Edward Snowden pede que Trump conceda perdão a Julian Assange

Edward Snowden pede que Trump conceda perdão a Julian Assange

Por Felipe Demartini | 04 de Dezembro de 2020 às 13h40
Jack Taylor/Getty Images

Edward Snowden pediu ajuda a uma personalidade inusitada em um posicionamento público a favor de Julian Assange. Em uma publicação no Twitter, o delator pede que Donald Trump conceda a liberdade do criador do WikiLeaks, afirmando que o presidente americano seria o único capaz de salvar a vida dele, que enfrenta acusações de espionagem e vazamento de segredos militares, além de um processo de extradição para os EUA.

Na visão de Snowden, esse seria o único ato de clemência de Trump durante seu período na Casa Branca, que chega ao fim em janeiro. O apelo foi citado pela imprensa internacional como desesperado e, também, uma indicação de que a situação de saúde de Assange pode ter se agravado, na medida em que se aproxima o julgamento final sobre a extradição do jornalista aos Estados Unidos, marcado para o início do ano.

Após quase sete anos exilado na embaixada do Equador em Londres, Julian Assange foi preso pelas autoridades do Reino Unido em abril de 2019 e sentenciado a um ano de prisão por descumprir termos de liberdade condicional relacionados a um processo por assédio sexual. Ele permanece encarcerado, agora, aguardando o julgamento relacionado a um indiciamento do governo dos EUA sob o Ato de Espionagem.

A acusação gerou críticas de partidários da liberdade de imprensa, com afirmações de que a Casa Branca estaria ferindo os direitos de Assange enquanto jornalista. O julgamento final sobre a extradição está marcado para 4 de janeiro e, durante o período na prisão de Belmarsh, o estado de saúde do delator teria piorado significativamente, ao ponto de uma junta de 60 médicos publicar um apelo afirmando que ele morreria no cárcere caso não recebesse atendimento hospitalar.

Entre os documentos liberados por Assange e que levaram a seu indiciamento estão registros sobre a ação de militares americanos durante as guerras no Afeganistão e Iraque, além de um vídeo que ficou conhecido como Assassinato Colateral, mostrando um ataque de helicópteros na capital iraquiana, Bagdá, que resultou na morte de jornalistas e pessoas inocentes, enquanto os responsáveis riam do ocorrido. Além disso, veio dele a revelação do chamado Cablegate, revelações de comunicações diplomáticas entre embaixadas americanas com análises sobre países aliados e rivais, bem como iniciativas de intervenção e interferência em políticas locais.

O próprio Snowden, inclusive, é indiciado por crimes semelhantes sob o Ato de Espionagem. Ele foi o delator responsável pela revelação de um esquema de espionagem ostensiva praticado pela NSA e outras agências de inteligência do governo dos EUA, focado, inclusive, em cidadãos norte-americanos. Ele está exilado na Rússia e, em outubro de 2020, recebeu permissão para morar no país de maneira permanente.

Fonte: Edward Snowden (Twitter)

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