NSA instalou programa de espionagem em milhares de computadores no mundo todo

Por Redação | 15 de Janeiro de 2014 às 14h09
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A novela da espionagem norte-americana acaba de ganhar mais um capítulo. E desta vez o assunto é ainda mais preocupante: segundo novos documentos revelados por Edward Snowden ao jornal The New York Times, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) desenvolveu tecnologias que permitem monitorar dispositivos eletrônicos mesmo quando eles estão desligados ou desconectados da internet.

De acordo com a publicação, a NSA implantou programas de vigilância em quase 100 mil PCs de todo o mundo utilizando redes de computadores, mas também usou a radiofrequência, que permite invadir as máquinas mesmo que elas não estejam online na web. Ativa desde 2008, a tecnologia foi batizada de "Quantum" e utiliza sinais de ondas de rádio escondidos que podem ser transmitidos a partir de pequenas placas de circuito e cartões USB inseridos secretamente em PCs. Em alguns casos, a informação é recolhida por uma estação do tamanho de uma maleta que as agências de inteligência podem colocar a milhares de quilômetros do alvo.

O jornal revela que a instalação dessas peças precisa ser feita fisicamente, ou seja, um espião, uma fabricante ou um simples usuário pode colocar o hardware no aparelho. "A tecnologia de frequência de rádio ajudou a resolver um dos maiores problemas enfrentados pelas agências de inteligência americanas por anos: entrar em computadores que adversários e alguns parceiros dos EUA tentavam tornar impermeáveis à espionagem ou a ataques cibernéticos", disse o NYT.

Os alvos mais frequentes monitorados pela NSA através do Quantum são os seguintes: Exército da China – acusado por Washington de conduzir ataques digitais contra militares e empresas dos EUA –, Forças Armadas da Rússia, Polícia do México e os cartéis do tráfico de drogas, instituições de comércio da União Europeia e países aliados na luta contra o terrorismo, como Arábia Saudita, Índia e Paquistão.

Em resposta à reportagem, a NSA não comentou sobre o programa Quantum, mas garantiu em comunicado que seus "esforços são mais uma defesa ativa" contra os ciberataques estrangeiros do que uma ferramenta ofensiva de vigilância em massa. "Nós não usamos nossos serviços de inteligência para roubar segredos comerciais de companhias estrangeiras em benefício das empresas dos EUA e sua competitividade internacional", afirmou a porta-voz da NSA Vanee Vines.

Nesta semana, o presidente Barack Obama deve decidir quais medidas de especialistas irá adotar para reformular o sistema de coleta de dados da Agência. Obama deve se reunir ainda hoje (15) com líderes da comunidade de inteligência e membros do Conselho de Supervisão da Privacidade e das Liberdades Civis, um grupo independente que auxlia a Casa Branca em questões que envolvam privacidade. O anúncio oficial da reforma está previsto para esta sexta-feira (17).

Em dezembro do ano passado, o jornal The Washington Post publicou uma matéria dizendo que a NSA monitora cerca de cinco bilhões de registros por dia sobre a localização de celulares em todo o mundo. As informações, também reveladas pelo ex-técnico da agência Edward Snowden, indicam que os funcionários do órgão norte-americano podem encontrar os aparelhos em qualquer lugar do planeta, definir para quais locais se movimentam e identificar todas as atividades que os usuários realizam no dispositivo – incluindo dados de norte-americanos que estão fora dos Estados Unidos.

Já no começo deste mês, Snowden divulgou mais uma série de documentos novamente ao Washington Post. Os arquivos revelam que a NSA está construindo um poderoso computador quântico que será capaz de decifrar qualquer código usado atuamente e burlar a segurança até de informações criptografadas. A máquina está avaliada em US$ 80 milhões e os testes sendo conduzidos no Laboratório de Física da Universidade de Maryland.

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