Qual a diferença entre 1080p e 1080i?

Qual a diferença entre 1080p e 1080i?

Por Renan da Silva Dores | Editado por Wallace Moté | 03 de Maio de 2022 às 10h05
Unsplash/Boicu Andrei

Quando um novo monitor, TV ou mesmo celular são anunciados, as informações sobre a resolução da tela normalmente costumam estar acompanhadas da letra "p" — 540p, 720p, 1080p e outras variações. Diferente do que possa parecer, esse acréscimo não está diretamente ligado com a resolução propriamente dita, mas sim com como os pixels são exibidos na tela.

Entendendo a resolução de tela

Todas as telas são compostas pelos pixels, pequenos pontos de iluminação que podem emitir luz a partir de um backlight, como em painéis LCD, ou ainda emitir luz própria, como nos painéis OLED. Uma matriz, ou seja, um conjunto de linhas e colunas, com um determinado número de pixels formam a imagem exibida pelas TVs, monitores e outros dispositivos.

Os números apresentados pelas resoluções representam a quantidade de pixels distribuídos nas linhas e colunas das telas (Imagem: PantheraLeo1359531/Wikimedia Commons)

A resolução nada mais é do que a representação dessa matriz em um número que indique a quantidade de pixels presentes no display. Isso significa que, em uma tela HD de 1280 x 720 pixels, cada linha possui 1280 pixels, enquanto cada coluna apresenta 720 pixels. Já em um display Full HD de 1920 x 1080 pixels, cada linha traz 1920 pixels, enquanto cada coluna emprega 1080 pixels. Quanto maiores forem esses números, mais definida e detalhada será a imagem.

Se multiplicarmos um número pelo outro, chegamos ao total de pixels que a tela contém: 921.600 pixels na tela HD, e 2.073.600 pixels na Full HD. Essa característica também explica o motivo pelo qual a resolução Quad HD (2560 x 1440, 3.686.400 pixels) representa o quádruplo do HD e o 4K (3840 x 2160, 8.294.400 pixels) representa quatro vezes a resolução Full HD, em vez do dobro, como os números de pixels das linhas e colunas podem sugerir.

1080p vs 1080i: qual a diferença?

Para que a imagem seja exibida na tela, o display precisa ser atualizado múltiplas vezes por segundo, recebendo informações da fonte, seja o PC, console ou transmissão de TV em um período apropriado para garantir que os usuários tenham a percepção de movimento.

Antigamente, conforme a resolução era aumentada e uma quantidade maior de dados precisava ser transmitida, dificuldades surgiram devido a como a largura de banda, ou a quantidade de informações por segundo que as antenas de TV podiam propagar, ainda era limitada. Para contornar isso, foi desenvolvido o Interlaced Scan, ou escaneamento entrelaçado, representado pela letra "i" na resolução.

O Interlaced Scan divide os pixels em dois grupos, atualizando-os de maneira intercalada (Imagem: Grayshi/Wikimedia Commons)

Em vez de atualizar a tela inteira a cada novo quadro exibido, a técnica divide as linhas e colunas de pixels em dois grupos com metade do número total (grupos de 960 x 540 pixels no caso da resolução 1080i), atualizados de maneira intercalada. Em uma transmissão de 60 Hz, por exemplo, atualizada 60 vezes por segundo, cada grupo era renovado 30 vezes por segundo.

O método tira proveito de como o cérebro retém imagens exibidas rapidamente por um determinado período para reduzir a quantidade de dados transferida sem afetar drasticamente a qualidade do conteúdo.

O Interlaced Scan sofre com imagens em movimento, apresentando artefatos (Imagem: Mikus/English Wikipedia)

Com os avanços tecnológicos e o surgimento de outros métodos de transmissão, incluindo o streaming, outra solução foi implementada: o Progressive Scan, ou escaneamento progressivo, representado pela letra "p" na resolução. A tecnologia basicamente atualiza simultaneamente todos os pixels da tela na frequência do painel, sem utilizar grupos. No exemplo da transmissão de 60 Hz, com uma resolução 1080p, as 1920 colunas e as 1080 linhas são atualizadas ao mesmo tempo.

O uso do Progressive Scan tem vantagens significativas em imagens em movimento, que se tornam mais nítidas e deixam de apresentar quaisquer artefatos que exibições feitas com o método de Interlaced Scan possam apresentar — é comum notar uma aparência mais borrada e até o desencontro das linhas em imagens entrelaçadas. Mesmo assim, apesar das limitações, o escaneamento entrelaçado ainda é utilizado em alguns casos atualmente, como as próprias transmissões de TV.

1080p30, 1080p60 e outras variações

Além de empregarem a letra "p" para representar o uso do Progressive Scan, câmeras, placas de captura e outros dispositivos de gravação de vídeo costumam apresentar um número no final da configuração de resolução. Normalmente, esses valores são de 24, 30, 60 ou 120 e representam justamente a quantidade de quadros por segundo registrados.

Placas de captura, câmeras e outros dispositivos de gravação também contam com números como 24, 30, 60 e 120 para representar a taxa de quadros registrada (Imagem: Elgato)

Uma câmera com configuração 1080p24 consegue captar imagens em Full HD 1080P a 24 FPS (quadros por segundo), ou 24 Hz, enquanto uma máquina munida de gravação a 1080p120 registra vídeos 1080P a 120 FPS, ou 120 Hz. A taxa de quadros varia de acordo com o poder de processamento do dispositivo de captura — quanto maior o número de quadros, mais potente deve ser o aparelho.

Fonte: Tagarno, DigitalTrends, PointerClicker

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