LCD, IPS, OLED, AMOLED: o que diferencia as telas de smartphones?

LCD, IPS, OLED, AMOLED: o que diferencia as telas de smartphones?

Por Igor Leves de Almeida | Editado por Léo Müller | 23 de Março de 2022 às 15h15

Escolher um celular hoje em dia pode ser um desafio e tanto, desde a fabricante até os pequenos detalhes de design. Sendo que um dos fatores mais importantes nessa decisão é a tela. Por isso, vamos te ajudar a entender a diferença entre as principais tecnologias: LCD, IPS, OLED e AMOLED.

Atualmente, temos três tipos principais de tecnologias de display. Cada qual com sua vantagem e desvantagem. Ainda assim, existem seus subtipos, que também merecem um certo destaque.

Assim, da próxima vez que você se deparar com um monte de siglas, vai saber diferenciar, entender e definir o tipo de tela que faz mais sentido para seu uso.

LCD e IPS? Qual é a diferença?

Começando pelo primeiro tipo que mais se difundiu no mundo dos smartphones. O LCD, que pode ser traduzido como “painel de cristal líquido”, trouxe várias vantagens para o mercado de telas.

De forma bastante simplificada, para formar a imagem na tela, existem camadas com uma substância cristalina que consegue alterar suas moléculas. Dessa forma, com uma corrente elétrica, ora elas podem ficar opacas — impedindo a travessia da luz — ora podem ser transparentes, permitindo a passagem de iluminação.

O painel LCD possui uma backlight (luz de fundo) que oferece toda a iluminação para o sistema da substância cristalina.

Contudo, para que esse tipo de painel funcione adequadamente, a backlight fica acesa o tempo todo, mesmo em cenas escuras de um filme, por exemplo. Por conta disso, o gasto de energia é muito alto, fazendo com que a bateria não dure muito.

Além disso, como já dito anteriormente, mesmo em imagens escuras, com fundo preto, ainda é possível enxergar um pouco de luz, já que o pixel apagado não consegue bloquear totalmente a backlight. Resultando numa tonalidade quase cinza para os pretos.

Então chega o IPS, uma evolução

Logo depois, tivemos a tecnologia IPS, que nada mais é do que o painel de cristal líquido organizado de forma mais agrupada na horizontal. Isso permitiu ampliar o ângulo de visão. Assim, a imagem não sofre tantas distorções de cores quando observada de forma lateral.

IPS significa comutação plana (ou In-Plane Switching). Hoje em dia, praticamente todos celulares que têm uma tela LCD utilizam essa tecnologia. Por ser bastante comum, ela costuma baratear o custo e torná-lo mais acessível.

Entretanto, esse painel ainda mantém as mesmas desvantagens do LCD, com cores mais lavadas e alto gasto de bateria.

Chegamos ao OLED

Os OLED chegaram como uma evolução dos LEDs que já estavam presentes nos antigos painéis LCD . LED significa “diodo emissor de luz”, e OLED seria “diodo emissor de luz orgânico”. O grande diferencial de um para o outro é que essa nova versão consegue emitir a própria luz.

Só por isso, eles já se tornam bastante vantajosos, pois não necessitam de uma backlight acesa o tempo todo. Por conta disso, eles conseguem ser mais econômicos. Mas, o grande benefício dessa tecnologia é o controle preciso de pixels acesos e apagados.

Já que cada pixel tem sua própria luz, é possível desligá-los totalmente em uma cena escura, trazendo o famoso “preto puro” sem aquele aspecto de cinza lavado do LCD/IPS.

O OLED também permite muito mais contraste e nitidez, pois os contornos ficam mais precisos e definidos na troca de fundo com imagem. Outra vantagem é a possibilidade de fabricar aparelhos mais finos, já que o OLED não necessita de tantas camadas para funcionar.

Todavia, assim como LCD, ele também tem seus problemas. Talvez, o mais famoso seja o burn-in. Como o pixel fica aceso durante todo tempo de uso, quando temos uma imagem fixa por muito tempo, sem alterações, o pixel começa a “queimar” (parecido com uma lâmpada convencional). Isso acabava deixando marcas fantasmas nas telas.

AMOLED, uma evolução importante

Chegamos, enfim, às telas AMOLED e, sendo bem direto, nada mais são do que uma OLED com matriz ativa. Mas o que isso significa na prática.

A grande vantagem de ter uma matriz ativa é poder controlar, de forma individual e precisa, cada pixel, assim evita-se o temido burn-in.

Essa vantagem também se traduz em maior economia de energia. Pois, com o controle preciso, é possível gerenciar o tanto de energia gasta para cada pixel, evitando o desgaste.

