Novo método pode revelar ejeções de massa coronal "invisíveis" para detectores

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 22 de Julho de 2021 às 16h10
Salvatore Orlando/INAF

Dentre os processos que acontecem em meio à atividade solar, existem as ejeções de massa coronal (EMC), que são erupções de partículas da atmosfera da nossa estrela liberadas e espalhadas pelo Sistema Solar. Entender melhor como elas acontecem é essencial para prevê-las o quanto antes, já que as EMCs podem ser nocivas para os sistemas eletrônicos na Terra — e, para complicar ainda mais, há algumas delas que são “invisíveis” e não podem ser detectadas até chegarem aqui. Agora, uma equipe de cientistas criou um método para identificá-las e, assim, evitar danos.

É que, dependendo da intensidade da CME, os sistemas eletrônicos da Terra podem sofrer danos irreversíveis — em julho de 2012, o Sol liberou uma enorme nuvem de plasma magnetizado, que poderia causar problemas consideráveis a satélites, sistemas de GPS, redes elétricas e outros itens essenciais para a vida na Terra. Felizmente, aquela CME “errou” o caminho, mas, se tivesse nos atingido, o prejuízo poderia chegar a US$ 2,6 trilhões nos Estados Unidos. Eventos tão intensos quanto aquele são raros, e como elas levam alguns dias para chegar aqui, geralmente há tempo para nos prepararmos.

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Ejeção de massa coronal registrada pelo observatório SOHO (Imagem: Reprodução/SOHO (ESA & NASA)

O problema é que há algumas CMEs tão discretas que não produzem sinais claros na superfície do Sol, sendo identificadas somente quando chegam aqui. A Dr Erika Palmerio, autora correspondente do novo estudo, explica que essas emissões, apelidadas de “CMEs furtivas”, são problemáticas porque são geradas a altitudes maiores na coroa solar, onde há campos magnéticos mais fracos. "Isso significa que, ao contrário das CMEs normais, que costumam aparecer claramente no Sol como escurecimento ou brilho, as CMEs furtivas são visíveis somente nos coronógrafos, dispositivos criados para revelar a coroa solar", explicou ela.

Quando elas são identificadas por esses dispositivos, não é possível saber de onde vieram e menos ainda realizar alguma previsão da trajetória da ejeção em questão. Assim, uma equipe de cientistas de diversos países encontrou uma forma de encontrá-las antes que seja tarde demais. “Mostramos que muitas CME furtivas podem, sim, ser detectadas a tempo se os métodos de sensoriamento remoto forem adaptadas”, comentou ela. Em um novo estudo, ela e outros colaboradores analisaram quatro CMEs furtivas, que ocorreram entre 2008 e 2016.

A equipe comparou imagens de sensoriamento remoto “simples” do Sol em diferentes intervalos, para identificar mudanças discretas na coroa inferior, a 350.000 km da superfície. Em grande parte das vezes, as imagens revelaram mudanças pequenas, negligenciadas nos dados dos campos magnéticos e plasma solar. Depois, eles usaram técnicas para ampliar as imagens e analisar com mais cuidado a possível origem da CME furtiva para, assim, prever se ela estava a caminho da Terra.

No estudo, os cientistas usaram imagens processadas de diferentes formas; aqui, somente as da primeira imagem não foram processadas, e as setas brnacas indicam diferenças de luminosidade que não haviam sido identificadas antes (Imagem: Reprodução/Palmerio, Nitta, Mulligan et al.)

No fim, eles conseguiram revelar pequenas manchas e picos de luminosidade no Sol que não haviam sido detectados antes — e que estavam em regiões correspondentes àquelas das CMEs furtivas. Assim, a equipe concluiu que a técnica pode ser usada para identificar essas ejeções antecipadamente. “Esse resultado é importante, porque nos mostra o que procurar se quisermos prever o impacto das erupções solares na Terra”, afirmou ela. Além disso, a técnica pode ser usada também para criar modelos tridimensionais da estrutura da CME em questão conforme ela se expande e avança em direção à Terra.

A equipe acredita que será possível contar com vários aliados na identificação dessas erupções, como a sonda Solar Orbiter, da Agência Espacial Europeia e da NASA, e outras iniciativas semelhantes. “Dados de outros observatórios, analisados com as técnicas que desenvolvemos no nosso estudo, podem ajudar em um desafio ainda mais difícil: detectar as ‘CMEs super furtivas, que nem aparecem nos coronógrafos”, finaliza o co-autor Dr. Nariaki V Nitta.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Frontiers in Astronomy and Space Sciences.

Fonte: Eurekalert

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