Tempestade solar ocorrida há 9 mil anos preocupa cientistas; entenda

Tempestade solar ocorrida há 9 mil anos preocupa cientistas; entenda

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 01 de Fevereiro de 2022 às 09h00
NASA

Uma tempestade solar extremamente poderosa atingiu nosso planeta durante o período “errado” — o mínimo solar, no qual a atividade em nosso Sol deveria ser mais “amena”. Os cientistas descobriram que, há 9.200 anos, essa tempestade deixou marcas permanentes no gelo enterrado na Groenlândia e da Antártida.

Em um novo estudo, publicado na revista Nature Communications, uma equipe de pesquisadores encontrou em amostras de gelo as evidências de uma tempestade até então desconhecida. Após uma análise, eles concluíram que aquela foi uma das mais fortes explosões solares já detectadas em nosso planeta.

A tempestade solar que veio na hora errada

Ejeção de massa coronal de 2000 (Imagem: Reprodução/ESA/NASA/SOHO)

O que mais assustou os cientistas é o fato dessa enorme tempestade ter acontecido durante um mínimo solar, o período do ciclo de 11 anos do Sol em que as explosões solares são muito menos comuns — neste momento, o Sol está nesses tempos de atividade mínima, por exemplo, e deve continuar assim até metade da década atual.

Nos ciclos de 11 anos, o máximo solar é atingido na segunda metade do período, aproximadamente. É quando as erupções solares podem causar tempestades geomagnéticas poderosas o suficiente para causar uma “pane” nos sistemas de distribuição elétrica de nosso planeta ou nos satélites de comunicação.

A descoberta inesperada de um evento grandioso de tempestade geomagnética “fora de época” preocupou os cientistas, porque se considera que durante o mínimo solar isso não deve ocorrer. Em outras palavras, o estudo significa que tempestades devastadoras podem ocorrer quando menos se espera.

Para encontrar evidências dessa tempestade de 9.200 anos atrás, a equipe do novo estudo procurou partículas conhecidas como radionuclídeos cosmogênicos — “versões” de átomos da tabela periódica (isótopos) geradas pelas reações nucleares durante a interação entre raios cósmicos de alta energia e núcleos estáveis dos elementos presentes na atmosfera.

Essas partículas radioativas podem aparecer em registros naturais, como anéis no interior dos troncos de árvores e núcleos de gelo. No caso, os pesquisadores perfuraram gelo na Antártida e na Groenlândia para encontrar um pico nos radionuclídeos do elemento berílio e cloro -36, presentes ali há cerca de 9.200.

Por que essa tempestade solar preocupa?

Os pesquisadores de clima espacial ainda não sabem muito sobre os mecanismos do Sol que levam a uma tempestade solar. Embora muito já tenha sido descoberto, ainda não é o suficiente para prever erupções solares.

Prever esses eventos com bastante antecedência é crucial para que autoridades e agências espaciais possam mitigar os danos de uma grande tempestade, desligando equipamentos na hora certa, mantendo-os em “modo de segurança”. Novos satélites foram lançados recentemente para ajudar a prever o clima espacial.

De acordo com o estudo, a tempestade de 9.200 anos atrás pode ter sido tão poderosa quanto àquela que ocorreu entre os anos 775 aC e 774 aC, considerada a maior já detectada. Se um evento desse nível atinja a Terra, é possível que quedas de energia generalizadas em todo o mundo aconteçam.

Além disso, uma tempestade solar desse porte pode danificar permanentemente a infraestrutura elétrica, como transformadores de energia, e destruir cabos de internet submarinos em várias partes do planeta, resultando em um “apocalipse da internet” que deixaria grande parte da população mundial desconectada por meses.

Fonte: Universidade de Lunds; via: Space.com

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