Vazamento de ar na ISS parece ser mais intenso do que se esperava

Por Danielle Cassita | 07 de Outubro de 2020 às 13h45
Reprodução

Um vazamento de ar vem ocorrendo na Estação Espacial Internacional (ISS) há cerca de um ano, e parece ter aumentado: no final de setembro, a Roscosmos, agência espacial russa, anunciou que os astronautas a bordo do laboratório orbital haviam encontrado a fonte do problema, mas a tripulação percebeu que o vazamento está ocorrendo acima dos níveis esperados.

Este problema do vazamento intriga os tripulantes e controladores da missão desde setembro de 2019, que foi quando a NASA comunicou um leve aumento na taxa de vazamento de ar padrão. Já em agosto deste ano, os tripulantes precisaram se confinar no módulo russo Zvezda para que a NASA pudesse investigar o problema. Mais recentemente, em setembro, a tripulação precisou se confinar novamente no segmento russo para que os controladores da missão pudessem monitorar a pressão de ar nos módulos da estação e tentassem identificar, afinal, onde o problema estava.

O módulo russo Zevzda (Imagem: Reprodução/NASA)

Com os esforços da tripulação, que fechou as escotilhas do módulo russo para a realização de testes e das equipes em solo, foi possível isolar a localização do vazamento: a Roscosmos comunicou que o vazamento está ocorrendo no módulo Zvezda, e enfatizou que o problema não oferece riscos para a vida e saúde dos tripulantes. Depois disso, a tripulação abriu as escotilhas entre os segmentos dos Estados Unidos e Rússia novamente e seguiu suas atividades. Mesmo assim, devido à quantidade de ar perdida, pode ser necessário enviar oxigênio extra para o laboratório orbital.

O vazamento está relacionado a uma mudança temporária na temperatura da estação, e a taxa da saída de ar não parecia ter mudado. Entretanto, Sergei Krikalyov, diretor executivo dos programas espaciais russos tripulados, enfatizou que levaria algum tempo para encontrar o problema, e que a ISS sempre teve leves perdas de ar devido ao sistema de purificação de ar: “o que está acontecendo agora é acima da taxa de vazamento padrão, e naturalmente, se durar um longo tempo, será necessário enviar um suprimento de ar extra para a estação”, comentou. Por fim, também destacou que embora o vazamento exista, ele não é crítico.

Chris Cassidy, comandante, com detector de vazamento (Imagem: Reprodução/NASA)

De acordo com as últimas informações fornecidas pela Roscosmos, o problema está na câmara de transferência, que é uma das quatro seções do módulo Zvezda. A agência espacial reforçou que a taxa atual de vazamento não causa riscos para a tripulação — mas, de fato, terá alguns impactos no cronograma da ISS. Essa não é a primeira vez que astronautas na estação precisam conter vazamentos na estação: em agosto de 2018, a tripulação da Expedição 56 encontrou um buraco na parede da cápsula Soyuz que se conectou à ISS. Enquanto a Roscosmos apontou em 2019 que encontraram a origem do vazamento, a informação não chegou ao público.

Os gerentes da estação espacial estão constantemente reavaliando a situação enquanto as equipes em solo se preparam para lançamentos críticos que irão ocorrer em breve: o veículo russo Soyuz MS-14 será lançado em 14 de outubro, enquanto a nave Crew Dragon, da SpaceX, será lançada em 31 de outubro e levará astronautas para uma estadia de seis meses de duração no laboratório orbital.

Fonte: Universe Today, SpaceflightNow

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