Hoje em dia, a grande maioria das telas OLED, na verdade são AMOLEDs. Esse nome virou mais questão de marca e identificação do que de fato outra tecnologia empregada. Obviamente, nenhuma marca quer correr o risco de queimar os pixels, por isso o uso amplo desse tipo de painel.

Ainda assim, houve evolução dessa tecnologia, principalmente em aparelhos Samsung, que são referência no mercado de smartphone por conta de seus displays.

A tela do Galaxy S21 Ultra foi uma das melhores de 2021 (Imagem: Galaxy S21 Ultra/ Canaltech)

Super AMOLED

O Super AMOLED veio com uma pequena diferença em relação ao AMOLED tradicional. Falando de forma simplificada, esse tipo de tela conseguiu implementar uma camada sensível ao toque entre os painéis, dispensando a camada de vidro dos antecessores.

Isso permitiu telas mais responsivas e aparelhos com construções mais finas. Contudo, em termos de características na imagem, não tivemos grandes mudanças.

Algumas novidades com o Dynamic AMOLED

O AMOLED Dinâmico ou Dynamic AMOLED trouxe o suporte ao HDR10+. Com essa compatibilidade, foi possível proporcionar imagens com mais contraste e melhores cores.

Com alcance dinâmico de cores, as imagens têm mais vida e maior saturação. Para filmes e jogos com suporte a essa tecnologia, é perceptível a diferença de qualidade.

Dynamic AMOLED 2X

Mais uma vez, uma pequena evolução de tecnologia. O AMOLED dinâmico 2X traz um brilho e precisão de cores ainda melhor do que seu antecessor. Além disso, seu brilho também é mais forte, principalmente para ambientes externos.

Outra vantagem interessante é o consumo ainda mais eficiente de bateria, aumentando o tempo de uso do celular. O Dynamic AMOLED 2X também recebeu certificação TUV Rheinland para proteção ocular. Isso quer dizer que ele emite menos luz azul, que pode cansar a vista.

Um pouco sobre taxas de atualização variáveis

Até aqui, falamos apenas de tecnologias empregadas nos paineis, de modo a tentar melhorar a qualidade da imagem, trazer mais eficiência e outras formas de iluminar a tela.

Contudo, temos outro pequeno detalhe interessante a tratarmos quando o assunto é display: taxas de atualização. É verdade que diversos aparelhos têm proporcionado mais fluidez e suavidade na navegação.

Contudo, em alguns modelos, isso pode ser um problema grave, já que tal recurso consome muita energia para se manter ativado. Pensando nisso, as empresas começaram a utilizar as taxas variáveis de atualização. Assim sendo, temos um gasto muito mais inteligente de energia, já que o aparelho aumenta e diminui de acordo com a demanda. Mas como é possível?

É aí que entram as famosas telas LTPO.

O display do iPhone 13 Pro finalmente trouxe maiores taxas de atualização para o flagship da Apple (Imagem: iPhone 13 Pro/Canaltech)

Tecnologias inovadoras

LTPO é o termo técnico e patenteado pela Apple, mas isso não quer dizer que outras fabricantes não utilizem tecnologias semelhantes.

À exemplo de outras formas de se reconhecer esse tipo de construção, a Samsung batizou sua versão de HOP. Mas, na prática, tem o mesmo objetivo: proporcionar taxas de atualização maiores e variáveis.

Isso mesmo, é graças a essas inovações de painéis que hoje temos celulares com frequência de atualização variáveis. Ou seja, a partir de inteligência artificial e outros recursos, o aparelho consegue baixar as atualizações — chegando até a 1 Hz — de modo a poupar energia da bateria.

Isso quer dizer na prática que, quando estiver lendo alguma matéria na internet ou livro, as taxas vão ser mais baixas. Entretanto, no momento que for jogar algum título com muita ação ou velocidade o celular vai oferecer o máximo de suavidade nas animações. Ou mesmo durante a navegação do aparelho, o display também consegue variar sua taxa de atualização.

Enfim, essas são as principais tecnologias utilizadas nos aparelhos atuais. Obviamente, temos algumas outras peculiaridades, como telas dobráveis.

Dessa forma, da próxima vez que estiver pesquisando um celular, lembre-se de dar uma atenção na tecnologia empregada no visor.

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É possível ver, cada vez menos, opções de celulares compactos à disposição no mercado. Por trás dessa realidade há um conjunto de fatores, como as múltiplas funções que um smartphone pode acumular. Saiba outros motivos que colaboram para o aumento das telas dos aparelhos. Assista ao vídeo POR QUE AS TELAS DOS CELULARES ESTÃO CADA VEZ MAIORES e se inscreva no Canaltech no YouTube.

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