O plano agora é "fatiar" asteroides 100 segundos antes do impacto com a Terra

O plano agora é "fatiar" asteroides 100 segundos antes do impacto com a Terra

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 26 de Outubro de 2021 às 21h40
NASA/JPL-Caltech/IPAC

Pulverizar! É isso o que os autores de um novo estudo sugerem fazer com asteroides perigosos que, porventura, se aproximem em rota de colisão com a Terra. A proposta é enviar até as rochas espaciais uma série de hastes capazes de fatiá-las em centenas pedacinhos inofensivos, anulando assim qualquer potencial destruidor dos asteroides.

De acordo com o plano, detalhado em um artigo bastante técnico no site do University of California, Santa Barbara (UCSB) Experimental Cosmology Group, e submetido à revista Advances in Space Research, as hastes mediriam de 1,8 a 3 metros e, além de uma capacidade de “penetrar” as rochas, poderiam também conter explosivos — talvez até mesmo nucleares.

Pode parecer um tanto perigoso por causa dos vários pedaços de asteroides que ainda cairão na Terra, potencialmente em áreas habitadas, após a interceptação com as hastes. Mas os autores trataram dessa questão extensivamente e se certificaram de que as nuvens de detritos resultantes não seriam perigosas. Na verdade, uma rocha como o asteroide Apophis, com 370 metros de diâmetro, seria reduzida a 30 mil pedrinhas.

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Uma projeção do efeito da nuvem de fragmentos sobre a Terra em dois cenários diferentes (Imagem: Reprodução/Alexander Cohen/Creative Commons)

Qualquer dano causado por esses detritos seria insignificante em comparação com o impacto do asteroide de 19 metros que explodiu sobre Chelyabinsk, na Rússia, em fevereiro de 2013. O impacto teve a força de 30 bombas de Hiroshima, mas não houve fatalidades porque a explosão ocorreu em uma área fora da cidade. Ainda assim, os habitantes sentiram as ondas de choque, vidros se quebraram, e houve ferimentos leves.

A NASA monitora constantemente os asteroides considerados próximos da Terra, mas não há, entre os já descobertos, nenhum que apresente algum risco. Ainda assim, o incidente de Chelyabinsk pegou todos de surpresa — ninguém viu que a rocha estava se aproximando. Além de procurar aumentar a rede de instrumentos de observação para “enxergar” melhor o espaço ao redor do planeta, a NASA elaborou seus próprios planos de defesa planetária.

Um desses planos é o DART (Double Asteroid Redirection Test), que terá seu primeiro teste em no final deste ano ou no próximo. Nesse experimento, a NASA tentará desviar a lua de 160 metros do asteroide Didymos. O objetivo é ver se deslocamento for o suficiente para determinar que o DART consegue desviar um asteroide em rota de colisão com a Terra, de modo que ele “saia de nosso caminho”, por assim dizer.

O plano PI implantaria dezenas de hastes semelhantes a lanças no caminho de um asteroide que se aproxima, "pulverizando" a rocha em centenas de pedaços. As camadas externas são removidas primeiro e, em seguida, hastes sucessivas removem as camadas internas em um padrão cônico. À direita, uma assinatura ótica e acústica de cada fragmento, bem como a distribuição de poeira. À direita, abaixo, efeitos de vários fragmentos aos observadores na superfície (Imagem: Reprodução/Alexander Cohen/Creative Commons)

Embora a ideia da NASA funcione na teoria, o novo plano PI (que significa “Pulverize it”, ou "Pulverize isto", em uma tradução livre), apresentado pelos autores, tem uma vantagem notável: ele pode ser colocado em prática mesmo quando o asteroide estiver a poucos minutos para colidir com o planeta. Isso significa que, se o asteroide for detectado apenas quando estiver perto demais para que uma missão como a DART seja possível, o PI ainda pode entrar em ação.

Os autores afirmam que as hastes do plano PI poderiam ser lançadas por um foguete como o Falcon 9, da SpaceX, e implementadas na região em torno do asteroide. Para uma rocha do tamanho do asteroide de Chelyabinsk, o PI poderia interceptar a ameaça apenas 100 segundos antes do impacto "usando um lançador semelhante ao usado para mísseis balísticos intercontinentais”, de acordo com a pesquisa. Para uma rocha do tamanho do Apophis, o PI poderia ser implementado 10 dias antes de atingir a Terra.

Contudo, mesmo este plano promissor exige testes, o que implica na necessidade de haver asteroides relativamente próximos para “fatiá-los” com as hastes fatais. Inicialmente, podrão ser usadas rochas terrestres mesmo, mas, eventualmente, uma prova definitiva de que a ideia funciona na prática deverá incluir um asteroide real.

O artigo está disponível no arXiv.org.

Fonte: UCSB, Space.com

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