Análise | COD: Cold War tem campanha enxuta e qualidade gigantesca

Análise | COD: Cold War tem campanha enxuta e qualidade gigantesca

Por Wagner Wakka | 24 de Novembro de 2020 às 09h20
Divulgação/Activision

Black Ops é uma das principais séries da franquia Call of Duty. Como o nome sugere, é baseada no esquadrão que precisa fazer operações na surdina, fora dos registros oficiais, motivados por um problema que pode acabar com a humanidade.

No caso de Cold War, a questão gira em torno do embate entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia diante de uma tensão pouco declarada entre os dois lados do mundo. É neste cenário que o jogador precisa matar o máximo de pessoas possível, massacrar alguns outros, além de torturar prisioneiros em busca de uma informação importante.

Call of Duty: Black Ops - Cold War é dividido em quatro modos. A campanha, que coloca o jogador no meio da batalha entre os dois países; o multiplayer, que adiciona mecanismos de battle royale ao gameplay; Warzone, que é efetivamente o mesmo battle royale lançado em separado pela Activision; e Zombies, a campanha cooperativa do jogo.

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De forma simples, Cold War é um retrato da Activision, que soube usar de todo aprendizado que acumulou nos últimos anos para fazer um jogo com técnica impecável. Como tradição, também há uma mistura de revisionismo histórico e exagero de mortes na campanha que merecem cuidado. Entretanto, não estragam as boas horas de gameplay que o título pode proporcionar.

A quem gosta da série, é um novo prato cheio de ideias e boas propostas. Vamos a elas.

História 

A narrativa começa na chamada crise dos reféns norte-americanos no Irã, onde o grupo de operações especiais descobre a existência de um inimigo chamado Perseus. Assim, o jogador e seu esquadrão partem em uma missão paramilitar e clandestina em busca desta pessoa. A trama passa por pontos interessantes da história da Guerra Fria, com combates na Turquia, Alemanha Oriental, Vietnã e outras localidades.

Como o game tem vários modos a serem produzidos, não espere da campanha de Cold War algo gigante com tramas a serem desenvolvidas. A narrativa é bem direta, com algumas poucas missões secundárias e uma trama a ser finalizada em cinco ou seis horas de gameplay.

Trama do jogo envolve descobrir quem é Perseus (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

O jogador encarna uma personagem de codinome Bell. A parte interessante está na personalização, que também influencia em modificadores na hora que se cria o personagem. Por exemplo: você pode ter bônus em tiro na cabeça ao ser mais calculista, ou perceber os inimigos mais facilmente ao ser paranoico. Pequenas mudanças que colaboram para uma gameplay mais variada.

A parte mais interessante da campanha de Cold War está certamente em seu caráter de espionagem. Como estamos falando de uma operação que, teoricamente, deveria acontecer por baixo dos panos, é preciso fazer menos barulho possível. Assim, há algumas fases e mapas em que o jogador é premiado por passar na surdina, até mesmo sem matar ninguém ou poucos adversários.

O pico está em um mapa que se passa dentro da sede da KGB, em uma reunião que inclui Mikhail Gorbachev, último líder da União Soviética. A sua missão como infiltrado na agência é roubar um cartão que dá acesso ao bunker para que o resto do grupo possa invadir o local.

Reunião é momento tenso com Gorbachev (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Assim, é preciso andar pelas salas e entrar em áreas proibidas escondido para obter esse cartão. Isso quebra, de modo positivo, aquele ritmo frenético que Call of Duty tem de tiro, porrada e bomba o tempo todo.

É interessante para uma narrativa de operação clandestina especial que haja esses momentos de mais espionagem e menos ação. Ajuda a criar uma tensão no ar e derruba o sentimento de invencibilidade que a série tem.

O fato de a campanha também ser diminuta possibilita grandes melhorias em ambientes e mecânicas. O prédio da KGB, por exemplo, é extremamente detalhado, com várias salas a serem visitadas e regiões restritas.

Prédio da KGB é um dos melhores momentos da campanha (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Soma-se a isso o fato de que o game tem diferentes finais, possibilitados também por uma trama que não pretende se alongar demais. Isso faz do modo história de Cold War suficiente, sem arestas e com bom ritmo. Uma bela pedida em meio a games que adicionam conteúdo para justificar seu alto preço.

Multiplayer 

Apesar de campanha ser muito bem desenvolvida, o que carrega e dá longevidade à franquia Call of Duty é seu multiplayer. Neste quesito, Cold War também não decepciona.

