Versão digital de traje espacial pode ajudar a produzir peças bem ajustadas

Versão digital de traje espacial pode ajudar a produzir peças bem ajustadas

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 02 de Março de 2022 às 15h50
Bonnie Dunbar/Texas A&M

Uma espécie de “gêmeo digital” de trajes espaciais poderia ajudar na criação de trajes perfeitamente ajustados ao corpo dos astronautas. Um projeto liderado pela Texas A&M University tem trabalhado para alcançar esse objetivo como parte do programa Institute for Advanced Concepts (NIAC), da NASA.

O projeto The Spacesuit Digital Thread é liderado pela professora de engenharia espacial e ex-astronauta da NASA, Bonnie Dunbar. A primeira rodada do programa NIAC concedeu US$ 175.000 para que pesquisas de conceito sejam desenvolvidas pelos próximos nove meses.

Um velho traje espacial russo é utilizado para capturar os movimentos (Imagem: Reprodução/Bonnie Dunbar et al.)

O trabalho é baseado na estrutura Digital Thread, uma espécie de representação digital que unifica todas as peças e processos do projeto, como fabricação e entrega do traje espacial. Ao montar todas essas informações, cria-se um "gêmeo" digital com base nas características específicas de qualquer astronauta.

Além disso, a versão digital do traje espacial pode ser usada para ajustar e individualizar mais ainda a peça. Quando na NASA, Dunbar notou a falta de trajes adequados durante o período de uso dos ônibus espaciais — apenas 18 foram produzidos para 200 astronautas.

Com um número limitado de trajes, nem todos os astronautas cabiam perfeitamente neles ou, se cabiam, enfrentavam dificuldades de ajustes. E, com mais de 40 anos desde essa produção, muitos desses trajes ainda estão em uso. Então, agora que cada vez mais pessoas são lançadas ao espaço, é necessário produzir trajes que se adequem melhor aos mais variados corpos e tamanhos de pessoas.

Modelo corporal 3D

O gêmeo digital permitira que os designers realizassem medições específicas em cada pessoa, com a chance de fazer ajustes personalizados sem a necessidade de produzir uma peça física do zero, diminuindo bastante a despesa envolvida na produção.

O scanner corporal 3D registra a gama de movimentos possíveis para ajustar o gêmeo digital do traje espacial (Imagem: Reprodução/Bonnie Dunbar et al.)

Em laboratório, Dunbar e sua equipe utilizaram um scanner corporal 3D para incluir uma série de movimentos nas versões digitais dos trajes, o que também ajudaria a aperfeiçoar a personalização. No entanto, a pesquisa trabalha apenas com um modelo digital.

Ainda não está claro como o modelo físico dos trajes sob medidas serão feitos. Talvez uma impressora 3D ajude na produção das peças, especialmente se puder reciclar partes de trajes espaciais antigos. Essa tecnologia, que ainda não existe, deve surgir nas próximas fases da pesquisa.

Fonte: NASA, Via Universe Today

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