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Review Avatar: Frontiers of Pandora | Um jogo feito exatamente pra quem?

Por| Editado por Durval Ramos | 18 de Dezembro de 2023 às 18h00

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Existe uma conversa sobre o verdadeiro impacto da franquia Avatar na cultura pop. Apesar de ter os filmes com as maiores bilheterias da história (sem ajuste de inflação), eles são longas, que depois da estreia, ninguém mais fala deles. Vimos isso acontecer depois do lançamento do filme original, em 2010, e de novo após o novo O Caminho da Água. O longa foi lançado em 2022 e há um terceiro a caminho, mas só se fala em outra coisa por ái.

Isso pode ser por escolha do diretor James Cameron, que foca seus esforços na criação de tecnologia para dar vida ao universo que criou. Porém, com o lançamento de Avatar: Frontiers of Pandora, jogo que adapta esse universo tão rentável nos cinemas para os videogames, parece que existe um movimento para tornar a franquia algo mais presente na mente do público geral.

Não tem nada de errado com isso, até faz bastante sentido, mas o esforço da Ubisoft com o novo jogo levanta uma questão bem importante: esse jogo foi feito pra quem?

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Uma história tão profunda quanto à do cinema

Avatar nunca teve uma história realmente impressionante. Boa parte do que chama atenção na franquia é a maestria técnica empregada na criação dos efeitos especiais, com uma tecnologia até então inédita para criar efeitos 3D que dessem vida e profundidade ao planeta Pandora. A história é algo que acaba ficando como um pano de fundo para as belíssimas imagens que ficam na memória.

Avatar: Frontiers of Pandora é exatamente assim. Tecnicamente, o jogo é muito bonito. A criação de Pandora realmente salta aos olhos, e é impressionante ver os detalhes do mundo criado por James Cameron. Só que o filme tende a avançar a trama, apresentando visuais cada vez mais bonitos, o que acaba não acontecendo no game.

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Frontiers of Pandora é lindo, mas quando você percebe o quão repetitivo ele é, toda essa beleza acaba perdendo o encanto. Isso poderia ser resolvido com uma história mais envolvente, mas a Ubisoft parece ter se empolgado demais com o visual e não deu tanta ênfase à narrativa, fazendo com que toda essa beleza logo se tornasse vazia e cansativa.

Se toda a parte técnica é muito legal, a história é a mais superficial possível, colocando um clã Na'vi que é eliminado e as crianças sobreviventes capturadas e criadas pela RDA, a organização militar que explora o mundo de Pandora.

Esses sobreviventes acabam sendo colocados em criogenia por 16 anos quando tentam fugir e só são acordados devido à evacuação da base, reflexo dos acontecimentos do primeiro Avatar. Um personagem, que pode ser customizado pelo jogador, assume a posição de herói, trabalhando com a resistência Na'vi e de humanos para salvar Pandora de seus colonizadores.

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Tudo é tratado de maneira bastante rasa, com momentos que deveriam causar alguma emoção no jogador passando como se fossem nada. Isso acontece porque aparentementeo game supõe que o jogador é um grande fã de Avatar e está completamente investido na história dos filmes e dos Na'vi.

Isso faz com que uma história que poderia explorar bem melhor temas como preservação do meio ambiente, colonialismo, entre outros, acabe sendo uma desculpa para fazer o jogador correr de um lado para o outro para fazer missões repetitivas por 20 horas.

Far Cry de Avatar

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Desde as primeiras imagens de Avatar: Frontiers of Pandora, muitos enxergavam o game como um Far Cry com skin de Avatar. Jogando o game, é possível dizer que a estrutura é basicamente a mesma, mas alguns poderes característicos dos Na'vi tornam o gameplay um pouco mais interessante.

Mesmo assim, se você é alguém que já está cansado da fórmula de Far Cry, talvez o game não vá te agradar. Você basicamente fica correndo pelo cenário para chegar a bases, acabar com elas, liberar o mapa e ajudar personagens com itens ou para eliminar inimigos.

Essas missões são repetidas por várias horas, sendo que, na metade da campanha, você já está exausto de ficar fazendo as mesmas coisas. Isso é uma pena, porque os controles do game são bem agradáveis. Se, no começo, eles parecem um pouco estranhos, com o seu personagem parecendo mais pesado do que deveria, logo as coisas ficam mais dinâmicas e a movimentação e combate se tornam bastante fluidos.

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Sabe qual jogo que é exatamente assim? Far Cry. Isso não significa que o jogo seja exatamente a mesma coisa, com Pandora como cenário e uns personagens grandes e azuis, mas todo o espírito de Frontiers of Pandora vem de outro título.

Particularmente, eu não sou o maior fã de Avatar, apesar de achar uma franquia que beira a perfeição técnica. Só que sinto nos filmes a mesma coisa que senti com o jogo: falta alma em tudo o que é feito relacionado a Avatar.

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É tudo lindo, muito bem feito, mas falta personalidade ao jogo. Você já viu tudo o que ele tem para oferecer em outros lugares, feito de um jeito que parece mais sincero. Existe uma certa esterilidade na qualidade técnica que o jogo apresenta.

É errado pensar que o jogo é ruim, porque ele não é, mas é o tipo de game que não faz muito sentido além de ser um produto licenciado sem alma. É muito bem feito, com cada desenvolvedor merecendo parabéns pelo seu trabalho, mas que não empolga em momento algum. Incomoda porque você percebe que o esforço colocado em um jogo como esse poderia ter sido utilizado em algo muito mais interessante.

Avatar: Frontiers of Pandora está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series S e X.