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Governo da Coreia do Sul vai investir em games e quer ser potência até 2028

Por| 03 de Maio de 2024 às 14h12

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Captura de Tela/Durval Ramos/Canaltech
Captura de Tela/Durval Ramos/Canaltech

O sucesso de Lies of P e Stellar Blade pode ter sido apenas o primeiro capítulo da expansão da Coreia do Sul no mercado de games para consoles. O país asiático parece estar realmente interessado em expandir sua influência cultural tão presente na música nas séries de TV também para os jogos, mirando um aumento na participação no mercado global ao longo dos próximos anos.

E esse seria um objetivo do próprio governo coreano. Segundo o site The Korea Times, o Ministério da Cultura, Desporto e Turismo do país anunciou que vai investir mais na produção de jogos para consoles e PCs para quem mais games vindos da península cheguem aos consoles. A meta é que, até 2028, a Coreia esteja entre as principais produtoras de títulos assim.

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Para isso, a pasta deverá iniciar um trabalho de cooperação com diferentes empresas mundo afora, principalmente as três grandes fabricantes — Microsoft, Nintendo e Sony. No caso desta última, os frutos já começaram a aparecer, com Stellar Blade sendo muito divulgado como um dos principais exclusivos do PlayStation 5 em 2024.

Mudança de foco

A intenção do governo coreano, de acordo com o site, é aumentar a importância do país no mercado global na mesma medida em que expande também seu potencial criativo. Atualmente, o país é o quarto maior mercado de games no mundo, mas com uma participação de apenas 1,5%. 

E aí está o foco principal das ações governamentais. Além de aumentar essa porcentagem, o ministério quer também variar o tipo de jogo que a Coreia está habituada a fazer. No cenário atual, o país é conhecido sobretudo por seus jogos online e mobile, o que explica o interesse em firmar essas parcerias com as fabricantes de console.

Em 2022, o mercado de jogos somou mais de US$ 16,4 bilhões em receita de games. O detalhe, porém, era que 40% desse total corresponde ao mercado mobile. Por um lado, mostra a força do setor no país da Samsung e LG, mas também a dependência do mercado local a um único tipo de produto. Por isso o envolvimento estatal para diversificar a produção.

Outro ponto importante destacado pela página é que a intenção do governo é não limitar esses futuros games ao mercado interno, mas lançá-los internacionalmente, com ênfase no Ocidente. 

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Um novo capítulo do soft power coreano

O envolvimento do governo coreano em toda essa estratégia de expansão não chega a ser surpresa. A Coreia do Sul é conhecida justamente pelos incentivos dados aos setores culturais, o que ajudou a atrair a atenção de toda uma geração para o país. O k-pop e os k-drama são dois exemplos de produtos que também contam com esse impulsionamento governamental e que conquistaram o mundo.

E é claro que há uma estratégia política e econômica por trás de tudo isso. Mais do que ter alguém de alto escalão que adore BTS ou jogar videogame, o investimento nesses setores culturais faz parte do desenvolvimento do soft power sul-coreano, no qual ela vende uma imagem do seu país para o restante do seu país para o restante do mundo, ao mesmo tempo em que apresenta sua tecnologia e até hábitos culturais para além de suas fronteiras.

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Basta reparar a explosão de cursos de coreano que surgiram no Brasil nos últimos anos, assim como de restaurantes típicos do país. São exemplos bastante simples, mas que mostram como a popularização do k-pop e dos k-dramas aumentaram o interesse do brasileiro no país.

Com os games, não é diferente. Por décadas, os jogadores tiveram o Japão como esse templo da tecnologia e da inovação mediada pelos jogos — algo que ainda perdura, ainda que não com a mesma intensidade de décadas atrás. E é nesse tipo de influência que a Coreia do Sul parece estar mirando.

Ao mesmo tempo, ver a entrada de um novo país ao mercado de jogos é algo bastante benéfico para o jogador, que passa a receber títulos que trabalham com outras temáticas e influências. Stellar Blade e Lies of P são exemplos disso e que nos fazem imaginar o que está por vir nos próximos anos.

Fonte: The Korea Times