O game traz novamente os principais modos já consagrados da franquia, como mata-mata, captura de regiões, escolta, entre outros. A novidade neste sentido está em como o modo passou a englobar características dos battle royale.

Como citado no começo deste review, o jogo conta com Warzone, que é o modo battle royale propriamente dito e que não traz mudanças significativas. Entretanto, Cold War pega emprestadas várias das mecânicas do modo e as implementa no seu multiplayer básico.

Por exemplo: com mapas maiores, os jogadores precisam utilizar mais veículos como motos, jet-skis e carros para navegar pelo ambiente. Outra novidade emprestada de battle royales está em lançar os jogadores de helicópteros sempre que morrem, precisando cair no mapa de paraquedas, como acontece em Warzone.

Mapas do modo Dirty Bomb são enormes (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

No multiplayer, a principal novidade está no modo Dirty Bomb, onde são mais fortes os elementos de battle royale citados até agora. Aqui, 40 jogadores são separados em grupos de até quatro pessoas com o objetivo de armar uma bomba, coletando urânio pelo mapa.

O modo é bastante interessante, sendo que impressionam as riquezas e dimensões do mapa. Estamos falando de um modo online para 40 pessoas em que há árvores, casas, veículos e muitos itens pelo ambiente, sem que isso resulte em problemas de execução, mesmo no PlayStation 4.

Aliás, em se tratando de mapas, um dos mais interessantes é o Moship, criado na ligação entre vários navios atracados em alto mar. O ponto alto dele é que cair na água geralmente torna o jogador vulnerável, de forma que a fase se torna um obstáculo a ser superado por si só.

Zombies

Por fim, o modo cooperativo foi lançado desta vez já junto ao game principal. Por aqui, também há o multiplayer, mas a proposta é que jogadores de um mesmo time colaborem para combater hordas e mais hordas de zumbis.

O destaque do modo Zombies é que ele se permite ser menos sério, oferecendo toda sorte de maluquices, desde armas até inimigos a serem enfrentados. Então, espere um jogo mais “fora da caixa” do que você poderia experimentar em uma campanha ou multiplayer de Call of Duty.

Desta vez, os desenvolvedores também se apropriaram dos mapas multiplayer para o modo cooperativo. Isso fez com que os ambientes de Zombies também tenham os altos níveis de detalhe dos outros modos - o que não acontecia nos outros títulos da série.

Se você é a pessoa que busca aproveitar mais do que somente a campanha curta do game, mas não tem tempo de melhorar para cair no competitivo, este modo pode ser bem eficiente em garantir horas extras de diversão.

Boa versão? 

Call of Duty: Black Ops - Cold War entrega bem tudo que promete. A campanha é uma experiência curta, mas que reúne bons momentos balanceia bem duração e diversidade. Logo, aqui, menos é mais.

Jogo é cheio de detalhes, independente do modo em que você jogue (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Os modos multiplayer que estavam engessados há tempo na saga também ganharam novidades importantes. A absorção do battle royale nas mecânicas de combate básicas da série mostra um marco importante para Call of Duty.

A depender da aceitação dos jogadores sobre esta apropriação, é possível que vejamos nos próximos anos ainda mais a aproximação entre o multiplayer convencional e o battle royale na franquia. O que faz de Cold War um potencial jogo-chave na história de COD.

Por fim, a redução de conteúdo foi bem-vinda para refinar ambientes, mapas, mecânicas, movimentação, fazendo de Cold War um game com altíssimo nível técnico. O Canaltech teve a oportunidade de experimentar versões tanto para PlayStation 4 quanto PC (as imagens foram todas retiradas desta versão). Em ambas, com variações gráficas e de taxa de quadros, o título teve bom desempenho, sem problemas para rodar.

Já é visível a predileção dos desenvolvedores por aproveitarem da velocidade de SSD das próximas gerações. Isso porque na versão de PlayStation 4 há pequenas travadinhas quando se está no briefing da missão que mascara o loading, o que não aconteceu no PC com SSD. Fora isso, sem problemas.

Se você é um amante da série, tem tudo para se esbaldar neste novo game. Caso seja somente um curioso, daqueles que não se aprofundam no multiplayer, este Call of Duty também tem espaço para você.

Call of Duty: Black Ops - Cold War foi desenvolvido em colaboração pela Treyarch e Raven Software, com publicação pela Activision. O jogo foi lançado em 13 de novembro para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S, além de PC, via Battle.net.

Esta análise foi realizada com cópias para PC e PlayStation 4 cedidas pela Activision.

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