Tempestade solar atinge satélites Starlink e 40 deles são afetados

Tempestade solar atinge satélites Starlink e 40 deles são afetados

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 09 de Fevereiro de 2022 às 10h05
Divulgação/SpaceX

Uma tempestade solar recente parece ter afetado até 40 satélites Starlink, lançados recentemente pela empresa de Elon Musk. O fenômeno causou um leve aumento na densidade da atmosfera, de modo que ampliou também a força "puxando-os" para baixo. Como resultado, eles devem reentrar ou já terá reentrado na atmosfera da Terra, sendo queimados no processo.

Segundo a SpaceX, análises preliminares mostraram que o aumento do arrasto dos satélites a baixas altitudes impediu que eles saíssem do modo de segurança, para poder iniciar manobras que permitam aumentar a órbita deles. “O GPS a bordo sugere que a velocidade de escala e a severidade da tempestade causaram um aumento até 50% maior no arrasto atmosférico em comparação com lançamentos anteriores”, disseram.

A SpaceX lançou novos 49 satélites para sua megaconstelação, que juntariam a mais de 1.800 já lançados (Imagem: Reprodução/SpaceX)

Os 49 satélites lançados pela empresa na última semana foram liberados em uma órbita inicial, que os colocou a 210 km acima da Terra no ponto mais baixo da órbita. A SpaceX costuma liberar os satélites em uma órbita baixa, para que eles possam ser descartados rapidamente caso ocorra algum tipo de falha logo após o lançamento — só que, neste caso, esta órbita os deixou vulneráveis aos efeitos da tempestade geomagnética.

As tempestades geomagnéticas vindas do Sol ocorrem quando o vento solar expele plasma e correntes elétricas na magnetosfera da Terra. Esta interação pode aquecer a atmosfera superior do nosso planeta, fazendo com que a densidade da atmosfera fique alta o suficiente para afetar os satélites em órbitas baixas — como é o caso dos Starlink. A tempestade em questão ocorreu na sexta-feira (4), logo após uma erupção solar.

Segundo a empresa, não há riscos de os satélites deixarem suas órbitas e colidirem com outros em órbita, e também não deve haver fragmentos em solo. “Não haverá detritos orbitais criados e nenhuma parte dos satélites irá atingir o solo”, disse a SpaceX, no comunicado. “Esta situação única demonstra os grandes esforços empregados pela SpaceX para garantir que o sistema esteja na vanguarda da mitigação dos detritos orbitais”.

Os riscos das tempestades geomagnéticas

Para entender os efeitos que as tempestades solares podem causar em nosso planeta, precisamos compreender, primeiro, a atividade do Sol, já que o astro é o causador destes fenômenos. De tempos em tempos, nossa estrela libera emissões energéticas em explosões de plasma, conhecidas como "ejeções de massa coronal” (CME) ou em explosões solares.

Durante as tempestades geomagnéticas, explosões de energia solar podem causar danos seríssimos às redes elétricas (Imagem: Reprodução/NASA's Goddard Space Flight Center/Genna Duberstein)

As CMEs são capazes de causar grandes mudanças no campo magnético da Terra, e podem também fazer com que grandes falhas ocorram em redes elétricas conforme estes equipamentos são afetados ou destruídos. Se algum fenômeno do tipo ocorresse hoje, poderíamos esperar problemas em usinas, linhas de transmissão e estações de energia para regiões e cidades inteiras.

Com as falhas nos sistemas elétricos, grandes porções da população mundial poderiam ficar sem energia por semanas, o que acabaria desencadeando crises relacionadas à saúde, alimentação e economia. Há soluções sendo desenvolvidas para evitar estes problemas — por exemplo, algumas organizações estão criando bancos capacitores, capazes de absorver e dissipar a energia em excesso.

Mesmo assim, o melhor jeito de evitar os efeitos desastrosos das tempestades solares é prevê-las com antecedência — e este trabalho pode ser feito pelo observatório Deep Space Climate Observatory (DSCOVR), que fornece dados essenciais sobre o tempo e velocidade das explosões solares. Há outros sistemas de alerta em desenvolvimento e, ao usá-los para receber avisos antecipados, os sistemas elétricos podem ser desligados em segurança, para reduzir ou eliminar os riscos de sobrecarga.

Fonte: SpaceX; Via: Space.com, Forbes

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