Pornhub é processado por permitir vídeos de violência sexual e menores de idade

Pornhub é processado por permitir vídeos de violência sexual e menores de idade

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 18 de Junho de 2021 às 16h30
Pornhub

Em uma ação coletiva movida por 34 mulheres, o site Pornhub foi acusado de hospedar vídeos pornográficos de mulheres fazendo sexo não consensual, em conteúdos relacionados a abuso sexual, estupro e tráfico de pessoas. A plataforma é acusada de lucrar em cima desses atos criminosos e de ter se omitido da responsabilidade de checar esse tipo de conteúdo.

O Pornhub é uma das maiores plataformas de pornografia da internet, especializado na distribuição de vídeos gratuitos e pagos. São mais de 6,8 milhões de novos vídeos por ano e uma audiência diária de dezenas de milhões de acessos por dia. A empresa controladora do Pornhub, MindGeek, dona de quase 150 sites pornográficos, foi incluída no processo.

Um dos maiores sites pornôs do mundo está envolvido em mais uma polêmica na justiça (Imagem: Reprodução/Pornhub)

Do total, 14 vítimas afirmam terem sido vítimas de pessoas acusadas ou condenadas por crimes sexuais, enquanto outras 14 disseram ser menores de idade na época em que os materiais foram gravados. Há vários relatos de namoradas que tiveram a intimidade exposta na web após terminar relacionamentos e casos em que eram embriagadas para serem abusadas.

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O processo foi movido pelo escritório de advocacia Brown Rudnick LLP, especializado no combate à pornografia desautorizada e abuso sexual, perante a justiça dos Estados Unidos. As vítimas se conheceram por meio de um site chamado Traffickinghub, criado especialmente por uma entidade religiosa para reunir pessoas que se sentem lesadas pela atuação do Pornhub.

Este não é o primeiro processo contra o Pornhub. O site possui um histórico de idas e vindas no setor jurídico por hospedar vídeos sem qualquer critério, muitos dos quais contém cenas de crimes.

Polêmica anterior

A página está sob investigação policial desde dezembro do ano passado, quando um colunista do New York Times publicou um artigo sobre a monetização em cima de estupros infantis, vídeos de vingança pornográfica, câmeras escondidas para espionar mulheres, conteúdos racistas e misóginos, além de tortura física e psicológica.

Na época, o site bloqueou uploads de vídeos provenientes de usuários não identificados e proibiu o download dos materiais no modo gratuito. Além disso, eliminou oito milhões de vídeos considerados irregulares da plataforma, o que teria representado cerca de dois terços de todo o conteúdo hospedado.

Desde o início das acusações, o site não oferece mais pagamento com cartões de crédito (Imagem: Captura de tela/Canaltech)

Toda a polêmica fez com que as duas principais bandeiras do mercado de cartões de crédito, MasterCard e Visa, deixassem de oferecer plataformas de pagamento. Desde então, a única forma de se tornar usuário premium é pagando com Bitcoin.

De lá para cá, o portal disse ter investido em softwares de rastreamento de conteúdo impróprio e contratado uma equipe de moderadores humanos para revisar cada upload. Também introduziram um sistema para verificar a identidade dos usuários e evitar que as pessoas usem do anonimato para subir vídeos criminosos.

Mesmo assim, a rede ainda não faz nenhum tipo de verificação sobre quem aparece nos vídeos: nem idade, nem consentimento e se o material foi produzido pela própria pessoa ou é de terceiros.

Canais criminosos

Além do site, alguns canais dentro da plataforma também estão na mira da Justiça. No ano passado, 40 mulheres entraram com um processo se dizendo vítimas da página GirlsDoPorn, uma empresa cujos produtores atraíam as vítimas com anúncios falsos de modelos ou promessas de emprego.

Em vez disso, as mulheres se deparavam com ameaças, coação e agressões para fazerem vídeos de sexo. Nesse caso específico, as autoras da ação alegaram que a MindGeek sabia que o GirlsDoPorn estava traficando suas vítimas e usava de métodos nada republicanos para convencê-las a participar dos vídeos. Mesmo assim, nada fizeram e ainda continuaram ganhando com anúncios reproduzidos nos vídeos no canal.

A mesma companhia MindGeek também está sob investigação pelo órgão responsável pela segurança online e privacidade do Canadá. A investigação surgiu depois que mulheres apresentaram queixas afirmando que o Pornhub rejeitou seus pedidos para retirar vídeos, enviados sem seu consentimento.

O Pornhub está fazendo tudo o que pode ou deveria se empenhar ainda mais para evitar os vídeos criminosos na sua plataforma? Deixe a sua opinião nos comentários.

Fonte: CBS News

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