Sonda OSIRIS-REx dá adeus a Bennu e inicia viagem de dois anos de volta à Terra

Sonda OSIRIS-REx dá adeus a Bennu e inicia viagem de dois anos de volta à Terra

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 11 de Maio de 2021 às 10h05
NASA/Goddard/University of Arizona

Lançada em setembro de 2016, a sonda OSIRIS-REx, da NASA, acaba de iniciar seu retorno para a Terra, após cumprir sua missão de coletar amostras da superfície do asteroide Bennu. No final da tarde de segunda-feira (10), a nave ativou seus motores principais durante sete minutos, colocando-a para longe do asteroide a uma velocidade de aproximadamente 1.000 km/h, iniciando uma viagem de dois anos até nosso planeta.

A OSIRIS-REx se encaminhará em direção a uma trajetória para circundar o Sol, dentro da órbita de Vênus. Após orbitar duas vezes o Sol, a sonda se aproximará da Terra no 24 de setembro de 2023, trazendo a cápsula Sample Return Capsule (SRC) com as amostras da superfície do asteroide Bennu. A cápsula será lançada pela sonda ainda em órbita, e então terá sua queda amortecida por paraquedas, até cair no deserto de Utah, onde a equipe responsável pela missão irá recuperá-la.

O administrador associado de ciência, da sede da NASA, Thomas Zurbuchen, disse que as muitas realizações da OSIRIS-REx demonstraram a forma ousada e inovadora como a exploração se desenvolve em tempo real. “A equipe aceitou o desafio, e agora temos uma parte primordial do nosso sistema solar voltando para a Terra, onde muitas gerações de pesquisadores podem desvendar seus segredos”, ressaltou.

Momento em que a sonda OSIRIS-REx tocou a superfície do asteroide Bennu, em 20 de outubro de 2020 (Imagem: Reprodução: NASA/Goddard/University of Arizona)

Em 9 de abril deste ano, as câmeras de navegação que auxiliaram a equipe na manobra de abordagem ao asteroide foram desligadas, depois que a sonda fez uma última verificação de Bennu — inclusive, chegando à conclusão de que a coleta de amostras marcou a superfície do asteroide. Agora, a equipe de engenheiros usa o sistema de comunicação de espaçonaves Deep Space Network, da NASA, para enviar comandos via sinais de rádio. Ao medirem quanto tempo os sinais de rádio levam para chegar até a sonda e voltar para a Terra, os cientistas calculam a velocidade com que OSIRIS-REx segue de volta para cá.

Algumas correções regulares precisarão ser feitas para corrigir a trajetória da sonda para cada vez mais perto da Terra. Mike Moreau, vice gerente de projeto da OSIRIS-REx, disse: “Acho que todos têm um grande senso de realização, pois enfrentamos todas essas tarefas assustadoras e conseguimos cumprir todos os objetivos que nos foram lançados. Mas também há nostalgia e decepção porque essa parte da missão está chegando ao fim”.

Concepção artítisca da sonda OSIRIS-REx, próxima da Terra (Imagem: Reprodução/NASA/GSFC/UA)

Durante a missão, foram confirmadas e refutadas algumas descobertas científicas. Graças à sonda, os cientistas confirmaram uma técnica que usava observações feitas da Terra que previam que os minerais presentes em asteroides seriam ricos em carbono — inclusive sinais de água primordial. Através dos dados coletados durante a missão, os engenheiros vão aprimorar os modelos teóricos para melhorar as previsões futuras.

Agora só nos resta esperar pela viagem de dois anos da sonda OSIRIS-REx em direção à Terra com a entrega das amostras de Bennu. Aqui, cientistas poderão analisar a composição química do asteroide e desvendar ainda mais mistérios do Sistema Solar primordial.

Abaixo, você confere todo o evento de despedida da sonda OSIRIS-REx da vizinha do asteroide Bennu, transmitido pela NASA:

Fonte: NASA

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