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SSDs são realmente mais confiáveis que HDs?

Por| Editado por Wallace Moté | 16 de Outubro de 2021 às 13h00

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Fábio Jordan/Canaltech
Fábio Jordan/Canaltech

Entre as diversas preocupações levantadas na hora de adquirir ou montar um computador está a configuração de armazenamento da máquina. Entusiastas recomendam o uso de SSDs sempre que possível, em virtude da enorme vantagem de velocidade que esse tipo de componente oferece sobre os HDs ou discos rígidos, método mais tradicional de armazenar dados usado há décadas.

Mas será que a maior velocidade deve realmente ser um fator determinante para definir as configurações de armazenamento de um PC? SSDs são mesmo mais confiáveis que os HDs? Com essa dúvida em mente, a empresa de armazenamento na nuvem para companhias Backblaze tem realizado testes de longa duração, comparando diretamente os dois métodos, e o Canaltech reúne os resultados do relatório mais recente neste artigo.

O que é SSD? E o que é HDD?

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Antes de tudo, vamos relembrar brevemente do que se trata cada um dos tipos de armazenamento. O Hard Disk Drive (HDD), HD ou disco rígido é literalmente um meio pelo qual os dados são armazenados em um disco, protegido por uma cápsula de metal. A leitura e escrita das informações é realizada por uma agulha magnética, e é nesse ponto em que as limitações começam.

Por precisar mover a agulha para acessar as informações, o HD está limitado a certas velocidades, que podem chegar a cerca de 500 MB/s nos melhores discos. Outro problema causado pelo uso de partes móveis é a sensibilidade dos componentes.

Com o tempo, algum deles podem falhar e há o risco de se perder os dados. Além disso, movimentos bruscos ou mesmo a vibração do próprio dispositivo podem levar a falhas.

Mesmo assim, por ser bastante comum, os HDs costumam ser significativamente mais baratos que outros tipos de armazenamento, como o SSD,  ainda que essa diferença tenha sido amenizada nos últimos anos. Fora isso, mais madura, a tecnologia permite atingir capacidades significativamente maiores.

O Solid State Drive (SSD), por outro lado, utiliza eletricidade para ler e registrar os dados. De maneira bastante resumida, as informações são registradas em chips de memória similares às utilizadas nos celulares, que mudam o estado de acordo com a carga elétrica que recebem.

Por não contar com partes móveis, é estabelecido que os SSDs são mais confiáveis que os HDs. Por outro lado, sua durabilidade a longo prazo costuma ser inferior, já que as células de memória se deterioram com o tempo.

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Há mais uma vantagem no uso de eletricidade: as velocidades absurdas que os SSDs atingem — atualmente, já temos modelos que chegam a mais de 7.000 MB/s, ou 7 GB/s, de transferência, e há planos para o lançamento de versões que cheguem a impressionantes 16.000 MB/s, ou 16 GB/s. Como consequência, os preços costumam ser mais elevados do que os de HDs com capacidade semelhante.

Entendendo a pesquisa da Backblaze

Desde 2013, a Backblaze divulga a cada novo trimestre um relatório completo sobre as estatísticas de uso dos HDs utilizados pela empresa nos servidores de clientes. Pela primeira vez, a companhia inseriu no relatório deste trimestre dados sobre os SSDs instalados nos data centers, possivelmente devido ao fato de que esse tipo de armazenamento começou a ser usado apenas em 2018, ponto importante para os resultados.

Para discos rígidos, a pesquisa define uma falha como reativa, quando o componente já não é mais capaz de operar, ou proativa, quando o risco de um problema ocorrer é iminente. Para isso, são coletadas informações do recurso de Self-monitoring, Analysis, and Reporting Technology, ou SMART, tecnologia embutida nos HDs exatamente para acompanhar a saúde e antecipar possíveis falhas.

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Com os SSDs, a Backblaze usou o mesmo método, mas há mais de 30 estatísticas diferentes neste caso, incluindo temperatura em graus Celsius, número de horas de funcionamento, contagem de setores incorrigíveis, variação de desgaste das células e mais.

Como todas essas estatísticas variam de fabricante para fabricante, a companhia promete estabelecer regras melhor definidas para o próximo relatório. Até lá, todos os SSDs avaliados que apresentaram problemas sofreram falhas reativas, ou seja, simplesmente deixaram de funcionar.

Ainda é cedo para confirmar vantagens de durabilidade do SSD

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Partindo para os resultados, em um primeiro momento, os SSDs parecem ganhar com folga dos HDs: em uma comparação direta, a taxa anual de falhas (Annualized Failure Rates, AFR) do armazenamento de estado sólido é de apenas 1,05%, com um total de 17 falhas, contra 6,41% dos discos rígidos, com um total de 619 falhas. Porém, esses números não consideram o tempo de uso de cada tipo de memória.

A Backblaze destaca como a idade média dos SSDs avaliados é de 14,2 meses, algo em torno de 1 ano e 2 meses, período curto em relação à média de 52,4 meses, ou 4 anos e 4 meses dos HDs. Outro ponto de enorme discrepância é que o SSD mais velho tem 33 meses de uso, enquanto o HD mais novo tem 27 meses de uso.

Quando esses fatores são levados em conta, a situação muda: HDs com idade média de 14,3 meses apresentaram AFR de apenas 1,38%, com total de 25 falhas, diferença muito pequena em comparação aos SSDs. Essa constatação ganha força quando o crescimento do AFR é expresso em um gráfico: no mesmo período, o aumento do número de falhas foi bastante semelhante entre os dois tipos de armazenamento.

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A Backblaze conclui que ainda é cedo para definir uma suposta superioridade dos SSDs sobre os HDs em termos de confiabilidade. Daqui a dois anos, em 2024, será possível realizar um comparativo mais justo, já que os SSDs terão tempo de vida e dados suficientes de AFR para avaliar melhor sua durabilidade com a passagem do tempo.

Por agora, a recomendação é avaliar outros aspectos na hora de decidir se vale ou não a pena investir em SSDs, como preço, velocidade, consumo e formato, por exemplo. Mesmo assim, vale ressaltar que é importante sempre avaliar o tempo de vida estimado pelas próprias fabricantes, que garantem cobertura caso falhas ocorram dentro deste período, para evitar eventuais dores de cabeça.

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Fonte: Backblaze