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Observatório SOFIA pode ser aposentado pela NASA em breve

Por| 12 de Fevereiro de 2020 às 16h49

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Carla Thomas/NASA
Carla Thomas/NASA
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Um dos observatórios espaciais mais interessantes da NASA pode estar com seus dias contados. O SOFIA, montado em um avião Boeing 747 que voa no alto da atmosfera para fazer observações únicas da nossa galáxia, ficou de fora do orçamento proposto pela Casa Branca na última segunda-feira (10).

O SOFIA (sigla para Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) passou quase 10 anos observando planetas, cometas e asteroides em nosso Sistema Solar, além de registrar imagens incríveis do centro galático. Entre seus principais objetivos estão o estudo da composição de atmosferas e superfícies planetárias, investigação sobre a evolução e composição dos cometas, e exploração da formação de estrelas e outros objetos cósmicos.

Quanto ao telescópio em si, trata-se de um refletor de 2,7 metros. Ele conta com a câmera infravermelha FORCAST, capaz de observar a galáxia no comprimento de luz infravermelha do espectro eletromagnético. Desse modo, o telescópio “enxerga” o que outros equipamentos não podem detectar, como o que há por trás de nuvens de gás e poeira.

Dentro do avião Boeing modificado, o SOFIA voa por 10 horas seguidas, cruzando a estratosfera da Terra - a segunda camada principal de atmosfera do planeta. Após o período de voo, o avião pousa para que uma equipe em terra possa fazer a manutenção de seus instrumentos.

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Por estar acima da parte da atmosfera terrestre que bloqueia a luz infravermelha, o SOFIA pode obter uma visão única de planetas, estrelas e galáxias. Por isso, ele foi capaz de capturar algumas ocorrências planetárias raras que, de outro modo, os astrônomos poderiam ter perdido. Exemplo disso foi quando o SOFIA registrou Plutão em um evento raro, semelhante a um eclipse, em junho de 2015.

Embora seja o maior observatório aéreo do mundo, o SOFIA é um dos projetos que não foram contemplados pela proposta de orçamento para a NASA no ano fiscal de 2021. A Casa Branca, contrariando o projeto de lei da Câmara, propôs um aumento de 12% em relação ao orçamento da NASA de 2020, somando US$ 25,246 bilhões para a agência espacial.

Esse valor deve ser aplicado em projetos focados nas missões que levarão novos astronautas à Lua em 2024 e na exploração de Marte na década de 2030. Programas como CLARREO (uma pesquisa sobre as mudanças climáticas da Terra), PACE (missão que observaria a cor do oceano e o ciclo do carbono), WFIRST (observatório espacial infravermelho atualmente em desenvolvimento) e o SOFIA devem ser cancelados. É o preço a ser pago pelos esforços de colocar os EUA à frente da nova corrida espacial.

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Para complicar ainda mais, o SOFIA é a segunda missão mais cara em todo o programa de astrofísica da NASA, com um custo anual de operações acima da faixa dos US$ 80 milhões. "A natureza do programa, que se baseia em observações usando uma plataforma cara (um avião) com consumíveis caros (combustível de aviação), resulta em baixo custo-benefício em comparação com a maioria dos observatórios", disse a NASA, explicando por que eles planejam interromper os voos do SOFIA.

A agência espera que o telescópio espacial James Webb seja suficiente para compensar a ausência do SOFIA. Ele estava previsto para ser lançado em 2021, mas foi novamente adiado e está atualmente sem uma previsão de lançamento.

Fonte: Inverse