NSA rastreia localização de 5 bilhões de celulares no mundo, diz jornal

Por Redação | 05 de Dezembro de 2013 às 13h25
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O jornal The Washington Post revelou nesta quarta-feira (4) que a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) monitora cerca de cinco bilhões de registros por dia sobre a localização de telefones celulares em todo o mundo. As informações foram divulgadas com base nos documentos divulgados pelo ex-analista da NSA, Edward Snowden, e em entrevistas com funcionários da inteligência americana.

Segundo a reportagem, analistas de inteligência podem encontrar os aparelhos em qualquer lugar do planeta, definir para quais lugares se movimentam e identificar todas as atividades que os usuários realizam no dispositivo, incluindo dados de norte-americanos que estão fora dos EUA. Usando ferramentas de análise coletiva, a NSA pode seguir pessoas a distância em reuniões confidenciais de negócios, quartos de hotel, visitas ao médico, casas e outros locais aparentemente protegidos. Ainda é possível rastrear o aparelho mesmo que ele esteja desligado, como Snowden já havia informado.

As informações são obtidas através da interceptação de cabos de redes de telefonia móvel em todo o mundo, tanto de linhas americanas como estrangeiras. A partir daí, a NSA monitora a geolocalização para "rastrear os movimentos e observar relações secretas entre as pessoas". O jornal informou que, para coletar tudo isso, a Agência possui um poderoso programa analítiico que constrói padrões de relações entre os usuários de acordo com os seus celulares. Isso poderia ajudar a revelar um suspeito de terrorismo, por exemplo.

A NSA reúne 27 terabytes de dados, mais que o dobro de todo o conteúdo impresso da biblioteca do Congresso americano, considerada a maior do mundo. O objetivo da Agência, segundo a reportagem, não é definir previamente o que poderá vir a ser útil das informações coletadas, mas sim reunir a maior quantidade de dados possíveis. "A capacidade da NSA para 'geolocalizar' é imensa, e indica que a agência dirige a maior parte de seus esforços para monitorar comunicações de forma fútil", diz o jornal.

Robert Litt, conselheiro-geral do Departamento de Inteligência Nacional, já havia dito anteriormente que a NSA não reúne dados de localização de celulares nos EUA de maneira intencional. Por outro lado, o general Keith Alexander, diretor geral da Agência, declarou em depoimento ao Congresso que foram feitos testes em 2010 e 2011 nos celulares americanos para saber se, tecnicamente, seria possível conectar os dados do aparelho aos sistemas de análise da Agência. De acordo com Alexander, o projeto foi abandonado e os dados coletados nunca foram usados para propósitos de inteligência.

Mesmo assim, Chris Soghoian, membro da União Americana de Liberdades Civis, alerta que a atitude da NSA em localizar qualquer pessoa no mundo é quase impossível de ser evitada. "As leis da física não permitem que você mantenha qualquer coisa no campo privado. Você pode até criptografar seus e-mails e disfaçar sua identidade na internet, mas a única forma de esconder sua localização é se desconectar do nosso sistema de comunicação e viver em uma caverna", disse.

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