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Solar Orbiter agora consegue estudar a coroa do Sol — graças a um truque

Por| Editado por Patricia Gnipper | 06 de Setembro de 2023 às 19h30

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ESA/ATG
ESA/ATG

Os engenheiros por trás da sonda Solar Orbiter, da Agência Espacial Europeia (ESA), fizeram uma modificação de última hora no hardware da câmera para coletar dados em ultravioleta extremo da coroa solar. A técnica foi testada em segredo desde 2021 e, agora, a equipe anunciou que o “truque” funcionou.

Antes do lançamento da espaçonave, em 2020, a câmera Extreme Ultraviolet Imager (EUI) da Solar Orbiter foi modificada, recebendo uma peça do tamanho de um polegar. Os cientistas chamado a modificação de hack, pois se trata realmente de um improviso que é quase uma "gambiarra", no bom e velho linguajar brasileiro.

Construída com o objetivo de obter imagens de alta resolução da coroa solar — a atmosfera superior do Sol onde coisas incríveis acontecem, tais como ejeções de massa coronal —, a EUI retorna dados em ultravioleta para detectar os eventos misteriosos que geram ventos solares e tempestades geomagnéticas na Terra.

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Entretanto, não é fácil detectar a luz ultravioleta extrema, que é um milhão de vezes mais fraca do que a fotosfera (a superfície do Sol). Então, os técnicos adicionaram a peça na porta de segurança na parte frontal da câmera, permitindo cobrir o disco do Sol para que o EUI possa detectar apenas a luz ultravioleta.

Além disso, os pesquisadores adicionaram imagens da sonda STEREO, da NASA, à imagem da coroa do Sol. Assim, enquanto o EUI registra a coroa, a outra sonda completa a área em branco deixada pelo componente. Os dados das imagens da STEREO também são em ultravioleta, por isso o resultado é uma ótima visão do Sol e sua coroa no mesmo comprimento de onda, ao mesmo tempo.

O método de cobrir o disco solar para obter dados da coroa não é novo, já que a NASA, em parceria com a ESA, também fez isso nos coronógrafos LASCO, da sonda Solar and Heliospheric Observatory (SOHO). Contudo, enquanto a SOHO foi lançada em 1995, a Solar Orbiter tem apenas três anos de operação.

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Também é importante ressaltar que a SOHO orbita o Sol sem se afastar da Terra, mas a Solar Orbiter faz sobrevoos até ficar mais perto do Sol do que Mercúrio, o que resulta em uma coleta de dados muito mais volumosos.

Fonte: ESA