É oficial! Asteroide Apophis não vai colidir com a Terra este século, diz ESA

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 26 de Março de 2021 às 17h10
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O asteroide Apophis se tornou famoso por entrar na lista de objetos perigosos para a Terra logo após sua descoberta em 2004, com cálculos apontando para uma pequena chance de colisão em 2029. Mais tarde, os astrônomos concluíram que o pedregulho espacial não representaria uma ameaça até 2068, e agora, após a mais recente passagem do asteroide pelas proximidades do nosso planeta, pesquisadores da ESA retiraram definitivamente o Apophis de sua lista de risco.

Com cerca de 340 metros de largura, o 99942 Apophis é o que astrônomos chamam de “objeto próximo à Terra” (NEO, na sigla em inglês), mas sua órbita não é tão fácil de se determinar com precisão. Desde sua descoberta, o Apophis tem sido monitorado pelos instrumentos astronômicos, mas sempre se faz necessário atualizar as coordenadas de sua trajetória todas as vezes que ele passa por nós, porque sua trajetória pode mudar ao longo do tempo. Os astrônomos podem prever o trajeto e calcular o tempo que o objeto levará para completar uma volta ao redor do Sol, mas asteroides como este sempre trazem consigo um grau de incerteza

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Um dos principais motivos para essa incerteza é que, conforme essas rochas passam por objetos massivos, como os planetas Júpiter, Saturno, ou a própria Terra, as forças gravitacionais destes mundos desviam os pequenos asteroides de seu trajeto original. Os astrônomos chamam essas pequenas áreas no campo de gravidade dos planetas de "buraco de fechadura" — quando um asteroide passa por um deles, sua rota provavelmente será alterada, de modo que seja necessário recalcular toda a órbita do objeto. A mudança pode ser sutil, mas sempre será o suficiente para aumentar a incerteza sobre o quão próximo da Terra ele pode passar na próxima visita.

Órbita do Apophis será alterada após a aproximação de 2029 (Imagem: Reprodução/ESA)

Antes das medições de sua órbita no início deste mês, os astrônomos já podiam prever uma série de aproximações nas próximas décadas, todas sem riscos reais de colisão. Sabemos, por exemplo, que a próxima visita acontecerá numa sexta-feira, 13 de abril de 2029, quando o Apophis chegará a menos de 35.000 km da Terra. Isso é dez vezes mais perto do que a Lua, e mais perto do que os satélites na órbita geoestacionária, ficando visível a olho nu. Não haverá impacto com nosso planeta, mas a essa distância a gravidade da Terra pode fazer seu trabalho de alterar a trajetória da rocha.

Essa possível alteração de órbita amplia a incerteza sobre o percurso do Apophis no futuro. Mais especificamente, ainda não se sabia se durante a passagem de 2029 o asteroide passará pelo 'buraco de fechadura gravitacional' da Terra. Também não havia certeza se, caso passe pelo buraco, o asteroide apresentaria risco real de impacto em 2068. Felizmente, as novas observações por radar reduziram a incerteza na trajetória do Apophis, e os astrônomos puderam concluir que mesmo uma eventual alteração na órbita durante a visita de 2029, não há chances de colisão em 2068, ou nas décadas seguintes.

Como resultado dessa certeza, a ESA retirou o Apophis da sua lista de risco — um catálogo de todos os objetos próximos à Terra que têm alguma chance “diferente de zero” de colidir com a Terra nos próximos 100 anos. Isso significa que, após permanecer na lista por quase 17 anos, o Apophis não oferece mais nenhum risco para nosso planeta neste século, ou no início do século 22.

Fonte: ESA

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