidade que The Rogue Prince of Persia. Dono de um estilo artístico belíssimo que parece ter saído das páginas de um quadrinho europeu, o game faz uma bela reverência ao Prince of Persia original, de 1989, ao colocar o Príncipe mais uma vez para lidar com desafios em plataforma 2D.

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Só que, diferentemente de The Lost Crown, as coisas aqui são muito mais básicas do que místicas. O novo herói não tem controle do tempo ou coisa parecida, se limitando apenas às suas habilidades no parkour para superar obstáculos e vencer seus inimigos.

E é isso que faz com que o gameplay de The Rogue Prince of Persia seja tão prazeroso. A Evil Empire adicionou uma mecânica de andar nas paredes que mexe demais com a dinâmica dos saltos. Com essa simples adição, a exploração vertical e transversal ganham muito mais destaque, além de muitas camadas de desafios.

Há muitos caminhos para desbravar e formas de lidar com um mesmo obstáculo com essa simples mecânica. Caminhar pela parede pode fazer você chegar mais longe, alcançar um item inesperado, criar uma nova rota ou mesmo ser seu trunfo na hora do combate. É algo bastante simples, mas que faz toda a diferença. 

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Assim, mesmo o Early Access sendo bastante curto, com apenas seis cenários diferentes, há muito o que explorar e o que fazer graças a essa mecânica. O design das fases é muito bem construído para testar seu domínio dessa movimentação transversal e é ela quem dá agilidade e fluidez a essa nova versão do Príncipe, diferenciando-o de outras encarnações.

Muito espaço para crescer

Tudo isso faz com que The Rogue Prince of Persia seja um jogo muito cheio de vida e possibilidades, mas um tanto limitado. Por ainda estar em Early Access, a quantidade de níveis, inimigos e até mesmo armas e itens à sua disposição é bem menor.

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É algo esperado, já que a Evil Empire e a Ubisoft comentaram já no anúncio do game que a ideia era disponibilizar novos conteúdos com o tempo, expandindo as possibilidades com base no feedback da própria comunidade. E o lado bom é que realmente há muito para onde crescer e aplicar as boas ideias que já estão presentes no game.

Por enquanto, o jogo contém apenas seis fases disponíveis e duas batalhas contra chefes. É uma quantidade razoável para a quantidade de vezes que você vai morrer, mas não evita a sensação de que é preciso um pouco mais. Além disso, o fato de só existirem 8 armas principais e 6 ferramentas também limita um pouco a criação de novas builds.

O que evita tornar The Rogue Prince of Persia repetitivo são os medalhões. Ao longo de cada run, o Príncipe encontra diferentes medalhões que concedem novas habilidades e melhorias que mudam de forma considerável a dinâmica geral do jogo. Alguns vão tornar seu ataque mais forte, enquanto outros criam efeitos nos inimigos ao realizar certas ações — e combinar essas skills gera novos poderes.

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É uma forma inteligente de variar a jogabilidade e fazer com que cada tentativa de encarar os hunos seja diferente, incentivando a exploração e tratando o vai e vem no looping temporal como algo divertido.

O único ponto contra essa lógica é o nível de dificuldade um pouco exagerado, que faz com que o Príncipe seja extremamente vulnerável e frágil. Qualquer ataque banal do inimigo mais fuleiro vai retirar entre 25% e 30% da sua barra de vida e a impossibilidade de melhorar sua defesa ou mesmo de carregar mais itens de cura tende a tornar as coisas frustrantes à medida que você percebe que seu herói é feito de vidro.

No entanto, está longe de ser um problema crítico e que pode ser facilmente contornado com uma atualização ou a liberação de conteúdos que deem mais resistência ao protagonista. Afinal, Early Access é para isso.

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Assim, o saldo final de The Rogue Prince of Persia é mais do que positivo. Provando que a liberdade criativa para que outros explorem franquias já conhecidas pode ser um ótimo caminho para a renovação, temos um título ainda em desenvolvimento que faz uma excelente estreia. Mais do que isso, que atesta o bom momento da série e nos deixa ansiosos pelas cenas dos próximos capítulos.