Review Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl | Sinnoh merecia mais

Review Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl | Sinnoh merecia mais

Por Lucas Arraz | Editado por Bruna Penilhas | 01 de Dezembro de 2021 às 12h51
Divulgação/Nintendo

Os remakes de Pokémon sempre foram um momento mágico para a franquia. Esses jogos são a oportunidade perfeita de explorar a nostalgia de uma aventura, empurrando aquela trama para frente, com inovações tecnológicas dos consoles mais recentes da Nintendo. Pelo menos era assim até hoje.

Pokémon FireRed e LeafGreen trouxeram cores, uma nova história e conexão à internet para Pokémon Red e Blue. Pokémon Omega Ruby e Alpha Sapphire "marombaram" a terceira geração com mega evoluções inéditas, gráficos 3D e a possibilidade de voar em um Latios por Hoenn.

Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl, os aguardados remakes de Diamond e Pearl lançados em novembro para Nintendo Switch, falham miseravelmente em progredir com o material original. A dupla de jogos mais parece um Krabby, que dá passos para o lado em relação as aventuras que completaram 15 anos e foram lançados originalmente para Nintendo DS.

Não me leve a mal. Brilliant Diamond e Shining Pearl ainda são jogos de Pokémon que entregam as bases que minimamente todo fã espera. Os títulos servem o jogador mais uma vez com batalhas e capturas, o senso de aventura da franquia e a magia da série.

Os jogos funcionam como qualquer outro Pokémon funcionou nos últimos 25 anos e, provavelmente, vão agradar quem não se incomoda com a repetida fórmula da série. A pergunta que fica é: até quando o mínimo sustentará a franquia?

Uma Sinnoh sem brilho

Sinnoh pode não ser uma das gerações mais queridas para os fãs de Pokémon, mas os jogos da quarta geração devem ser reconhecidos pela sua importância. Diamond, Pearl e Platinum são um ápice de uma era. Os jogos reúnem o que de melhor Pokémon tinha inventado até o ponto de lançamento, como as batalhas em dupla, concursos de beleza, as mecânicas de entrevista, variações de clima e tantas outras infinidades de mecânicas que estão presentes no jogo.

Telas de início de Pokémon Diamond, Pearl e Platinum (Imagem: Reprodução/Nintendo/Montagem/Game Rant)

Diamond, Pearl e Platinum foram uma explosão de cores, cenários exagerados e uma história que expandiu as fronteiras do universo da franquia. Sinnoh introduziu Pokémon capazes de alterar toda a estrutura do tempo e o espaço e um conjunto de vilões que tinha o plano de destruir toda a realidade. A trama representava à época, toda uma nova escala de profundidade para a mitologia da série, que inclusive ganhou um Deus durante essa geração com a introdução de Arceus.

Com tantos passos arriscados para uma franquia tão conservadora, fazer um remake de Sinnoh não era tarefa fácil. Mas, terminada a campanha de Brilliant Diamond e Shining Pearl, a sensação que fica é que a Game Freak nem ao menos tentou surpreender o jogador e honrar o espírito inventivo da quarta geração.

Remakes de Sinnoh são cópias cruas de clássicos do Nintendo DS (Imagem: Reprodução/Nintendo/Montagem/Canaltech)

As adições nos novos jogos são interessantes, mas não sustentam o remake por si só. O Underground virou Grand Underground e mostra um labirinto subterrâneo com diversas salas com Pokémon e itens mais raros. É somente nessa nova mecânica que veremos Pokémon selvagens em tempo real mostrados no mapa, elemento que foi introduzido em todas as áreas nos jogos desde Let's GO Pikachu e Let's GO Eevee.

Entre as novidades, são destaques a possibilidade de personalizar pokébolas e alterar o estilo do protagonista. Sim, é possível mudar de roupa em Brilliant Diamond e Shining Pearl. A adição mais interessante é a construção de bases. É possível decorar um espaço só seu no Grand Underground e, com isso, atrair Pokémon mais raros, à medida que o jogador progride.

É legal explorar o mapa subterrâneo, mas a possibilidade perde a graça rapidamente. Existe pouco conteúdo em Grand Underground.

Grand Underground é novidade bem-vinda aos jogos (Imagem: Divulgação/Nintendo)

Diferenças entre Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl e Pokémon Platinum

Os remakes, pela primeira vez, ignoram a versão mais completa da geração original. Todo conteúdo de Platinum, incluindo a Battle Frontier, Distortion World e a reestruturação dos ginásios de Diamond e Pearl, simplesmente ficaram de fora de Brilliant Diamond e Shining Pearl. Apenas não tem sentido fazer um remake partindo de versões menos completas da história, mas é o que temos.

Os visuais Buddy Poké(mon)

A essa altura da Elite dos Quatro, já sabemos que a Game Freak não tem interesse ou braços o suficiente para entregar jogos que aproveitem ao máximo a capacidade gráfica do Nintendo Switch. Por mais que exista um clamor para Pokémon ganhar um jogo nos moldes de The Legend of Zelda: Breath of The Wild ou Super Mario Odyssey, lançados em 2017, é improvável que isso aconteça.

