Publicidade

Hands-on | Novo Prince of Persia soma elementos com resultado bem interessante

Por| Editado por Durval Ramos | 13 de Dezembro de 2023 às 14h00

Link copiado!

Divulgação/Ubisoft
Divulgação/Ubisoft
Tudo sobre Ubisoft

Nunca é um bom começo quando falamos de um game fazendo referência a outros. Trata-se de uma armadilha de falta de personalidade e autenticidade, na qual Prince of Persia: The Lost Crown teima em não cair. Na verdade, é o contrário, e ao trazer a franquia de volta com uma perspectiva lateral que ecoa ao passado, o game também se aproveita de elementos bem colocados do mercado atual.

A proximidade mais óbvia, claro, vai de The Sands of Time em diante, com menos ecos de seu passado clássico e mais de sua era moderna — se é que podemos chamar assim uma sequência iniciada por um título de quase 20 anos atrás. Controlamos Sargon, o membro mais jovem dos Imortais, um grupo de guerreiros de elite que servem à realeza da Pérsia.

Continua após a publicidade

É após um combate ferrenho, que também serve para nos adequarmos ao controle, que iniciamos uma jornada altamente inspirada pelos Metroidvanias de hoje. Pelo caminho, criaturas gigantescas, inimigos comuns (mas não menos desafiadores), aliados e mistérios, além de um sistema de evolução sem pressa nenhuma.

Um mundo novo, mas com ar familiar

O sequestro de Ghassan pelas mãos de um dos membros dos Imortais dá início ao game e, também, um de seus elementos inusitados. Estaria o título do game nos entregando um spoiler ao indicar que o protagonista não é o Principe da Pérsia, mas sim a vítima que ele precisa resgatar?

Foi com essa pergunta em mente que iniciamos nossa aventura pelo Monte Qaf, onde Prince of Persia: The Lost Crown se situa. O Canaltech teve acesso a uma amostra de mais de três horas de um título que promete ter mais de 20 horas de duração — e foi o suficiente para ser fisgado e, principalmente, querer muito mais.

Continua após a publicidade

Um grande motivo para isso é o fato de, mesmo altamente dependente de habilidades e da evolução de Sargon, sempre existir um caminho para prosseguir. O novo game da Ubisoft usa pouco um recurso comum nos Metroidvanias, até exibindo ao jogador caminhos que ele ainda não pode alcançar e tesouros inatingíveis, mas sempre deixando claro que há muito a fazer com as possibilidades que estão à mão.

Outro elemento que passa essa sensação de progressão, ainda que não ligada às habilidades do protagonista, aparece na variação de cenários. Acredite, jogamos por 3h30 e passamos por vários ambientes diferentes, cada um deles com seu próprio desafio e categoria de inimigos, e mal arranhamos a superfície do que Prince of Persia: The Lost Crown tem a oferecer.

De bibliotecas ocultas a masmorras e até uma floresta, também percebemos o que o conjunto gráfico do game deseja entregar. Ainda que seja um título com visão lateral e movimentação 2D, o novo Prince of Persia tem muito acontecendo no plano de fundo e, inclusive, faz uso de mecanismos interessantes de perspectiva para alterar os cenários e criar novos caminhos para avançar.

Continua após a publicidade

Uma estátua gigantesca que parece presa no tempo, por exemplo, pode ser manipulada para criar plataformas que nos ajudam a subir. Em outro momento, recebemos a ajuda de um companheiro Imortal no combate contra inimigos, de forma tão natural que parece termos outro jogador humano ali. Tudo acontece em tempo real, praticamente sem carregamentos na versão PC a que tivemos acesso.

Em meio a isso, temos os inevitáveis tons de soulslike, vindos de uma dependência às vezes excessiva por defesas bem realizadas e ataques inimigos indefensáveis. Por outro lado, temos a colher de chá dos jogos de plataforma modernos já que, pelo menos nas batalhas contra chefes de fase gigantescos e impactantes, não voltamos diretamente aos checkpoints, ainda que estes, quando usados, recuperem energia e revivam os oponentes derrotados.

Continua após a publicidade

O mapa cheio de caminhos verticais e horizontais também ganha uma bela ajuda dos sistemas de acessibilidade, com marcadores digitais ou aqueles que fazem parte da história servindo para indicar pontos de interesse e objetivos. Ainda temos as já citadas habilidades que abrem novas rotas e progridem a história de forma natural, com tempo mais do que suficiente para que o jogador entenda as novas dinâmicas e se acostume com o funcionamento desse mundo.

Mistérios da Pérsia

Os elementos de jogabilidade também se entremeiam à história. Ao encontrar um valioso arco de flechas mágicas que pertence a um amigo guerreiro, Sargon nota que ele está nas mãos de alguém bem conhecido: ele próprio, mas morto em outra realidade. O que foram algumas horas para nós, a outro companheiro, durou dias, enquanto soldados que mal chegaram a Qaf não só são encontrados mortos, mas em avançado grau de decomposição.

Continua após a publicidade

A trama de Prince of Persia: The Lost Crown, então, não se resume apenas ao sequestro do Príncipe da Pérsia e à traição de um dos companheiros do protagonista, logo no início, mas a algo muito maior. E novamente, para contar isso, a Ubisoft de Montpellier utiliza referências e elementos visuais bem criativos e marcantes.

Um combate específico, mais para o final da demonstração, é como uma piscadela aos fãs de anime, enquanto a forma como Sargon encara alguns oponentes maiores nos remete a God of War. Ainda que exista pouco espaço para o diálogo, com poucas cutscenes durante nossa experiência, alguns dos Imortais ficaram marcados na mente, assim como a vontade de jogar com eles em um possível modo extra.

Continua após a publicidade

O que vimos é um game altamente polido, a pouco mais de um mês de seu lançamento, mas que também faz questão de se provar. Diante da recepção negativa ao anúncio de Prince of Persia: The Lost Crown, os envolvidos no título batem no peito e acreditam no produto que estão entregando. Em nossa experiência, deu para notar que eles estão certos nessa confiança.

O novo game da Ubisoft pode não ser o título da franquia que os fãs esperavam, mas pode representar um salto de fé em uma nova direção, com um olho no passado e outro no futuro. A experiência é consistente, mesmo fazendo muitas referências, e merece a atenção de quem espera um novo Prince of Persia ou apenas busca um novo Metroidvania para explorar.

Quando Prince of Persia: The Lost Crown vai ser lançado?

Prince of Persia: The Lost Crown tem lançamento marcado para o dia 18 de janeiro de 2023, em versões PC, PS5, PlayStation 4, Xbox One, Xbox Series X|S e Nintendo Switch. O game chega localizado em português, mas sem dublagem.