Fortnite | Epic Games acusa Google de tentar impedir acordos com LG e OnePlus

Por Felipe Demartini | 17 de Agosto de 2020 às 10h22
Divulgação/Epic Games

A Epic Games não poupou acusações ao abrir processos contra Apple e Google por monopólio, depois de ambas as empresas removerem Fortnite de suas lojas de aplicativos na última sexta-feira (14). E nos papeis registrados na justiça americana, a desenvolvedora do game do momento acusa a dona do Android de impedir acordos com a OnePlus e a LG, cujos aparelhos trariam o game pré-instalado, mas não a partir da Play Store.

De acordo com os papeis, em ambos os casos, o Google exerceu pressão sobre as fabricantes para que esse método não fosse utilizado, sinalizando possíveis bloqueados relacionados à instalação de aplicativos de fora da Play Store ou indicando preocupações de segurança relacionadas ao download de aplicações por fora de seu próprio marketplace.

Por conta disso, segundo o processo, a OnePlus se viu obrigada a voltar atrás em um contrato já assinado com a Epic Games, que envolvia a pré-instalação de Fortnite nos dispositivos da marca, o que inclua também uma versão com performance melhorada. Nos dispositivos da série 8 da marca, o título rodaria a 90 quadros por segundo, com desempenho maior que todos os celulares da concorrência e até mesmo consoles de mesa como o PlayStation 4 e Xbox One. Por conta de tais indicações, esse lançamento só foi possível na Índia.

Já no caso da LG, a fala do Google teria impedido completamente a assinatura de um acordo, com a dona do Android indicando que, em algum momento de 2020, a instalação de aplicativos por fora da Play Store seria bloqueada completamente. A indicação da gigante seria para que a marca coreana aguardasse o lançamento de Fortnite na Play Store — que só foi acontecer em abril deste ano e teve vida curta, já que neste mês de agosto, a relação entre as empresas azedou e o jogo foi retirado do ar.

Na ação, a Epic Games afirma que não fossem tais imposições, seria capaz de entregar seus jogos e conteúdos diretamente aos consumidores sem o que chamou de “restrições anticompetitivas” impostas pela loja de aplicativos do Google. A desenvolvedora indicou, ainda, que o próprio lançamento do jogo na Play Store estaria relacionado a tais restrições, como forma de garantir que, no final das contas, os usuários tivessem acesso ao título, ainda que não da forma imaginada por ela.

A tensão nos bastidores se tornou pública na última sexta, quando a Epic Games mudou sua política de monetização de conteúdo para Fortnite e declarou guerra tanto à Apple quanto à Google. Em ambas as versões de Fortnite, a empresa liberou uma opção de compra de itens direta, sem utilizar os meios de pagamento da App Store e Play Store, o que configura uma quebra nos termos de uso de ambos os marketplaces, que obrigam desenvolvedores a utilizarem tais opções e, por consequência, arcarem com uma taxa para as donas das plataformas a cada venda realizada.

O resultado foi um processo aberto na própria sexta, recheado de acusações de monopólio contra Apple e Google justamente em um momento no qual grandes empresas de tecnologia passam por escrutínio do governo dos Estados Unidos justamente por temas relacionados a isso. Além disso, no mundo virtual, a Epic Games inicou uma campanha junto aos jogadores, com direito a comercial imitando a clássica propaganda da Maçã inspirada em 1984 e evento dentro do próprio título.

O Google não se pronunciou sobre as alegações da Epic Games relacionadas aos acordos com fabricantes de celulares. Da mesma forma, LG e OnePlus não falaram publicamente sobre a citação no processo movido pela desenvolvedora contra a dona do Android.

Fonte: The Verge

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