Veja o centro da Via Láctea em uma imagem muito mais nítida graças à NASA

Por Patrícia Gnipper | 06 de Janeiro de 2020 às 13h30
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Graças ao observatório SOFIA, agora temos uma imagem ainda mais nítida para admirarmos o centro da nossa galáxia. A NASA divulgou a imagem tirada no espectro infravermelho, abrangendo uma distância de mais de 600 anos-luz e mostrando, em alta resolução, mais detalhes dos redemoinhos de gás e poeira que existem no coração da Via Láctea.

A imagem abre portas para pesquisas futuras sobre como estrelas massivas se formam, bem como o que alimenta o buraco negro supermassivo Sagittarius A*, que fica no centro da galáxia. Ali, vemos as curvas do Aglomerado dos Arcos, onde há uma concentração mais densa de estrelas em nossa galáxia, além do Aglomerado de Quíntuplos, com estrelas que são um milhão de vezes mais brilhantes do que o Sol.

O centro da Via Láctea observado pelo SOFIA, abrangendo mais de 600 anos-luz de diâmetro (Foto: NASA)

O SOFIA (sigla para Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) é o maior observatório aéreo do mundo, voando no alto da atmosfera em um Boeing 747 modificado e contando com a câmera infravermelha FORCAST, que proporcionou esta nova imagem. Essa câmera é capaz de observar a galáxia em comprimentos de onda de luz que outros tipos de telescópios não são capazes de enxergar, justamente por analisar a parte infravermelha do espectro eletromagnético — ou seja, o observatório enxerga através de nuvens de gás e poeira, revelando o que há ali dentro.

As densas nuvens de gás e poeira no centro da galáxia são áreas onde novas estrelas nascem, mas, no centro da Via Láctea, há 10 vezes menos estrelas do que o esperado. Por isso é tão importante entender o que acontece ali dentro, e a observação infravermelha é ideal para isso. Os novos dados so SOFIA podem ajudar a ciência a compreender como algumas das estrelas mais massivas de toda a galáxia puderam se formar tão próximas umas das outras em uma região relativamente pequena.

"Compreender como o nascimento de estrelas em massa acontece no centro de nossa própria galáxia nos fornece informações que podem nos ajudar a aprender sobre outras galáxias mais distantes. O uso de vários telescópios nos dá pistas de que precisamos entender esses processos e ainda há mais a descobrir", disse Matthew Hankins, pesquisador de pós-doutorado no Instituto de Tecnologia da Califórnia e principal pesquisador do projeto.

Entendendo melhor o anel ao redor do buraco negro Sagittarius A*

Graças à nova imagem do centro da Via Láctea, cientistas agora têm mais informações para entender o material que pode estar alimentando o anel em torno do buraco negro supermassivo Sagittarius A*, no centro da galáxia. Esse anel tem cerca de 10 anos-luz de diâmetro e tem papel fundamental na aproximação da matéria ao buraco negro, onde é, por fim, devorada.

Tais dados foram coletados em julho de 2019 e o conjunto completo de informações foi disponibilizado pela NASA a astrônomos de todo mundo, por meio do SOFIA Legacy Program.

Vale lembrar que o telescópio espacial Spitzer será desativado no dia 30 de janeiro, depois de 16 anos em funcionamento — o que deixará para o SOFIA as observações em infravermelho até que o James Webb seja lançado, em março de 2021. Inclusive, alguns pontos fracos em regiões escuras, que foram revelados nesta nova imagem do SOFIA, podem ajudar no planejamento de alvos de estudo para o James Webb. Ou seja: ambos poderão trabalhar em conjunto para um entendimento ainda mais aprofundado do espaço que nos cerca.

Fonte: NASA

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