Call of Duty: Vanguard reflete momento de virada da guerra e também da produtora

Call of Duty: Vanguard reflete momento de virada da guerra e também da produtora

Por Felipe Demartini | Editado por Bruna Penilhas | 19 de Agosto de 2021 às 14h45
Divulgação/Activision Blizzard

A cada novo Call of Duty, a história é o fio condutor de todas as novidades que estão disponíveis nos populares modos multiplayer e, principalmente, o gratuito Warzone. É assim ano a ano, o que torna curioso notar que em Vanguard, o novo game da franquia com lançamento marcado para novembro, a campanha single-player acabe sendo justamente o fator que parece atrair mais a atenção e, principalmente, o amor dos desenvolvedores.

Isso se deve a uma sinergia única que acontece nos bastidores e, em forma de jogo, se traduz em visuais que fazem bom uso das mecânicas de nova geração e tentam entregar uma história baseada em fogo, tiro, heroísmo e conflito. Call of Duty: Vanguard novamente nos leva à Segunda Guerra Mundial, no momento mais importante do conflito global — é também um ano de virada para a própria desenvolvedora Sledgehammer Games.

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A empresa está completando 10 anos desde seu primeiro lançamento na franquia Call of Duty, quando colaborou com a Infinity Ward em Modern Warfare 3. Hoje, são mais de 200 funcionários espalhados por dois países, com um estúdio recém-aberto em Melbourne, na Austrália, se unindo à base central em Toronto, no Canadá. “[Vanguard] também é parte de um processo de reformulação do estúdio e da forma como desenvolvemos jogos”, afirma Aaron Halon, diretor da Sledgehammer Games, em entrevista e apresentação coletiva para jornalistas a qual o Canaltech pôde participar.

O fogo que queima agora teve seu estopim em 2017, quando a desenvolvedora lançou Call of Duty: WWII, que atendeu aos desejos dos fãs e levou a franquia de volta à Segunda Guerra Mundial, período em que se passam os primeiros games da série. Para Halon, a oportunidade de resgatar as origens da marca foi uma honra para os produtores que, agora, podem fazer isso novamente e ainda encontrar um caminho diferente na nova geração de plataformas.

Isso transparece no game com uma mudança de abordagem, que não deixa de lado o clima frenético das campanhas anteriores, mas vem para contar uma história mais pessoal e intimista. Vanguard se passa nos momentos derradeiros do conflito, quando a Alemanha nazista sabe que está perdendo a guerra e os Aliados trabalham para desferir golpes contra o círculo interno do oponente.

Foi assim que nasceram as Forças Especiais, com as nações envolvidas no conflito selecionando seus principais soldados para agirem em missões secretas e altamente especializadas. É dessa ideia, também, que vem a gênese de um grupo de quatro personagens, de diferentes países, que se unem com a missão de assassinar o diretor da Gestapo, Heinrish Freisinger.

Protagonistas de Call of Duty: Vanguard são inspirados em heróis reais da Segunda Guerra Mundial, enfrentando um vilão igualmente baseado na realidade (Imagem: Divulgação/Activision Blizzard)

“Nossa história é ficcional, mas tem raízes reais. Consultamos historiadores e tomamos inspirações nos eventos [de verdade], sempre com o foco de criar um enredo autêntico e realista”, conta Halon. Isso se aplica, por exemplo, na inspiração por heróis da guerra para compor o time de protagonistas de Call of Duty: Vanguard, assim como o próprio Freisinger, um vilão inspirado em Heinrich Himmler, comandante da SS e parte do círculo interno de Adolf Hitler.

“A Segunda Guerra Mundial foi um conflito global, com vários eventos acontecendo ao mesmo tempo. Nosso foco está nas histórias pessoais”, explica Josh Bridge, diretor de Call of Duty: Vanguard. A partir disso, conta ele, foi possível criar um enredo que levasse o jogador da Europa ao norte da África, enquanto o grupo de soldados especializados é construído e colocado em Berlim, no coração da Alemanha nazista, para desferir um golpe certeiro ao regime. Também se desenha uma trama que dialoga com os tempos de hoje, sem revisionismos históricos nem romantização de um combate que deixou marcas dolorosas até os dias de hoje.

“A guerra afetava as cidades e entrava nas casas das pessoas. O conflito mudou a vida de todos, mesmo quem não estava lutando ou nem queria fazer isso”, completa Belinda Garcia, designer associada de narrativa do game. Com isso, entrou em cena os avanços gráficos de Call of Duty: Vanguard, com a desenvolvedora usando o visual para contar a história, aliado do próprio roteiro e seus personagens centrais.