Pokémon Sword & Shield, lançados em 2019, ficam atrás das aventuras mais bonitas do Switch, mas são avanços consideráveis para uma franquia reticente a mudanças. Avanços esses que não vieram para os remakes.

Brilliant Diamond e Shining Pearl não adotaram os gráficos de Sword e Shield, mas sim um visual que lembra o Chibi. O estilo de desenho japonês prega uma forma mais fofa de desenhar personagens que parecem bonequinhos com cabeças grandes. Se você nasceu antes dos anos 2000, provavelmente vai associar o visual ao popular jogo social do Orkut, Buddy Poke.

Estilo Chibi marcam remakes de Sinnoh (Imagem: Divulgação/Nintendo)

É raso criticar um jogo apenas pelos seus gráficos. O estilo de arte de Brilliant Diamond e Shining Pearl é uma opção em um mundo em que refinamento de aparência não determina se uma aventura é boa ou ruim.

Os problemas com o visual dos remakes partem de outro lugar. Primeiro, os jogos tiram o brilho, a iluminação e a exuberância das cidades originais de Sinnoh. É até estranho, mas o mapa da quarta geração fica mais deslumbrante nas versões com pixels de antigamente, quando comparadas ao estilo com cores pastéis dos remakes.

Cidades ficaram menos vibrantes em remakes (Imagem: Divulgação/Nintendo)

Ainda existe um descasamento entre o design e a jogabilidade. Brilliant Diamond e Shining Pearl mantém as proporções dos mapas dos jogos originais, que terminam se embolando com a inédita possibilidade de mover o personagem na diagonal. Com rotas todas pensadas para o deslocamento vertical e horizontal, andar com o protagonista nos remakes é um exercício de paciência e de ficar batendo em quinas e portas.

A situação só se agrava à medida que o jogo avança e o jogador começa a perceber que os remakes não receberam o polimento necessário para o lançamento. Se Arceus é a estrela do momento da The Pokémon Company, o diabo está nos detalhes desses novos jogos.

Um estúdio que não entendeu Pokémon

Parte central do desenvolvimento de Brilliant Diamond e Shining Pearl ficou a cargo dos desenvolvedores da ILCA, um estúdio japonês que presta suporte a outras desenvolvedoras. A equipe trabalhou para finalizar títulos como Yakuza: Like a Dragon e assumiram a missão de executar as ideias dos diretores da Game Freak para os remakes de Sinnoh. O estúdio da The Pokémon Company está ocupado com o lançamento de Pokémon Legends: Arceus para janeiro de 2022.

Apesar do volante criativo de Brilliant Diamond e Shining Pearl estar nas mãos da Game Freak, esse é um Tauros desgovernado. Em diversos momentos, fica claro que o time de desenvolvimento não tinha experiência com Pokémon e não soube dar um polimento final necessário na jogabilidade.

O ponto mais crítico do jogo é a inteligência artificial. Treinadores adversários seguem um roteiro de ações nada reativas com as ações do jogador, o que leva uma campanha já fácil para um nível de tranquilidade e marasmo similar a tentar atravessar um oceano com um Lapras.

Com repetição de espécies selvagens e inteligência artificial não aprimorada, batalhas são gargalos em novos jogos da Nintendo (Imagem: Divulgação/Nintendo)

Muitas vezes os treinadores irão dar ataques de suporte ao invés de atacar um Pokémon do time do seu jogador com um golpe fatal super efetivo. A reação da inteligência artificial era um problema resolvido pela franquia e até mesmo replicado por fãs em modificações super difíceis como Pokémon Radical Red.

Os movimentos dos Pokémon também não fazem sentido muitas vezes. Quando fora da Pokébola, um Gyarados tem o tamanho de uma minhoca atrás do jogador enquanto Milotic apenas plana, estática, seguindo o treinador.

Um desconto seria negociável com a Game Freak, se há duas gerações atrás, Pokémon não tivesse incluindo as mecânicas de monstrinhos no mapa de forma perfeita. O que é apresentado nos remake é uma clara regressão para um jogo que mantém a faixa de preço nos R$ 300 no Brasil.

Vale a pena comprar Brilliant Diamond e Shining Pearl?

Quem tem pouco contato com os jogos principais de Pokémon ou nunca se aventurou por Sinnoh, vai encontrar o necessário para se divertir despretensiosamente com os remakes, sem grandes emoções.

O jogo pode ficar cansativo com a repetição da aparição de Pokémon selvagens nos matinhos, a burrice de treinadores adversários controlados pela IA e até times inimigos que possuem até seis vezes a mesma espécie de monstrinho. Mas as bases que fazem Pokémon uma franquia de sucesso até hoje, estão lá.

Para quem já conhece Sinnoh e há tempos se desgasta esperando que a franquia da Nintendo avance, Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl não tem o brilho anunciado pelo título. Faltou coragem e polimento para a aventura ser realmente um remake e um jogo a altura do tamanho da série.

Para os dois grupos de pessoas descritas, os títulos não valem o investimento cobrado na loja digital da Nintendo atualmente.

Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl foram analisados com cópias digitais gentilmente cedidas pela Nintendo. 

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.