Quando a Inteligência Artificial dá errado

Por Colaborador externo | 15 de Novembro de 2017 às 08h45
photo_camera lagereek/Depositphotos

* Por Ankur Prakash

Seria possível um computador criar uma música que mexe com as nossas emoções? Você acha que esse mesmo computador seria capaz de desenvolver um prato original, integrando os sabores de uma maneira totalmente inovadora? Indo mais além, é possível que esse equipamento compreenda verdadeiramente as nuances da natureza humana, entendendo nossas ambições ou mesmo a nossa psique?

Quando pensamos nisso, começamos a notar as limitações da Inteligência Artificial (IA). Esse é um campo que ressurgiu nos últimos anos (depois de décadas condicionado ao folclore Sci-Fi), e que agora domina as discussões sobre o nosso futuro e o da tecnologia.

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Então me pergunto: nós não ficamos um pouco cansados? Ou até um pouco sobrecarregados com as possibilidades?

Luzes de alerta

Na realidade, o amadurecimento da IA acontece de maneira progressiva e meticulosa, mas também repleto de tropeços e erros.

Ano passado, o cidadão americano Joshua Brown tornou-se a primeira vítima fatal conhecida de um acidente com um carro autônomo. Foi quando seu Tesla bateu na lateral de um trator a 120 km/h. o evento foi um desagradável lembrete sobre os perigos de se colocar muita fé, muito cedo, em sistemas baseados na inteligência artificial.

O legado de Brown nos adverte sobre os riscos dessa tecnologia, e esclarece que o suposto estado de Singularidade (onde a IA excede a inteligência humana) é um caminho muito distante, e que talvez nunca aconteça.

Sobre os domínios da condução autônoma para aviões ou outros meios de transporte – as possibilidades de um sistema de IA dar errado são óbvias. E o mesmo se aplica às redes Smart City da Intel, que controlam o fluxo de tráfego; ou ainda os sistemas que produzem compostos de drogas sintéticas; e até mesmo o cenário distópico de forças subversivas que utilizam inteligência artificial para armas biológicas e químicas. Potencialmente, se a IA der errado, as consequências podem ser desastrosas.

Arte e Ciência

Uma abordagem moderada seria equilibrar nossas expectativas de IA, com uma apreciação pela forma única da inteligência humana. Os computadores certamente nos ultrapassarão quando se tratar de equações matemáticas complexas, mas eles podem atingir o mesmo grau de empatia, respeito, inteligência emocional e consciência de contexto?

Na verdade, quanto mais dados inundarem nosso mundo, mais valor terá a tomada de decisão intuitiva.

"Decisões por algoritmo", como podemos nomeá-las, só nos alcançarão até o ponto em que: Steve Jobs não tinha evidências sugerindo que as pessoas desejassem um iPad; Henry Ford certamente não tinha nenhum dado de mercado sugerindo que as pessoas queriam carros.

A Revista Forbes explora o papel da intuição na tomada de decisões corporativas, concluindo que: "no final do dia, quando revisamos os dados repetidamente e pedimos aos outros suas opiniões, nosso melhor conselho vem do instinto".

Assim, para os líderes empresariais de hoje, o ponto positivo será combinar a ciência da IA (alavancando massas de dados e estruturando ideias úteis), com a arte da intuição humana. Tomar decisões complexas, participar de negociações de alto nível e reunir equipes em torno de uma visão. Estas são todas as responsabilidades que jamais poderemos simplesmente entregar a nossos Bots de IA.

E isso explica porque os Cientistas de Dados são hoje um dos especialistas mais valorizados, já que eles possuem a distinção única de se esconder sobre os domínios de arte e ciência.

Novo mundo, novos empregos

Tudo isso nos leva a perceber que a IA pode não ter o impacto incapacitante nos níveis de emprego que muitos tememos. À medida que olhamos para formas de aproveitar o poder da IA, são criados novos empregos.

Imagine, por exemplo, a tarefa de criar zonas autodirigidas em estradas e caminhos em milhares de cidades, em centenas de países. O design, o planejamento, a infraestrutura e o monitoramento criarão novas formas de emprego.

Nos negócios, ao assumirem cada vez mais tarefas administrativas, repetitivas via bots, domínios totalmente novos serão multiplicados em áreas como energia verde, biotecnologia, UX digital, serviços móveis, transporte de passageiros e fintechs, para citar apenas alguns. Em cada um desses campos, novos empregos surgirão.

Tal como acontece com todas as outras inovações e tecnologias importantes, a IA tem um potencial incrível para nos ajudar a entender mais o nosso mundo, promover o progresso dos seres humanos e abordar alguns dos nossos maiores desafios como sociedade. Certamente terá um enorme impacto em nossos negócios e em nossas vidas em geral.

Essencialmente, ainda há um longo caminho a percorrer antes de compreendermos verdadeiramente essa tecnologia. Enquanto isso, não devemos esquecer: a IA pode realmente "dar errado"!

*Ankur Prakash é VP de New Growth e Emerging Markets da Wipro.

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