Luz e sombra

Jogabilidade faz uso das características dos novos consoles, com a iluminação sendo elemento essencial para criar o clima de Call of Duty: Vanguard (Imagem: Divulgação/Activision Blizzard)

Em um trecho exibido pela produtora à imprensa, vimos como isso se traduz em termos de jogabilidade. A missão se passa na véspera do Dia D, a grande invasão de tropas americanas à Normandia, mas começa com um acidente aéreo que deixa o protagonista sozinho e desarmado, enquanto soldados nazistas vasculham a área em busca de sobreviventes.

Quem não conhece Call of Duty poderia até pensar que é um jogo de sobrevivência, enquanto o jogador se esgueira entre árvores e usa escombros para se esconder, guiado pela luz dos disparos e vozes dos inimigos. Um encontro com um aliado é um breve alívio até que ele é rasgado por um disparo de escopeta e, assim, o protagonista chega a uma vila, onde acaba sendo encontrado pelos alemães, não sem antes obter um rifle para conseguir se defender.

Efeitos de luz, assim como reflexos e alterações de ambiente, parecem ser o mote da jogabilidade, que também aparece em outras cenas vistas pelo Canaltech. Em determinado momento da apresentação, o jogador localiza um soldado inimigo pela sombra atrás de um lençol no varal, enquanto ao se esconder em no porão, a luz do fogo crepitando do lado de fora invade o local escuro a partir dos buracos de bala abertos na porta de madeira.

Veículos serão parte integrante da campanha de Call of Duty: Vanguard, com quatro histórias que se unem para criar as Forças Especiais e combater um inimigo comum (Imagem: Divulgação/Activision Blizzard)

Mesmo em uma exibição online, com todos os problemas de conexão e compressão que isso envolve, deu para perceber o nível gráfico elevado do jogo. De acordo com Bridge, será assim ao longo de todo o título e isso inclui também o modo multiplayer, que terá recursos especiais que controlam o andamento dos combates, com modos que criam batalhas mais diretas e significativas ou os velhos confrontos campais que os fãs da franquia já estão acostumados a ver.

“Queremos que os tiros tenham maior valor e façam sentido. Assim, criamos sistemas que controlam a experiência e também elementos de progressão que alteram o andamento das batalhas”, explica Greg Reisdorf, diretor de conteúdo do modo online de Call of Duty: Vanguard. Segundo ele, tal trabalho se aplica a praticamente todos os aspectos da partida, desde o dano causado pelos disparos até o tamanho do mapa, quantidade de jogadores e objetivos. Aqui também entram em jogo as listas de reprodução, que trazem variação e permitem que os usuários tenham um pouco de cada formato ao longo das partidas.

No lançamento, Call of Duty: Vanguard contará com mais de 20 mapas, que como sempre, refletem os momentos importantes da campanha principal. Novos modos também estão sendo preparados e devem ser revelados em um momento futuro, enquanto testes e experimentações já mostraram que essa abordagem mais tática se deu muito bem entre os jogadores.

Lançamento de Call of Duty: Vanguard também marca momento de virada para a desenvolvedora Sledgehammer Games, que está revendo a forma como desenvolve seus jogos (Imagem: Divulgação/Activision Blizzard)

As mudanças de postura e direcionamento dos trabalhos de que falamos no início do texto também se aplicam ao conteúdo posterior ao lançamento. Como você já deve imaginar, Vanguard terá sua dose de materiais adicionais e expansões gratuitas liberadas ao longo de seu ciclo de vida, além de conexões ao todo poderoso Call of Duty: Warzone, o battle royale gratuito que é um dos maiores sucessos recentes da Activision.

Os estúdios da empresa sempre trabalharam lado a lado, mas desta vez, esse crossover será ainda maior. Os produtores não revelaram muitos detalhes destas parcerias, mas afirmaram que, enquanto a própria Sledgehammer Games é a responsável pela campanha e pelo multiplayer de Vanguard, o novo Call of Duty também contará com um modo Zumbis, desenvolvido pela Treyarch para contar as origens da infecção vista no jogo anterior, Black Ops: Cold War. Enquanto isso, um novo mapa de Warzone fica nas mãos da Raven.

Todas as novidades formam uma nova fase para uma franquia que parece ter recuperado o rumo nos últimos anos, após um período de perda da própria identidade. Os planos, como a Sledgehammer deixou claro, são tão ambiciosos quanto a própria força de Call of Duty e sua posição como uma das marcas mais jogadas da qualidade. Acima de tudo, é interessante notar que esse terreno lucrativo ainda é fértil a tentativas de mudança.

Call of Duty: Vanguard chega em 5 de novembro ao PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X e Xbox Series S.

Nota do editor: neste momento, a Activision Blizzard está sendo investigada por denúncias de assédio sexual, assédio moral e má conduta. Para mais informações, clique aqui.

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